Nas três partes anteriores deste artigo, enunciamos várias proposições. Algumas podem ser consideradas provadas, outras permanecem hipóteses de trabalho que merecem ser debatidas. O que me parece incontestável é a existência de uma “oposição controlada” à tese oficial do 11 de Setembro, que opera em dois níveis: no nível da mídia alternativa de esquerda e no nível do movimento conspiracionista. As mentiras e manipulações são demonstradas nesses dois campos. Nossa investigação se assemelha a um roteiro de thriller com reviravoltas: o primeiro culpado identificado não é o certo, mas o segundo também não. O paradigma da “falsa bandeira reversível”, por sua vez, é apenas um conceito imperfeito, um ponto virtual de perspectiva que permite abarcar esses diferentes níveis de desinformação. Mas a realidade que ele descreve é, creio eu, bastante bem estabelecida. A noção de “complot sequestrado” é mais especulativa, e continuará assim até que uma verdadeira investigação criminal seja aberta. Ela tem, no entanto, a seu favor o fato de se aplicar de maneira satisfatória a outros casos que não o 11 de Setembro.
A ideia me veio na época do caso Merah. Vimos nesse caso, com poucos dias de intervalo, dois acontecimentos de naturezas e alcances muito diferentes, cujo único vínculo é o culpado designado (oportunamente eliminado pelos serviços especiais). No primeiro acontecimento, três militares de origem magrebina são abatidos, e suspeita-se de um grupamento neonazista. O caso, um mês antes das eleições presidenciais, é suspeitamente providencial para permitir que o presidente Sarkozy, em dificuldades nas pesquisas, se recuperasse com uma propaganda anti-FN. Mas eis que, quatro dias depois, fazem-nos acreditar que três crianças judias foram mortas numa escola judaica (sem testemunha credível e sem autópsia, pois, por obscuras razões religiosas, os corpos são repatriados imediatamente para Jerusalém). Decreta-se imediatamente que os dois crimes são do mesmo autor: já não se trata, portanto, de um racista anti-árabe, mas de um árabe antissemita que se procura e se encontra. Nosso presidente não tem outra escolha senão seguir este novo roteiro, que implica enviar seu ministro da Justiça a Israel para garantir ao presidente Shimon Peres e ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu o apoio da França na luta contra o terrorismo e o antissemitismo. Todos os candidatos à presidência colocam a quipá e juram, por sua vez, combater o antissemitismo e o fanatismo islâmico.
Após alguns anos de pesquisa, também me sinto tentado a ver neste princípio do “complot sequestrado” a solução para os mistérios que cercam o assassinato de Kennedy. As bases dessa teoria foram estabelecidas por Gary Wean, em seu livro There’s a Fish in the Courthouse (1987), ignorado por todos os pesquisadores, com exceção de Michael Collins Piper em Final Judgment. Baseando-se numa fonte bem informada de Dallas (o senador republicano John Tower), Wean levanta a possibilidade de que o tiroteio tenha sido encenado pela CIA na forma de um assassinato fracassado, mas que a operação tenha sido desviada para um verdadeiro assassinato pela Mishpucka (a “Família” em hebraico, isto é, a máfia russa judaica), cujo poder tentacular Wean aprendeu a conhecer como investigador da polícia de Los Angeles. O investigador Dick Russel reforça independentemente essa tese em The Man Who Knew Too Much (1992), após entrevistar vários exilados cubanos convencidos de terem sido manipulados.
O princípio do “complot sequestrado” é coerente com os fatos brutos do assassinato: as balas disparadas por trás da limusine presidencial, do School Book Depository, erraram o alvo. Alguns segundos depois, Kennedy é mortalmente atingido por duas balas disparadas do grassy knoll, à sua frente, pela direita. Oswald é preso na parte da tarde e acusado de ter atirado do depository onde trabalha, e de ter agido em nome de Castro. Mas Johnson faz calar esse boato e impõe a tese do assassino solitário. Dois dias após sua prisão, Oswald é silenciado por Jacob Rubenstein, dito Jack Ruby, membro da máfia judaica (a Yiddish Connection) e ex-traficante de armas em benefício de Israel. Ruby era amigo e parceiro de Mickey Cohen, associado e sucessor do famoso Benjamin Siegelbaum, dito Bugsy, um dos chefes do Murder Incorporated. Segundo Gary Wean, Cohen estava em contato com Menachem Begin.
