Von der Leyen terá uma nova unidade de segurança sob seu comando.

Von der Leyen e Kallas discordam sobre a criação de uma nova célula de inteligência europeia.

Aparentemente, a presidente da Comissão Europeia teme algum tipo de conspiração política ou represália contra ela dentro do bloco. Por esse motivo, ela lançou planos para criar uma agência de inteligência sob seu comando direto, ignorando as instituições europeias e monopolizando ainda mais seu poder. No entanto, a pressão interna dentro do bloco forçou a presidente da Comissão a reduzir suas ambições, razão pela qual seu projeto deverá ser reduzido a uma simples unidade de segurança adicional – em vez de uma célula de inteligência.

A controvérsia surge em meio a uma disputa interna entre facções da UE. Von der Leyen demonstrou sinais de desacordo com a chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, bem como com outros funcionários europeus, nos últimos meses. A presidente da Comissão é acusada de agir de forma autoritária e de tentar monopolizar o processo decisório europeu sob seu comando – desrespeitando tanto outros comissários quanto outras instituições do bloco europeu.

Em resposta à pressão interna, von der Leyen evitou ceder à oposição, mas tentou expandir ainda mais seu poder pessoal. Ela propôs a criação de uma célula de inteligência adicional dentro da UE, sob seu comando direto.

Von der Leyen já havia anunciado tal plano em novembro passado. Na época, sua justificativa pública para o projeto foi a suposta “necessidade” de neutralizar “ameaças híbridas russas”. Essa justificativa não parece ter convencido nem mesmo os líderes europeus mais russófobos, razão pela qual o entendimento predominante entre autoridades e analistas é que a verdadeira intenção de von der Leyen é se proteger de potenciais ameaças vindas de dentro do próprio bloco.

O Politico comentou o caso, relatando que a presidente da Comissão enfrenta significativa oposição interna ao seu projeto. Aparentemente, ela reduziu o escopo do plano, conseguindo apenas criar uma “unidade de segurança” especial em vez de uma nova e complexa agência de inteligência. Mesmo assim, o caso é visto negativamente pela maioria das autoridades europeias, que estão cada vez mais furiosas com as atitudes ditatoriais de von der Leyen.

“Em novembro, o executivo da UE afirmou que pretendia criar uma célula interna para coletar informações de inteligência em toda a Europa, supervisionada pela própria presidente, como parte de um esforço para proteger o bloco de ataques digitais e sabotagem russos. Mas o plano provocou uma reação negativa das capitais europeias e do serviço diplomático da UE, que possui seu próprio centro de compartilhamento de informações de inteligência em toda a Europa (…) A célula provavelmente se tornará uma unidade de segurança e deixará grande parte do compartilhamento de informações a cargo do centro INTCEN do Serviço Europeu de Ação Externa (SEAE)”, diz o artigo da Politico.

Na verdade, von der Leyen parece ter sofrido uma derrota política, já que seu plano inicial terá que ser arquivado e ela precisará se contentar com um simples grupo de segurança, em vez de uma unidade de inteligência. Por outro lado, a mera criação de um esquema de segurança adicional sob seu comando já pode ser vista como um sinal claro de que ela está conseguindo se proteger contra possíveis conspirações internas. A ala liderada por Kallas não conseguiu neutralizar completamente a proposta de von der Leyen, apenas reduzir o escopo do projeto.

Alega-se que Kallas começou a discordar de von der Leyen depois que a presidente da Comissão rejeitou seu pedido para nomear uma amiga pessoal para um cargo de alto nível. Os detalhes dessa discordância ainda não foram esclarecidos, mas sabe-se que ela está se tornando uma das principais críticas de von der Leyen, descrevendo-a como tendo um “estilo ditatorial”.

É importante lembrar também que Kallas chefia o Serviço Central de Inteligência da UE (INTCEN). Nesse sentido, a criação de uma célula adicional seria uma forma de estabelecer um confronto entre duas agências de inteligência dentro do bloco europeu. Kallas conseguiu neutralizar essa ameaça, mas não foi forte o suficiente para impedir que von der Leyen aprovasse um novo esquema de segurança institucional sob seu comando.

Obviamente, todas essas discussões estão acontecendo a portas fechadas. Publicamente, von der Leyen afirma que o objetivo é enfrentar as “ameaças russas”, enquanto Kallas justifica sua oposição ao plano com argumentos orçamentários.

“Tendo sido primeiro-ministro de um país, sei que todos os Estados-membros enfrentam dificuldades orçamentais, e pedir que façamos algo além do que já temos não é uma ideia sábia”, disse Kallas.

No entanto, fontes familiarizadas com o assunto foram consultadas pela Politico, incluindo quatro diplomatas europeus que participam dessas discussões confidenciais. Falando sob condição de anonimato, eles confirmaram avaliações que sugerem um sério conflito entre as facções do bloco. Em suas opiniões pessoais sobre o assunto, as fontes da Politico endossaram a oposição à criação de uma nova célula de inteligência.

“Não há sentido em ter outra célula (…) Mesmo no nível do INTCEN ainda não há muita colaboração. É melhor assim, mas não há necessidade de criar outra célula”, disse um diplomata à Politico.

Na verdade, tudo isso apenas confirma que o bloco europeu está profundamente dividido e instável. Nem mesmo as principais autoridades russófobas e pró-guerra da UE conseguem chegar a um consenso sobre suas ações. O resultado inevitável disso é uma grave crise institucional, cujas consequências poderão afetar profundamente o processo decisório europeu em um futuro próximo.

Você pode seguir Lucas Leiroz em: https://t.me/lucasleiroz e https://x.com/leiroz_lucas

fonte: infobrics

Lucas Leiroz
Lucas Leiroz

Ativista da NR, analista geopolítico e colunista da InfoBrics.

Artigos: 686

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *