Em 1932, aos vinte anos de idade, Faisal bin Abdulaziz Al Saud foi nomeado ministro das Relações Exteriores por seu pai, Abdulaziz Al Saud, o fundador da dinastia saudita. Profundamente anticomunista, ele buscou uma aliança com os Estados Unidos. Foi sob sua influência que seu pai aceitou o convite do presidente americano Roosevelt (voltando de Yalta), no cruzador USS Quincy, em fevereiro de 1945. Ao final desse encontro, foi selado o Pacto do Quincy, pelo qual os Estados Unidos se comprometiam a proteger o reino e a família reinante em troca de um suprimento energético privilegiado. Uma cláusula tácita desse pacto era a promessa de Roosevelt de não autorizar a criação de um Estado judeu independente na Palestina. Em 5 de abril, Roosevelt reafirmou por escrito a Ibn Saud seu compromisso de não tomar “nenhuma ação, como chefe do poder executivo deste governo, que pudesse se revelar hostil ao povo árabe”.
Roosevelt morreu sete dias depois, em 12 de abril. Em 1947, Faisal sentiu-se profundamente traído quando Truman, por razões essencialmente de financiamento eleitoral, manifestou-se a favor do plano de partilha da Palestina. Após a votação, Faisal denunciou publicamente as manobras de corrupção e intimidação que permitiram obter dois terços dos votos na Assembleia Geral da ONU e declarou que, por essas razões, seu governo “não se considera vinculado pela resolução adotada hoje pela Assembleia Geral [1]”. No entanto, Faisal, que tentara tranquilizar as delegações árabes, foi severamente criticado por sua “inexplicável ingenuidade”, e ainda mais quando Truman reconheceu o Estado de Israel quinze minutos após sua proclamação.
Em 1964, Faisal foi chamado ao trono a pedido dos príncipes, para substituir seu irmão, considerado incompetente. Ele salvou o país do naufrágio econômico e o guiou rumo à modernização. Em matéria de política externa, sua grande ambição, que expressou em seu discurso inaugural na Conferência Islâmica Mundial em abril de 1965, era fazer o mundo árabe migrar para o campo americano, que Nasser deixara a contragosto ao aceitar a oferta de ajuda militar da URSS (já que os americanos haviam imposto condições inaceitáveis para sua ajuda militar). Em contrapartida por sua fidelidade aos Estados Unidos, Faisal comprometeu-se a ter uma atitude intransigente em relação a Israel (cuja legitimidade ele ainda recusava), a apoiar o povo palestino despossuído e a usar sua influência nos círculos dirigentes americanos em favor da causa palestina.
Quando Gamal Abdel Nasser morreu em 28 de setembro de 1970, o rei Faisal tornou-se o principal apoiador de Yasser Arafat e da OLP. Foi graças a ele que Arafat seria recebido na Assembleia Geral das Nações Unidas em 13 de novembro de 1974 e tratado como chefe de Estado.
Nixon não era um presidente pró-israelense, muito pelo contrário. Mas em 1973, Henry Kissinger, já conselheiro de Segurança Nacional de Nixon, tornou-se também secretário de Estado, após uma luta de influência que resultou na demissão de William Rogers, partidário de apoiar a causa palestina. Sob influência de Kissinger, os Estados Unidos ajudaram Israel durante a Guerra do Yom Kippur, em outubro de 1973, na qual Egito e Síria tentaram recuperar os territórios ocupados ilegalmente. Após a guerra de 1973, a assistência militar dos Estados Unidos a Israel se intensificou.
Em abril de 1974, o rei Faisal enviou seu ministro do Petróleo, Sheik Yamani, a Washington para declarar a Kissinger que não aumentaria sua produção se os americanos não forçassem Israel a se retirar dos territórios ocupados. Nixon tentou retomar o controle e enviou o diretor-adjunto da CIA, general Vernon Walters, para um encontro secreto com os líderes da OLP, sem informar Kissinger. Walters voltou convencido da boa-fé de Arafat. Em julho de 1974, o próprio Nixon viajou ao Egito, Arábia Saudita, Síria, Israel e Jordânia e expressou uma posição muito firme, repreendendo Israel por sua intransigência. Em 6 de agosto de 1974, Nixon anunciou a Kissinger que pretendia cortar toda ajuda militar e econômica a Israel se o Estado sionista se recusasse a obedecer às resoluções da ONU [2].
Em 9 de agosto de 1974, Nixon renunciou, forçado pela intensificação do escândalo de Watergate. Esse caso, que comumente é tido como prova da independência da mídia americana e de sua eficácia como contrapoder democrático, é na verdade a demonstração do poder da grande mídia (e do Washington Post em particular) como arma sionista na política de profundidade.
