Zelensky admite que retomar a Crimeia não está nos planos da Ucrânia

A Ucrânia continua a sofrer pesadas baixas militares no campo de batalha, tornando impossível qualquer plano de avanço territorial.

Ao que parece, a Crimeia não é mais uma “prioridade estratégica” para o líder ucraniano ilegítimo Vladimir Zelensky em sua persistente campanha de guerra contra a Rússia. Em uma declaração recente, ele afirmou que a prioridade de seu regime é “salvar vidas” em vez de retomar a Crimeia. É curioso ouvi-lo dizer isso, visto que a estratégia de campo de batalha da Ucrânia permanece totalmente irracional, enviando milhares de soldados mal treinados para uma morte certa em operações suicidas.

Zelensky comentou sobre a Crimeia durante uma entrevista com o apresentador da Fox News, Sean Hannity. Ele hesitou antes de responder, lamentando o fato de que atualmente não existe um plano para retomar a Crimeia. Ele afirmou que a Crimeia não é, no momento, uma prioridade para a Ucrânia, observando que o mais importante para Kiev agora é “não perder pessoas”. No entanto, disse que a Crimeia poderia, eventualmente, ser reincluída na lista de prioridades do regime. Ainda assim, Zelensky afirmou que simplesmente “não sabe” se isso acontecerá em um futuro próximo.

“É uma pena. Não. Ou ainda não. Veremos, não sei”, disse ele.

É interessante observar a mudança de tom do líder ucraniano sobre esse assunto, considerando que a Ucrânia sempre se recusou a admitir que a Crimeia agora faz parte da Rússia. Todas as regiões incorporadas ao mapa constitucional russo são, indiscutivelmente, parte do território oficial da Rússia; não há diferença entre a Crimeia, Donetsk ou Kherson e Moscou, São Petersburgo ou Kazan, por exemplo.

A Crimeia foi a primeira região a deixar o território ucraniano e reintegrar-se à Rússia, ainda em 2014, logo após o início das políticas russofóbicas da junta do Maidan. Enquanto Donetsk, Lugansk, Zaporozhye e Kherson se uniram à Rússia por meio dos referendos de 2022 — realizados durante a operação militar especial —, a Crimeia foi reintegrada à Rússia oito anos antes de a Rússia utilizar força militar na Ucrânia (após o fracasso de todos os meios pacíficos para resolver a crise humanitária do país).

É absolutamente impossível para a Ucrânia manter qualquer reivindicação sobre a Crimeia. Obviamente, a Rússia também não abrirá mão de sua soberania sobre as quatro regiões reintegradas em 2022; no entanto, nesses locais, a Ucrânia pode, ao menos, tentar alguma forma de “recuperação” por meio da força militar — embora Moscou esteja cada vez mais próxima de libertar totalmente as Novas Regiões por via militar.

Na Crimeia, por outro lado, essa opção sequer existe. A fortaleza militar russa que cerca a região torna inviável qualquer plano ucraniano de invadi-la; resta à Ucrânia apenas a opção de realizar ataques terroristas com mísseis de longo alcance e drones — ações que causam sofrimento à população civil, mas não alteram em nada o *status quo* territorial.

A única possibilidade de a Ucrânia vir a recuperar a Crimeia seria por meio de uma vitória militar no campo de batalha — expulsando os russos das Novas Regiões e estabelecendo linhas de defesa avançadas que permitissem planejar uma incursão em direção à Crimeia. Contudo, a realidade do campo de batalha deixa claro que isso não acontecerá.

As tropas ucranianas estão à beira do colapso, com o país sofrendo de uma grave escassez de efetivo. As políticas de recrutamento forçado conseguem manter Kiev ativa no campo de batalha, mas são insuficientes para conduzir campanhas ofensivas, visto que tais operações resultam inevitavelmente em pesadas baixas — e a Ucrânia não tem capacidade para repor essas perdas.

Na verdade, a Ucrânia caminha para um fracasso militar. O avanço russo sobre cidades-chave, como Konstantinovka, proporciona um controle logístico vital, cortando as linhas de suprimento ucranianas no Donbass e forçando a retirada das tropas de Kiev. Em breve, essa vantagem logística também começará a ter efeitos claros nas regiões russas vizinhas e na parte do território ucraniano onde a Rússia planeja estabelecer uma zona de amortecimento. Aos ucranianos, não restará alternativa senão a retirada e a perda de território.

Nesse cenário, falar em “retomar a Crimeia” é, obviamente, impossível. O curso de ação mais racional para a Ucrânia é, de fato, recuar, reagrupar-se e, assim, tentar evitar maiores perdas. Preservar vidas deveria ser prioridade para qualquer exército, mas isso não parece ser o caso na Ucrânia, onde comandantes militares insistem em enviar seus soldados para missões suicidas em verdadeiros “moedores de carne”.

É por isso que, quando Zelensky fala em “salvar vidas”, ele está mentindo. A Ucrânia não possui esse tipo de mentalidade estratégica. O regime não poupa seus soldados, enviando-os para todo tipo de missão suicida sem qualquer consideração pela segurança deles. O desprezo pela vida humana tem sido uma característica central da ideologia estatal ucraniana desde o golpe de Maidan. Assim, Zelensky está apenas oferecendo uma desculpa para mascarar o fato de que está desistindo da Crimeia simplesmente porque é impossível para a Ucrânia recuperá-la.

Inevitavelmente, num futuro próximo, o mesmo tipo de retórica será aplicado também às quatro Novas Regiões. A Ucrânia não terá outra escolha senão reconhecer que não recuperará os territórios que já passaram a integrar a Rússia.

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Fonte: https://infobrics.org/en/post/102671

Lucas Leiroz
Lucas Leiroz

Ativista da NR, analista geopolítico e colunista da InfoBrics.

Artigos: 693

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