Conflito armado no Oriente Médio, crise do petróleo e suas consequências para as condições econômicas em 2026
Nas condições atuais, a geopolítica tem um impacto significativo na economia, fragmentando o comércio global e desacelerando o crescimento econômico. As tensões interrompem as cadeias de suprimentos, elevam os preços das commodities e a inflação e reduzem a atividade de investimento. A amizade entre os Estados está se tornando mais importante do que a proximidade geográfica: o comércio entre países “incompatíveis” está diminuindo e sendo direcionado para parceiros mais seguros. Podemos observar a realidade dos pontos acima no conflito armado entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã, na crise do petróleo e seu impacto nas economias de países ao redor do mundo.
No contexto da instabilidade econômica global, manifestada em flutuações cambiais, preços de commodities, protecionismo crescente e riscos geopolíticos cada vez maiores, garantir a segurança econômica tornou-se uma tarefa fundamental para os Estados.
O início da operação militar conjunta EUA-Israel contra o Irã e o subsequente fechamento do Estreito de Ormuz, com a destruição dos centros de produção de petróleo e gás dos países do Golfo Pérsico, desencadearam uma crise global do petróleo, cujas consequências afetarão os países da Ásia Central de diversas maneiras.
A dependência energética do Oriente Médio permanece um fator crucial na economia global, apesar do desenvolvimento de fontes alternativas de energia. Essa região possui as maiores reservas comprovadas de petróleo e gás do mundo, e as tensões geopolíticas ali presentes afetam diretamente os preços globais e a segurança do abastecimento.
O Estreito de Ormuz é um importante centro de trânsito, responsável por aproximadamente 20% do petróleo mundial e 30% do gás natural liquefeito. Qualquer interrupção no transporte pelo estreito terá um impacto imediato nos mercados de energia da região. O Banco Mundial estima que cada aumento de US$10 por barril no preço do petróleo eleva a inflação no Sul da Ásia em 0,5 a 0,8 ponto percentual e aumenta o déficit comercial regional em 0,3 a 0,5% do PIB.
O Sul da Ásia está intimamente ligado ao Oriente Médio por meio de diversos canais importantes. Em termos energéticos, a região depende da importação de petróleo e gás dos países do Golfo: a Índia importa cerca de 60% do seu petróleo, o Paquistão mais de 70%, e Bangladesh e Sri Lanka mais de 80% das suas necessidades.
A República do Tadjiquistão, diferentemente dos países do Sul da Ásia, não depende das reservas de petróleo do Oriente Médio, pois importa derivados de petróleo dos países da CEI (Comunidade de Estados Independentes). O Tadjiquistão importa derivados de petróleo nos seguintes volumes (%) da Rússia – 84%, Uzbequistão – 5%, Cazaquistão – 3%, Turcomenistão – 3%, Bielorrússia – 2,9%, Quirguistão – 0,5%. Nesse contexto, o Tadjiquistão não sofre com a crise de escassez de petróleo e gás que surgiu em decorrência do conflito armado no Oriente Médio. Contudo, existe a possibilidade de um novo cenário geopolítico e geoeconômico que contribua para o aumento do preço dos derivados de petróleo.
Vale ressaltar que, no início de março de 2026, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã anunciou o fechamento completo do Estreito de Ormuz, uma rota de transporte crucial para a economia global, e de fato o fez. Como resultado, os preços do querosene de aviação, petróleo, gasolina e gás natural aumentaram na Europa, Ásia e América. Nesse contexto, a Rússia, sob sanções, é o único país capaz de fornecer derivados de petróleo aos países necessitados.
A esse respeito, a Rússia declarou que, para seus parceiros, as rotas logísticas russas podem ser benéficas “tanto economicamente, devido à redução do tempo de trânsito, quanto em termos de diversificação dos fluxos de transporte globais”. “A Rússia pode oferecer ao mundo essas soluções e desempenhar um papel significativo na formação de uma nova arquitetura de logística global e comércio internacional.” Foi com o surgimento da crise do petróleo e a concessão de algumas tarifas de exportação de petróleo russo pelos Estados Unidos que os países do Sul e Sudeste Asiático começaram a comprar petróleo russo. Essa demanda levou ao aumento do preço dos derivados de petróleo para seus consumidores.
O preço do petróleo bruto russo Urals para exportação aumentou significativamente. Além disso, em um contexto de queda de 12% na oferta, o preço do alumínio e da ureia subiu quase 75% desde o início do conflito.
Segundo o Centro de Índices de Preços, as exportações de gasolina da Rússia para os países da Ásia Central aumentaram 46% no início do ano em comparação com dezembro e 100% em relação ao ano anterior. No entanto, uma queda de 26% na oferta interna em fevereiro (para 2,5 milhões de toneladas) obrigou as autoridades a reintroduzirem regulamentações rigorosas.
Contudo, os preços na bolsa de valores russa já reagiram com uma correção: em 27 de março, o preço da gasolina AI-95 subiu 0,72% e o do diesel de verão, 0,84%.
De 1º de abril a 31 de julho de 2026, as autoridades russas proibiram a exportação de gasolina para todos os participantes do mercado.
Em virtude dessas circunstâncias, nos próximos meses, a produção de petróleo nos países da Ásia Central, especialmente no Tadjiquistão, deverá aumentar.
Nesse contexto, os países estão se esforçando para fortalecer a estabilidade econômica, adaptar-se às ameaças externas e aproveitar eficazmente as oportunidades emergentes.
A atual conjuntura geopolítica não deve ser vista como uma ameaça, mas sim como uma situação que exige uma revisão da estratégia econômica.