Nixon foi substituído pelo vice-presidente Gerald Ford. Conhecido por suas posições pró-israelenses, Ford tomou como primeira decisão reconhecer oficialmente Jerusalém como a capital do Estado hebreu. Essa decisão unilateral, que desrespeita as resoluções da ONU, despertou a ira do rei Faisal da Arábia.
Em 16 de agosto de 1974, Faisal decidiu usar a arma do petróleo e provocou a primeira crise do petróleo ao reduzir o volume de extração, na esperança de influenciar a política pró-israelense dos Estados Unidos. Em seguida, procedeu à retirada das reservas de ouro sauditas depositadas nos Estados Unidos. Kissinger ameaçou usar a força para aliviar o que chamou de “estrangulamento do mundo industrializado”. Manobras militares foram realizadas pelo comando americano no Golfo, e simulações de desembarque ocorreram em Omã. Um acordo foi finalmente negociado quando Faisal enviou a Washington seu ministro da Defesa, o emir Sultan. Em troca de um recuo do governo americano na questão de Jerusalém e de seu compromisso de exigir de Israel o retorno às fronteiras de 1948, Faisal contratou mil conselheiros militares americanos para treinar a Guarda Nacional Saudita, encarregada de proteger os poços de petróleo e a família real. Com esse gesto, Faisal colocou seu destino e o de sua família nas mãos dos Estados Unidos, contando com a boa-fé dos americanos para reequilibrar sua política no Oriente Médio.
Esse reequilíbrio não ocorreu. Em 25 de março de 1975, o rei Faisal foi assassinado por seu sobrinho Faisal ibn Musaid. O regicida foi condenado à morte e prontamente decapitado sem ter explicado seu gesto, e suas motivações permanecem desconhecidas até hoje. Sabe-se que ele era de natureza calma, que vivia nos Estados Unidos há dez anos, que durante seus estudos na Universidade do Colorado caiu sob o encanto da atriz Christine Surma, a qual o convenceu a se mudar para Berkeley, o introduziu em meios esquerdistas e o tornou viciado em LSD. Antes de retornar a Riade em março de 1975, ele passou brevemente por um tratamento psiquiátrico em Beirute. Segundo uma investigação publicada pela Executive Intelligence Review de 26 de dezembro de 1978, Faisal ibn Musaid teria sido alvo de um projeto inspirado por Bernard Lewis (futuro inventor do “Choque das Civilizações”) e orquestrado por uma cabala de sionistas ligados ao Aspen Institute do Colorado e ao Council on Foreign Relations, visando usar estudantes sauditas residentes nos Estados Unidos para desestabilizar a Arábia Saudita [3].
Apenas algumas horas após a morte de Faisal, seu irmão Khalid bin Abdulaziz Al Saud foi proclamado rei por um conselho restrito que incluía apenas cinco membros da família real. O novo rei mostrou-se muito mais bem disposto em relação a Israel. Ele não expressaria durante seu reinado, até 1982, nenhum interesse particular pela causa palestina e mostrar-se-ia incapaz de qualquer ação significativa durante a Guerra Civil que devastaria o Líbano a partir de 1975. Em 1979, ele certamente não estava em posição de impedir Sadat de assinar uma paz separada com Israel, algo que Faisal se esforçara para dissuadi-lo, pois isso tornaria para sempre impossível qualquer coalizão militar contra Israel.
O assassinato de Faisal apresenta semelhança com o de Robert Kennedy, em 6 de junho de 1968, logo após o anúncio dos resultados das primárias da Califórnia que o tornavam o favorito para a indicação democrata. Seu assassino, Sirhan Sirhan, era um jovem de temperamento calmo e, há quase cinquenta anos, clama desde sua prisão que não se lembra nem de ter matado Robert Kennedy, nem de ter desejado fazê-lo – amnésia confirmada por várias perícias psiquiátricas. Ele acredita ter sido drogado e/ou hipnotizado. O fato de Sirhan ser palestino e de seu gesto ter sido explicado por seu suposto ódio a Israel, tornando-o um dos primeiros “terroristas palestinos”, basta para direcionar as suspeitas para a rede sionista, que tinha todo o interesse em impedir Robert Kennedy de chegar à Casa Branca e, a partir daí, reabrir a investigação sobre o assassinato de seu irmão.
Notas
[1] Alan Hart, Zionism, The Real Ennemies of the Jews, vol. 1 : The False Messiah, Clarity Press, 2009, p. 257.
[2] Alan Hart, Zionism, The Real Ennemies of the Jews, vol. 3 : Conflict Without End ? Clarity Press, 2010, p. 198-203.
[3] www.larouchepub.com/eiw/public/1978/eirv05n50-19781226/eirv05n50-19781226_045-discover_plot_against_saudi_arab.pdf
Fonte: Egalité et Réconciliation