Oswald e Ruby são as duas personagens-chave do caso: o primeiro está ligado à CIA, mas o segundo está ligado à rede criminosa sionista. O advogado de Ruby, William Kunstler, escreve em suas memórias que Ruby lhe confessou antes de morrer ter matado Oswald “pelos judeus”, e mais precisamente para “proteger os judeus americanos de um pogrom que poderia resultar da ira devido ao assassinato [1]”. Seu rabino, Hillel Silverman, que o visitou na prisão, fez a mesma declaração [2]. Conhecemos outro sionista notório que agiu com determinação para impedir que a verdade viesse à tona: Arlen Specter, o inventor da “teoria do projétil único” (single bullet theory), que atribui cinco ferimentos (dois em Kennedy e três em Connally, à sua frente) a uma única bala. Com sua morte em 2012, Specter, filho de imigrantes judeus russos, foi oficialmente lamentado pelo governo israelense como um “incansável defensor do Estado judeu [3]”.
O princípio do “complot sequestrado” permite reconciliar as três teses que dominam a pesquisa séria sobre o assassinato de Kennedy: 1) a tese da CIA, do Pentágono e do complexo militar-industrial, 2) a tese de Lyndon Johnson, e 3) a tese de Israel. Os autores que defendem a primeira tese (que se pode chamar de Inside Job), como David Talbot [4], James Douglass [5] ou Mark Lane [6], para citar apenas os mais recentes, demonstram de maneira irrefutável que a CIA e uma facção do aparato militar tentavam desencadear uma guerra contra Castro, e que estavam dispostos a enganar o Presidente para colocá-lo contra a parede. Mas eles não conseguem demonstrar que estavam dispostos a assassiná-lo: da operação clandestina pelas costas do Presidente à alta traição e ao assassinato, vai um abismo. E nota-se que esses três livros não conseguem identificar o conspirador-chefe e se limitam a incriminar o sistema. A personagem da CIA sobre quem pesam mais suspeitas é James Jesus Angleton, que dirigiu de 1954 a 1974 o Israel Office da Agência (pelo qual transitavam praticamente todas as informações vindas da URSS). Seu biógrafo Tom Mangold afirma:
“Os amigos mais próximos de Angleton no exterior vieram do Mossad e ele era tido em altíssima estima por seus colegas israelenses e pelo Estado de Israel, que lhe concedeu grandes honrarias após sua morte [1987] [7].”
Angleton desempenhou um papel primordial na obstrução à verdade ao se impor como elo entre a CIA e a Comissão Warren.
Mas a fragilidade da tese CIA-Pentágono reside, em meu entender, sobretudo nesta contradição flagrante: se a CIA programou a morte de Kennedy na forma de um assassinato sob falsa bandeira de Cuba, por que a guerra contra Cuba, que era o fim visado, não ocorreu? Nossos autores não fornecem nenhuma resposta convincente. Michael Piper, que, sozinho contra todos, defende a tese de Israel, demonstrou de forma irrefutável que Israel tinha um interesse vital na morte de Kennedy, pois Kennedy estava decidido a impedir que Israel levasse a termo seus projetos de armamento nuclear. Ele também se empenhou vigorosamente a favor do direito de retorno dos 750.000 refugiados palestinos expulsos de seus bairros e vilarejos em 1947-48. Duas coisas intoleráveis para Ben-Gurion e os líderes sionistas. Havia ainda uma outra: o esforço de Kennedy para restringir a influência do American Zionist Council, precursor do AIPAC, registrando-o como agente estrangeiro sujeito ao Foreign Agents Registration Act de 1938. Por todas essas razões, os sionistas queriam a morte de Kennedy.
