Duas questões técnicas
Como lembrei na introdução, existe um conjunto de indícios que leva a presumir que Israel é culpado pela operação de 11 de Setembro. No entanto, há também uma objeção técnica importante a essa conclusão: mesmo admitindo que Israel esteja infiltrado em todos os mecanismos da administração estadunidense, inclusive no Pentágono, é difícil imaginar que uma rede sionista tenha disposto dos meios técnicos para realizar a operação. Deixemos de lado o Pentágono, já que essa parte da operação poderia corresponder à participação estadunidense. Ignoremos também a queda em Shanksville, que é quase um não-evento. Resta o World Trade Center. Essa parte da operação envolve, por um lado, dois aviões, civis ou militares, provavelmente pilotados remotamente; e, por outro lado, a demolição controlada das duas Torres Gêmeas, que supõe uma preparação longa e complexa, por uma equipe numerosa de pessoal especializado, e o uso de uma quantidade enorme de materiais explosivos. Nesta terceira parte, responderemos a essas objeções, abordando sucessivamente a questão da demolição controlada e a dos aviões. Poderíamos ter começado por aí, mas as questões técnicas que abordaremos nos darão a oportunidade de verificar a validade do paradigma da dupla falsa bandeira.
Demolição com nano-termite ou explosão nuclear?
Examinemos primeiro o Edifício 7 do World Trade Center, um arranha-céu de 47 andares vizinho às Torres Gêmeas, que desabou às 17h20. Sua queda, filmada sob vários ângulos, ocorreu à velocidade de queda livre, em sete segundos, de maneira perfeitamente simétrica e vertical, que se assemelha em todos os aspectos a uma “demolição controlada”. A mídia permaneceu tão discreta sobre esse terceiro arranha-céu que poucas pessoas ouviram falar de seu colapso. A FEMA o menciona em seu relatório de 2002, para concluir que um incêndio que ali ocorreu deve ter provocado o desabamento, mas que “Os detalhes dos incêndios no Edifício 7 e como eles provocaram o desabamento da estrutura permanecem desconhecidos até hoje. […] a melhor hipótese tem baixa probabilidade de ocorrer [1]”; uma formulação estranha que soa como a admissão embaraçada de uma mentira.
A questão dos verdadeiros culpados pelos atentados de 11 de Setembro está intimamente ligada à questão técnica do método usado para destruir as Torres Gêmeas. É a arma do crime que leva ao criminoso. Ora, o desabamento do Edifício 7 é uma demolição controlada clássica. Tal operação requer semanas ou meses de preparação. Supõe, no caso de um arranha-céu com estrutura de aço desse porte, dezenas de milhares de toneladas de produto explosivo colocados nas vigas de aço. Quem pôde preparar o dinamitamento do Edifício 7? Certamente não uma equipe de agentes secretos do Mossad.
A confirmação do uso de explosivos no World Trade Center veio em fevereiro de 2009, quando uma equipe internacional de nove químicos liderada pelos professores Niels Harrit da Universidade de Copenhague e Steven Earl Jones da Universidade Brigham Young (Utah) publicou, após examinar amostras de poeira do WTC, um artigo na revista científica Open Chemical Physics Journal sob o título “Active Thermitic Material Discovered in Dust from the 9-11 World Trade Center Catastrophe”. A nano-termite (ou super-termite) cujo traço descobriram na poeira do WTC é um material energético de altíssima temperatura usado para cortar vigas de aço em operações de demolição controlada de estruturas de aço.
A partir desses dois elementos – as imagens do desabamento do Edifício 7 e a descoberta de nano-termite no local do WTC – o movimento 9/11 Truth como um todo conclui que as Torres Gêmeas foram destruídas por nano-termite, segundo uma técnica de demolição controlada. Esse é um raciocínio falho. O que é silenciado é a diferença radical entre o desabamento do Edifício 7 e o das Torres Gêmeas. Basta olhar as imagens para constatar que as técnicas diferem totalmente. Foi o que observou o especialista dinamarquês em demolição Danny Jowenko, quando lhe mostraram as imagens sem ele saber que haviam sido filmadas em Nova York em 11 de Setembro de 2001: “Isso é uma demolição controlada. […] É um trabalho profissional, por uma equipe de especialistas.” Mas ele imediatamente observa que a queda do Edifício 7 é totalmente diferente da das Torres Gêmeas [2]. Essa distinção é curiosamente ocultada na maioria dos sites do tipo Reopen911. No entanto, é crucial.
