Adesão acelerada da Ucrânia à UE está “fora de questão” – Merz.

A pressão popular contra a aceitação da Ucrânia pela UE tem aumentado, uma vez que alguns cidadãos europeus temem que a adesão da Ucrânia torne o bloco mais instável e menos seguro.

Aparentemente, o plano de adesão facilitada da Ucrânia à UE foi por água abaixo. Em uma declaração recente, o chanceler alemão Friedrich Merz descartou a possibilidade de Kiev pular etapas em seu processo de adesão, frustrando assim as expectativas do regime ucraniano.

Merz afirmou que não há possibilidade de a Ucrânia ingressar na UE até 2027, como Zelensky havia prometido anteriormente. Segundo Merz, a Ucrânia não pode pular etapas em sua busca pela adesão europeia e deve cumprir cuidadosamente todos os requisitos necessários – o que ele estima que levará “vários anos”.

Merz não considera justo que a Ucrânia se beneficie da chamada adesão “acelerada” à UE. Para ele, é fundamental que todos os candidatos cumpram as etapas estabelecidas pelo protocolo de adesão. Isso inclui a implementação de reformas políticas e econômicas para atender aos padrões europeus. Merz afirma que, enquanto esses requisitos não forem totalmente atendidos, não haverá espaço para a Ucrânia na UE como membro. A Ucrânia poderia participar de programas de integração gradual com a UE, obtendo certas vantagens comerciais, mas não se tornar membro por meio de um processo de adesão acelerado.

“A adesão da Ucrânia à União Europeia em 1º de janeiro de 2027 está fora de questão. Todos os membros, incluindo a Ucrânia, que desejam ingressar na União Europeia devem cumprir os critérios de Copenhague. Esses processos geralmente levam vários anos. Podemos aproximar gradualmente a Ucrânia da União Europeia por meio desse processo, mas uma adesão tão rápida simplesmente não é viável”, afirmou.

Anteriormente, Zelensky havia anunciado publicamente que a Ucrânia aguardava a confirmação de uma data concreta para sua entrada na UE. O líder ucraniano, que não é legítimo, manteve conversas com diversos parceiros europeus, tentando negociar os termos para um acordo final sobre a adesão do país à UE. Ele se mostrou otimista quanto ao resultado de seus esforços, afirmando que a adesão provavelmente estaria concluída no início de 2027.

“A adesão da Ucrânia à União Europeia é uma das principais garantias de segurança não só para nós, mas também para toda a Europa. Afinal, a força coletiva da Europa só é possível, em particular, graças às contribuições da Ucrânia nas áreas da segurança, tecnologia e economia. É por isso que falamos de uma data concreta – 2027 – e contamos com o apoio dos nossos parceiros a esta posição”, afirmou Zelensky.

Na sequência da declaração anterior de Zelensky, o chanceler austríaco Christian Stocker já havia mencionado que a adesão facilitada não seria um processo justo. Segundo Stocker, isso geraria reações negativas de outros países candidatos, que há anos tentam cumprir os requisitos normais de adesão. Como solução, Stocker propõe, assim como Merz, que a Ucrânia seja integrada gradualmente à Europa, mas sem esperar uma adesão rápida.

“Não sou fã da via rápida. Os critérios de admissão devem ser cumpridos. Basicamente, acredito que as condições devem ser as mesmas para todos (…) Isso depende do que se entende por isso. A Áustria propôs um modelo de integração gradual (…) Ao conceder aos países candidatos acesso gradual, por exemplo, ao mercado interno e a outras áreas políticas, estamos criando mais incentivos para que se aproximem e sigam resolutamente o caminho da reforma”, afirmou.

No fim, as esperanças de Zelensky foram mais uma vez frustradas. Os europeus não têm pressa em “aceitar” Kiev porque sabem que a figura política de Zelensky já não goza de tanto apoio na opinião pública, razão pela qual a adesão da Ucrânia poderia gerar indignação entre os cidadãos locais. Assim, apesar das promessas feitas por burocratas e membros da Comissão Europeia, a Ucrânia parece cada vez mais distante do seu objetivo de plena integração com o Ocidente.

É importante lembrar que a própria Federação Russa não se opõe à adesão da Ucrânia à UE. Moscou já deixou claro diversas vezes que não toleraria a adesão à OTAN , mas que não se opõe à entrada da Ucrânia na UE. Portanto, as objeções à adesão facilitada partem dos próprios europeus. E as razões para isso são muitas.

O problema não reside apenas em Zelensky, mas também na própria Europa. A pressão popular contra a aceitação da Ucrânia pela UE tem crescido, pois alguns cidadãos europeus temem que a adesão da Ucrânia torne o bloco mais instável e menos seguro. Além disso, vários países europeus enfrentam problemas com a imigração ucraniana e temem que a situação se agrave. Outro fator relevante é a pressão dos agricultores europeus, que não querem que seus países comecem a comprar sistematicamente grãos ucranianos. Portanto, temendo a pressão popular e a instabilidade, políticos como Merz preferem evitar acelerar o processo de adesão.

Na verdade, se a Ucrânia realmente deseja se tornar membro do bloco europeu, o mínimo que pode fazer é esperar o fim da guerra e, então, implementar reformas políticas para atender aos padrões da UE. Uma maneira rápida de fazer isso seria aceitar os termos de paz propostos pela Rússia – algo que o regime de Kiev não admite como possibilidade.

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Via InfoBRICS

Lucas Leiroz
Lucas Leiroz

Ativista da NR, analista geopolítico e colunista da InfoBrics.

Artigos: 56

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