Johnson também. Na verdade, a tese que incrimina Johnson funde-se com a que incrimina Israel a partir do momento em que se percebe que Johnson é o homem de Israel. Ele o é desde o financiamento de sua primeira campanha para o Senado em 1948, financiada por Abraham Feinberg, o padrinho da bomba atômica israelense (que, ao mesmo tempo, também financiava a segunda campanha presidencial de Truman em troca de seu reconhecimento de Israel) [8]. Sua ascensão ao poder foi saudada com alívio em Tel Aviv, como se lia no jornal israelense Yediot Aharonot:
“Não há dúvida de que com a ascensão de Lyndon Johnson, teremos mais oportunidade de abordar o Presidente diretamente se acharmos que a política americana vai contra nossos interesses vitais [9].”
Um grande número de fatos prova que, em 1967, Johnson deu sinal verde para a guerra preventiva de Israel contra o Egito e a anexação de territórios que se seguiu, e que, sob sua liderança, a CIA forneceu ao exército israelense as informações que lhe permitiram destruir em poucos dias todas as bases aéreas inimigas. Johnson provavelmente também aprovou secretamente o ataque ao USS Liberty (um navio da NSA) por aviões e lanchas torpedeiras israelenses em 8 de junho de 1967, uma operação sob falsa bandeira que teria sido atribuída ao Egito se tivesse sido bem-sucedida, isto é, se o navio tivesse sido afundado e sua tripulação exterminada. Em 2013, a Associated Press divulgou gravações do Salão Oval demonstrando a “conexão pessoal e frequentemente emocional” de Johnson com Israel, lembrando ainda que durante a presidência de Johnson, “os Estados Unidos se tornaram o principal aliado diplomático e o principal fornecedor de armas de Israel”. Um artigo do 5 Towns Jewish Times publicado sob o título “Our First Jewish President Lyndon Johnson?”, mencionando o apoio de Johnson aos judeus nas décadas de 1940 e 1950, e depois seu papel na elaboração da Resolução 242 da ONU em favor de Israel, conclui:
“O presidente Johnson orientou firmemente a política americana numa direção pró-Israel. Num contexto histórico, a ponte aérea de emergência para Israel em 1973, o apoio diplomático constante, a assistência econômica e militar e os laços estratégicos entre os dois países podem ser creditados às sementes plantadas por Johnson.”
O artigo também menciona:
“Pesquisas na história pessoal de Johnson indicam que ele herdou de sua família o interesse pelo povo judeu. Sua tia Jessie Johnson Hatcher, que exerceu grande influência sobre ele, era membro da Zionist Organization of America.”
E, numa nota adicional:
“Os fatos indicam que os dois bisavós de Johnson pelo lado materno eram judeus. […] A linhagem de mães judias pode ser rastreada por três gerações na árvore genealógica de Lyndon Johnson. Há pouca dúvida de que ele era judeu [10].”
O único elo perdido para provar a conluio entre Johnson e Israel seria a prova de que Ruby agiu por ordens de Johnson. Esse elo é, na verdade, fornecido pelo ex-assistente de Nixon, Roger Stone, que declarou, numa entrevista ao The Daily Caller, que em novembro de 1963, ao ver Ruby na televisão, Nixon o reconheceu como sendo “um dos ‘boys’ de Johnson”, e que “Nixon reconheceu imediatamente que Johnson estava usando um de seus capangas para fazer a ‘limpeza’ após o assassinato de Kennedy [11]”.
À luz desse testemunho (de segunda mão, é verdade), é interessante mencionar um memorando do FBI datado de 24 de novembro de 1947, que descreve Ruby como um capanga de Nixon, mas que hoje é reconhecido pela maioria dos pesquisadores como falso. Esse memorando informa uma comissão parlamentar que investigava o crime organizado que “um certo Jack Rubenstein de Chicago […] desempenha funções de informação para o pessoal do deputado Richard Nixon, Republicano da Califórnia. Solicita-se que Rubenstein não seja ouvido como testemunha nas audiências supramencionadas [12].” O caráter inautêntico desse memorando foi demonstrado por dois anacronismos relativos a Nixon e Ruby, e pelo fato de trazer um código zip que não existia na época. Alguém, portanto, quis embaralhar a pista que ligava Ruby a Johnson, fazendo-o passar por homem de Nixon.