Alguns cientistas ativos na busca da verdade afirmam que a nano-termite explica perfeitamente a destruição do Edifício 7, mas possui um poder explosivo muito fraco para explicar a potência das explosões observadas nas Torres Gêmeas e a pulverização em pó fino de praticamente todo o seu concreto. A nano-termite não é propriamente um explosivo, mas um material energético; ela difunde um calor intenso, mas não a pressão necessária para uma verdadeira explosão. A pilha de escombros que resta na base das torres não se parece em nada com o que se observa após uma demolição controlada. A nano-termite não explica as temperaturas que atingiram 800°C nos escombros do WTC até seis meses após 11 de Setembro. Os fluxos piroclásticos de poeira que se precipitaram em alta velocidade nas ruas após o desabamento, e que lembram imagens de vulcão, indicam uma mistura de alta temperatura de gases ardentes e partículas sólidas relativamente densas, um fenômeno impossível por simples colapso [3]. A nano-termite explica ainda menos as crateras profundas encontradas sob as Torres Gêmeas, bem como no Edifício 6, uma construção de 8 andares vizinha da Torre Norte, que apresenta dois buracos inexplicáveis que se estendem por toda a sua altura.
Uma demolição “controlada”?
Por essas e outras razões, vários cientistas rejeitam a tese da nano-termite e se voltam para a hipótese do uso de minibombas de nêutrons (mini-nukes) colocadas perto das colunas centrais dos edifícios [4]. A tese é coerente com a alta porcentagem de resíduos de reações de fusão/fissão medidos nos escombros (bário, estrôncio, tório, urânio, lítio, lantânio, ítrio, cromo, trítio), e com a alta taxa de cânceres raros (tireoide, leucemia, mieloma múltiplo) entre as pessoas que trabalharam nos escombros, cânceres típicos de exposição à radiação.
É evidente que o uso de minibombas nucleares tende a reforçar a pista israelense; ao contrário dos Estados Unidos, Israel nunca assinou o Tratado de Não Proliferação, e seu arsenal nuclear não está sujeito a qualquer controle. Além disso, não é o único caso em que Israel é suspeito de ter usado esse tipo de bomba em uma operação sob falsa bandeira. Em 12 de outubro de 2003 em Bali (Indonésia), um engenho explosivo colocado em uma tubulação subterrânea destruiu uma boate frequentada por australianos, fazendo 187 mortos e mais de 300 feridos. O atentado, atribuído a islamistas, interrompeu bruscamente na Austrália um poderoso movimento de protesto contra a guerra no Iraque. Segundo o investigador australiano Joe Vialls, a força da deflagração, que danificou e incendiou 27 edifícios ao redor, indica um engenho nuclear, assim como o fato de que 30 pessoas foram totalmente vaporizadas pela explosão, e que centenas de outras ao redor receberam queimaduras que os médicos australianos declararam nunca ter visto. Vialls conclui pelo uso de uma bomba de fissão de plutônio, que deixa atrás de si apenas radiações alfa indetectáveis por contadores Geiger, e acusa o Estado de Israel [5].
No caso do WTC, um punhado de indivíduos, em apenas dois ou três dias, pôde facilmente esconder minibombas nucleares, a cada cinco ou dez andares perto das colunas centrais, e as mesmas pessoas puderam desencadear a sequência de explosões. Scott Forbes, um administrador da Fiduciary Trust cujos escritórios ficavam na Torre Sul, relatou que no fim de semana anterior aos atentados, houve uma queda de energia por 36 horas do 48º ao último andar, oficialmente para substituição da fiação da torre. A empresa foi notificada com três semanas de antecedência sobre essa queda. Nada disso jamais fora necessário desde a construção das torres.
“Sem eletricidade, não havia câmeras de segurança, não havia travas de segurança nas portas, e muitos, muitos ‘engenheiros’ indo e vindo na torre [6].”
Um fim de semana pode ter sido suficiente para colocar algumas centenas de bombas nucleares não maiores que uma maçã. Em contrapartida, a demolição das mesmas Torres Gêmeas com nano-termite teria exigido centenas de pessoas trabalhando durante meses, causando danos em todos os andares para fixar os explosivos nas colunas centrais. O professor Neils Harrit estimou a quantidade necessária de nano-termite entre 29.000 e 144.000 toneladas. A estimativa mínima exigiria mais de mil caminhões, cujo simples descarregamento mobilizaria uma equipe em tempo integral por mais de um mês. A discrição, nessas condições, é pura e simplesmente inconcebível.