A hipótese de que Ruby era secretamente incumbido por Johnson é coerente com as declarações estranhas feitas por Ruby à Comissão Warren: Ruby insistiu para ser levado a Washington, pois, disse:
“Eu sou o único que pode levar a verdade ao Presidente […] Se não me levarem esta noite a Washington para me dar uma chance de provar minha inocência ao Presidente, então vocês verão a coisa mais trágica que pode acontecer.”
Ruby indica ainda que essa “coisa trágica” tem relação com a sorte do povo judeu:
“Haverá um evento trágico se não aceitarem meu depoimento e não me absolverem para que meu povo não sofra por causa do que fiz.”
Ele temia, acrescentou, que seu ato fosse explorado “para criar uma falsa ideia sobre certas pessoas de fé judaica”, mas isso poderia ser evitado “se nosso Presidente, Lyndon Johnson, soubesse a verdade por mim [13]”. Ruby parece querer dirigir a Johnson, através dos membros da Comissão, uma mensagem carregada de subentendidos, que parece conter a ameaça de revelar o envolvimento de Israel no assassinato de Kennedy se não for perdoado pelo novo presidente. A impressão se fortalece se compararmos o respeito que demonstra por Johnson, “nosso Presidente, que acredita na retidão e na justiça”, com a acusação que lançará em 1967 contra o mesmo Johnson, tratado desta vez de “nazista da pior espécie” numa carta manuscrita [14]. Isso sugere que Ruby se sentiu traído por Johnson; sem dúvida esperava que Johnson o tirasse da prisão, assim como, em 1952, Johnson conseguira evitar a prisão a seu assassino Malcolm Wallace, embora este tenha sido condenado por homicídio em primeiro grau [15].
O depoimento de Ruby à Comissão Warren foi obtido e publicado pela jornalista Dorothy Kilgallen no New York Journal American de 18 a 20 de agosto de 1964. Kilgallen afirmava ainda ter entrevistado Ruby durante seu julgamento em Dallas e dizia estar prestes a “revelar a verdadeira história” e publicar “o furo do século” num livro intitulado Murder One. O livro nunca apareceu: Kilgallen foi encontrada morta por overdose de álcool e barbitúricos em 8 de novembro de 1965. Sua última frase impressa dizia: “Esta história não morrerá, enquanto houver um verdadeiro repórter vivo, e ainda há muitos vivos [16].”
A tese do “complot sequestrado” permite explicar a obstinação estarrecedora do poder executivo em se agarrar à tese do assassino solitário, cinquenta anos depois. Também permite explicar a obstinação da mídia americana em obstruir a verdade. Os livros que se focam na pista CIA-Pentágono repetem à exaustão que a grande mídia está sob o controle estreito da CIA, através de sua operação Mockingbird; é um mito mais do que uma realidade, um mito aliás alimentado indiretamente pelos próprios diretores da grande mídia, entre outros pela patroa do Washington Post, Katherine Graham, através de sua biógrafa Deborah Davis. Davis alega que Philip Graham (marido de Katharine e durante muito tempo diretor do Post), bem como Joseph Alsop, o editorialista mais influente do jornal, eram “controlados” pela CIA [17], mas os fatos indicam antes sua lealdade a Israel. Arthur Schlesinger, que foi assistente próximo de Kennedy, relata que foram Graham e Alsop que convenceram Kennedy a tomar Johnson como vice-presidente, assim que ficou claro que Kennedy venceria as primárias sobre Johnson [18]. Como explica por sua vez Alan Hart, através de Graham e Alsop, cuja influência sobre a opinião pública era considerável, “foram os apoiadores de Israel que forçaram Kennedy a tomar Johnson como vice-presidente [19]”.
A grande mídia contribuiu amplamente para direcionar as suspeitas dos céticos para a CIA, antes mesmo do assassinato. Não foi Arthur Krock, sionista notório, que em 3 de outubro de 1963 escreveu em sua coluna diária do New York Times que “o desenvolvimento da CIA é ‘comparável a uma doença’, que nem mesmo a Casa Branca talvez controlasse mais, segundo altíssimo funcionário. […] Se os Estados Unidos forem um dia o palco de um Seven Days in May, isso virá da CIA [20].” (Seven Days in May é um thriller político publicado em 1962, que conta um golpe de Estado contra o Presidente). Krock coloca uma placa direcionando antecipadamente as suspeitas para a CIA, insinuando que sua fonte é o próprio Presidente [21].
Um mês após o assassinato de Kennedy, é a vez do Washington Post semear novamente a suspeita do envolvimento da CIA, publicando um editorial assinado pelo ex-presidente Harry Truman, intitulado “Os Estados Unidos deveriam confinar a CIA à Inteligência”, onde ele afirmava a urgência de “examinar novamente o propósito e as operações de nossa CIA. […] Há questões difíceis que precisam ser respondidas agora.” “Já faz algum tempo que estou perturbado pela maneira como a CIA foi desviada de sua missão original. Ela se tornou um braço operacional do governo e, em alguns casos, determina a política. […] Nunca pensei, ao criar a CIA, que ela se envolveria em operações obscuras e clandestinas em tempos de paz” a ponto de ter se tornado em todo o mundo “[22]”. Truman aludia ao envolvimento da CIA na derrubada ou assassinato de chefes de Estado estrangeiros, mas, dado que o assassinato de Kennedy ainda estava na mente de todos, sua mensagem só poderia ser percebida, pelo menos de forma subliminar, como uma incriminação implícita da CIA na tragédia de Dallas. Esse artigo foi amplamente comentado nos anos 70 e confere a Truman o papel vantajoso de whistleblower. E no entanto, esse mea-culpa não é realmente do estilo de Truman. E com razão: não foi escrito por ele, mas por seu assistente e redator principal, David Noyes. Truman provavelmente não o leu antes da publicação e deve tê-lo descoberto na edição matutina do Washington Post; foi talvez ele, por outro lado (e não a CIA), que exigiu sua retirada das edições da tarde [23]. O papel de Noyes como “negro” de Truman é bem descrito no livro de Sidney Krasnoff, Truman and Noyes: Story of a President’s Alter Ego (Jonathan Stuart Press, 1997), apresentado pelo editor como “a história extraordinária da relação entre um batista do Missouri, sem educação além do ensino médio, e um judeu originário da Rússia com doutorado”.
Nos anos 70, quando se abriu uma nova investigação sobre o assassinato de Kennedy, a imprensa ainda desempenhou um papel importante no direcionamento das suspeitas para a CIA. O famoso jornalista Edward Epstein (que recentemente voltou a falar de si ao defender a tese de uma conspiração contra Dominique Strauss-Kahn) publicou uma entrevista de George De Mohrenschildt na qual este admitia que Lee Harvey Oswald lhe fora apresentado pelo agente J. Walton Moore da CIA [24]. Mas a informação é duvidosa por várias razões: primeiro, Moore era conhecido como agente do FBI, não da CIA. Segundo, De Mohrenschildt já não estava em condições de confirmar quando o artigo foi publicado: foi encontrado morto, suicidado, poucas horas após sua entrevista, em 29 de março de 1977 [25]. Na verdade, a entrevista contradiz formalmente um relato manuscrito deixado por De Mohrenschildt sobre sua relação com Oswald [26]. Finalmente, o boletim de ocorrência indica que a saúde mental de De Mohrenschildt havia se deteriorado, e ele se queixava de que “os judeus” e “a máfia judaica” estavam atrás dele [27]. A entrevista publicada por Epstein não menciona essa preocupação.