No entanto, a teoria da “demolição controlada” das Torres Gêmeas por nano-termite continua sendo promovida pelas personalidades e associações mais proeminentes no “movimento pela verdade sobre o 11 de Setembro”. O Edifício 7 é sistematicamente invocado como prova de demolição controlada das Torres Gêmeas, sem que jamais se destaque a diferença entre o desabamento do Edifício 7 pela base e a explosão das Torres Gêmeas pelo topo. Isso levanta questões incômodas. Jim Fetzer, fundador da associação de cientistas Scholars for 9/11 Truth, tem sido alvo de tentativas de marginalização dentro do movimento desde que se manifestou a favor da hipótese das minibombas nucleares e daí deduziu a provável culpabilidade de Israel [7]. Ao contrário, Steven Jones, cofundador da mesma associação, colhe um eco muito mais amplo desde que se separou de Fetzer para fundar a associação concorrente Scholars for 9/11 Truth and Justice, que defende exclusivamente a tese da nano-termite.
O desabamento do Edifício 7 constitui sim a prova irrefutável de que há uma parcela de inside job, pois a demolição controlada é manifesta e não pode ser obra da Al-Qaeda. Mas o que é menos frequentemente destacado é que esse evento também constitui um enigma, pois é difícil explicar o motivo de seu dinamitamento. Se a destruição das Torres Gêmeas foi feita para chocar a opinião pública e prepará-la para a guerra contra o terrorismo, qual era o interesse de dinamitar o Edifício 7, que nenhum avião atingiu, para depois silenciar sobre esse desabamento suspeito? Alguns investigadores suspeitam que o Edifício 7 precisava desaparecer porque serviu de quartel-general aos conspiradores. Ele abrigava, de fato, o Emergency Command Center do prefeito de Nova York Rudolph Giuliani, bem como anexos do Departamento de Defesa, da CIA e do Serviço Secreto. Mas fazer desaparecer os vestígios da conspiração de maneira tão ostensiva parece no mínimo contraditório. O Edifício 7 também abrigava o Internal Revenue Service e a Security and Exchange Commission, que detinha todos os dossiês da investigação sobre a ENRON. Ora, antes que seus dirigentes fossem indiciados por fraude massiva, a ENRON fora a maior doadora da campanha de Bush Junior. A destruição do Edifício 7 seria, como a explosão no Pentágono, destinada acessoriamente a destruir as provas de uma corrupção gigantesca na qual os Bush estavam envolvidos?
E o que dizer do timing da destruição do Edifício 7, cerca de sete horas após as Torres Gêmeas? A demolição estava programada para a manhã, de modo a ser tornada invisível pela nuvem de poeira liberada pouco antes pelas Torres Gêmeas, mas foi atrasada por um problema técnico? Essa hipótese é coerente com os depoimentos de dois funcionários da cidade de Nova York, Michael Hess e Barry Jennings, que estavam no Edifício 7 por volta das 9h15 e lá sentiram séries de explosões [8]. A hipótese também é coerente com o fato de as televisões terem relatado o desabamento do Edifício 7 muito antes de ele ocorrer. Alan Dodds, correspondente da CNN no local, relatou por telefone às 11h07 que um bombeiro acabara de lhe dizer que um terceiro edifício de cinquenta andares havia desabado; o Edifício 7 só desabaria 6 horas depois. Às 16h54, Jane Standley, correspondente da BBC World em Nova York, anuncia que o Edifício 7 desabou, enquanto o vemos de pé atrás dela [9]. Richard Porter, diretor de informações da BBC World, explicará esse “erro” como “the chaos and confusion of the day [10]” (o caos e a confusão do dia).
Por fim, há o famoso depoimento atrapalhado de Larry Silverstein [locatário dos escritórios nas Torres Gêmeas]. Entrevistado para o documentário da PBS America Rebuilds em setembro de 2002, Silverstein declarou sobre o Edifício 7:
“Lembro-me de receber uma ligação do chefe do corpo de bombeiros, dizendo que não tinham certeza se conseguiriam controlar o fogo, e eu disse: ‘Já perdemos tantas vidas, talvez a melhor coisa a fazer seja derrubá-lo [pull it].’ E eles tomaram a decisão de derrubá-lo [pull] e nós vimos o edifício desabar [11].”