Na realidade, logo no dia seguinte ao assassinato, pode-se suspeitar que a rede sionista tenha direcionado a dissidência para a pista da CIA, criando assim uma segunda “falsa bandeira” costurada sob a falsa bandeira “Oswald-Castro”. As más línguas suspeitam também que Mark Lane, o primeiro e mais ativo dos conspiracionistas que acusam a CIA, tenha procurado esconder sua pertença à comunidade judaica, mudando seu nome de Levin para Lane. E é bem conhecido que o produtor do filme JFK (1991), de Oliver Stone, que desencadeou um forte movimento de opinião e motivou a abertura de comissões de investigação sobre a CIA, é Arnon Milchan, descrito numa biografia de 2011 como “um dos mais importantes agentes infiltrados da Inteligência israelense”, muito envolvido no contrabando de armamento nuclear dos Estados Unidos para Israel [28]. Note-se de passagem que, em 1978, Milchan produziu The Medusa Touch, um filme que descreve um cenário semelhante ao episódio dos Lone Gunmen mencionado anteriormente, com um avião telecontrolado colidindo com um arranha-céu.
Para terminar, é também interessante notar que alguns pesquisadores tentam incriminar o velho Bush no caso JFK. É o caso, nomeadamente, de John Hankey com seu documentário Dark Legacy [29]. Examinando de perto, a ideia de um envolvimento de Bush no assassinato de Kennedy baseia-se em conjecturas e, provavelmente, mais uma vez, num falso memorando ultrassecreto. As acusações são as mesmas que as lançadas por Russ Baker em Family of Secrets: The Bush Dynasty (2009) e por Webster Tarpley em George Bush: The Unauthorized Biography (2004). Todos esses ataques insistem nas simpatias pró-nazistas e no antissemitismo presumido do clã Bush. Com efeito, Prescott Bush, o pai de George H.W., codirigia durante a Segunda Guerra Mundial a Union Banking Corporation, que foi apreendida em 1942 pelo governo de Roosevelt no âmbito do Trading with the Enemy Act. Essa informação é na verdade anedótica, pois até a entrada dos Estados Unidos na guerra, uma maioria de americanos simpatizava com Hitler, particularmente nos meios industrial e financeiro WASP. Além disso, comparado ao antissemitismo militante de um John Ford, o dos Bush era bem discreto: nem Baker nem Tarpley conseguem atribuir-lhes uma única declaração antissemita, nem tampouco pró-nazista [30].
Em resumo: A CIA e os exilados cubanos que ela patrocina planejaram uma tentativa fracassada de assassinato, prevista para poupar Kennedy, mas forçá-lo a empreender represálias contra Cuba. Israel não se interessa por Cuba, mas quer se livrar de Kennedy. Lyndon Johnson também. Aliás, ele é desde sempre o homem de Israel e foi imposto como vice-presidente a Kennedy pelo lobby sionista. Juntos, a máfia judaica e os homens de Johnson em Dallas transformam a operação da CIA num assassinato bem-sucedido. Imediatamente após o atirador da CIA (Oswald ou não) ter errado voluntariamente a partir do School Book Depository, os assassinos do clã Johnson-Sion (talvez contratados do Murder, Incorporated, um ramo da Mishpucka) explodem o cérebro de Kennedy a partir do grassy knoll. Jacob Rubenstein (alias Jack Ruby), um capanga de Johnson, termina o serviço dois dias depois, acreditando erroneamente que obteria o perdão presidencial. Ele morrerá na prisão em 1967, tratando Johnson de “nazista da pior espécie” e confiando ao seu rabino e ao seu advogado ter agido “pelos judeus”. Uma vez no poder, Johnson força, sob chantagem, a CIA a renunciar ao seu falso complô pró-cubano e a adotar a teoria do assassino solitário (ele acalmará a frustração do complexo militar oferecendo-lhe o Vietnã em vez de Cuba). Arlen Specter, “incansável defensor do Estado judeu”, não terá nenhuma dificuldade em vender sua “bala mágica” à mídia complacente, enquanto Mark Lane (nascido Levin) direcionava a contestação para a pista da CIA com um artigo no Guardian apenas quatro semanas após o assassinato. E durante cinco anos, Johnson fará tanto por Israel, nomeadamente apoiando sua guerra de expansão de 1967 (apesar do fiasco do USS Liberty), que a imprensa israelense, vasculhando sua árvore genealógica, concluirá: “Não há dúvida de que ele é judeu.”
Notas
[1] William Kunstler, My Life as a Radical Lawyer, Carol Publishing, 1994, p. 158.
[2] Steve North, “Lee Harvey Oswald’s Killer ‘Jack Ruby’ Came From Strong Jewish Background”, The Jewish Daily Forward, November 17, 2013, http://forward.com/articles/187793/lee-harvey-oswalds-killer-jack-ruby-came-from-stro/?p=all#ixzz2oUwQ6vpx
[3] http://www.haaretz.com/jewish-world/jewish-world-news/prominent-jewish-american-politician-arlen-specter-dies-at-82-1.469977
[4] David Talbot, Brothers : The Hidden History of the Kennedy Years, Simon & Schuster, 2007.
[5] James Douglass, JFK and the Unspeakable : Why He died and Why it Matters, Touchstone, 2008.
[6] Mark Lane, Last Word : My Indictment of the CIA in the Murder of JFK, Skyhorse Publishing, 2011.
[7] Tom Mangold, Cold Warrior : James Jesus Angleton : the CIA’s Master Spy Hunter, Simon & Schuster, 1991.
[8] Alan Hart, Zionism, the Real Enemy of the Jews, vol. 2 : David Becomes Goliath, Clarity Press, 2009, p. 250.
[9] Stephen Green, Taking Sides : America’s Secret Relations With a Militant Israel, William Morrow & Co, 1984, p. 186.
[10] Morris Smith, “Our First Jewish President Lyndon Johnson ? – an update !!”, 5 Towns Jewish Times, April 11, 2013 : http://5tjt.com/our-first-jewish-president-lyndon-johnson-an-update/
[11] http://dailycaller.com/2014/03/14/why-jack-ruby-was-probably-part-of-the-kennedy-conspiracy/#ixzz2ywPjg9zr
[12] Reproduction sur http://www.jfkmurdersolved.com/nixonruby.htm
[13] http://www.Voir sur jfkmurdersolved.com/ruby.htm
[14] “This man is a Nazi in the worst order”, Nelson, LBJ : The Mastermind, p. 604-7.
[15] Nelson, LBJ : The Mastermind, p. 271-80.
[16] Talbot, Brothers, op. cit., p. 262-3.
[17] Deborah Davis, Katharine the Great, Harcourt Brace Jovanovich, 1979, p. 249.
[18] Arthur Schlesinger, Jr., A Thousand Days : John F. Kennedy in the White House, 1965, First Mariner Books, 2002, kindle empl. 1030.
[19] Alan Hart, Zionism, the Real Enemy of the Jews, vol. 2 : David Becomes Goliath, Clarity Press, 2009, p. 257.
[20] Douglass, JFK and the Unspeakable, p. 186, 196.
[21] Là encore, je dois avouer être moi-même tombé dans le panneau dans mon livre JFK-11 Septembre.
[22] « Harry Truman Writes : Limit CIA Role to Intelligence », cité dans Mark Lane, Last Word : My Indictment of the CIA in the Murder of JFK, Skyhorse Publishing, 2011, p. 246.
[23] Benjamin F. Onate, “What Did Truman Say About CIA ?” Studies in Intelligence Vol XVII/3, (Fall, 1973), p. 9-11.
[24] Douglass, JFK and the Unspeakable, op. cit., p. xxiii.
[25] William Kelly citant le rapport du HSCA, volume XI, p. 77-8, sur http://educationforum.ipbhost.com/index.php?showtopic=8515&page=2
[26] George de Mohrenschilldt, I am a Patsy ! sur http://jfkassassination.net/russ/jfkinfo4/jfk12/hscapatsy.htm
[27] Lire le rapport du Sheriff’s Office sur http://mcadams.posc.mu.edu/death2.txt
[28] Meir Doron, Confidential : The Life of Secret Agent Turned Hollywood Tycoon-Arnon Milchan, Gefen Books, 2011.
[29] Voir sur http://www.thedarklegacy.com/. Lire la critique par Seamus Coogan sur http://www.ctka.net/2010/hanky.html
[30] Là encore, le lecteur de mon livre constatera que j’ai changé d’interprétation, et considère qu’encore une fois j’étais tombé dans un panneau planté par l’opposition contrôlée.
Fonte: Egalité & Réconciliation