Tudo isso soma muitas anomalias. No âmbito do nosso paradigma da “falsa bandeira reversível”, surge a suspeita de que essas anomalias são “deslizes controlados”. A demolição do Edifício 7 aparece ela mesma como uma anomalia no cenário, algo a mais, um elemento estranho à operação sob falsa bandeira. Ela foi mantida relativamente afastada da grande mídia, porque não era destinada ao grande público, ao contrário do desabamento das Torres Gêmeas. Ou seja, ela não faz parte da bandeira Al-Qaeda, mas da sub-bandeira Inside Job. Ela é o equivalente a uma arma fumegante deixada na cena do crime pelo criminoso, com as impressões digitais de um falso culpado, ou antes de um cúmplice que agora deve encarregar-se de fazê-la desaparecer. Desse ponto de vista, a demolição do Edifício 7 tem duas funções: por um lado, serve de isca para o movimento contestatório, ou melhor, de argumento para a oposição controlada para pretender, por um atalho falacioso, que as Torres Gêmeas também foram destruídas por demolição controlada. Por outro lado, serve de espada de Dâmocles suspensa sobre uma série de cabeças dirigentes, começando provavelmente por Rudy Giuliani. É por essa razão que essas informações são ocasionalmente divulgadas, em dose homeopática, pela mídia sionista, que ocasionalmente levanta um canto do véu Al-Qaeda para fazer aparecer um pedaço do véu EUA, com a ameaça implícita de levantar todo o véu e desencadear uma crise constitucional grave, e talvez uma guerra civil.
Ilustremos isso com um programa bem conhecido dos 9/11 truthers. Em 13 de novembro de 2010, o jornalista Geraldo Rivera dedicou parte de seu programa Geraldo at Large na Fox News ao 11 de Setembro, dando voz ao pai de uma vítima e a um arquiteto que contestam a versão oficial dos fatos. Rivera é extremamente respeitoso e se declara quase convencido pelos argumentos deles. Seu programa enfatiza justamente o Edifício 7, cujo desabamento nos mostra duas vezes. Ele repercute o depoimento- confissão de Larry Silvertein. E insiste pesadamente no fato de que tudo isso incrimina o governo estadunidense. Entre os 9/11 Truthers do mundo inteiro, esse programa foi saudado como uma descoberta decisiva, e despertou grandes esperanças de ver outros canais abrirem o debate. No entanto, quatro anos depois, nada mudou realmente. Por quê? Antes de responder a essa pergunta, é útil fazer outras. Em primeiro lugar: como é possível que um programa desses seja veiculado na Fox News, que é o canal principal do grupo News Corporation de Rupert Murdoch, simpatizante do Likud e amigo pessoal de Ariel Sharon, o canal que, mais do que qualquer outro, serviu de porta-voz da propaganda belicista dos neoconservadores? Que se trate de um erro é inconcebível. Se há um canal que controla a informação sobre o 11 de Setembro, esse é a Fox. Aliás, Rivera não foi demitido nem mesmo punido. Não ficamos muito surpresos ao saber a seu respeito, na Wikipedia, que sua mãe é descendente de uma família de judeus asquenazes originários da Rússia e que sua educação foi “essencialmente judaica”.
Em resumo: se você é crédulo, confia na tese oficial e acredita que as Torres Gêmeas desabaram por causa dos dois aviões de linha pilotados por terroristas islâmicos, e acusa Bin Laden e a Al-Qaeda. Se você é cético, informa-se em sites conspiracionistas (ou na Fox) e acredita que as Torres Gêmeas foram objeto de uma demolição controlada por nano-termite, e acusa o governo estadunidense gritando Inside Job. Em ambos os casos, você caiu na armadilha. Esse é o princípio da dupla falsa bandeira. Apenas uma grande determinação, acompanhada do trabalho e da coragem intelectual que isso supõe, permitirá que você levante esses dois véus.
Drones militares ou aviões fantasmas?
Abordaremos por fim a segunda questão técnica que divide a comunidade de pesquisadores sobre o 11 de Setembro. E já que acabamos de falar da Fox News, comecemos mencionando outro programa da mesma rede de televisão. Em 4 de março de 2001, a Fox TV exibiu o primeiro episódio de sua série The Lone Gunmen, “The Pilot”, visto por 13 milhões de americanos. Hackers agindo por conta de uma cabala interna ao governo conseguem desviar um avião de linha por controle remoto e o dirigem direto para o WTC, fazendo crer tratar-se de um sequestro comum por terroristas islâmicos suicidas, com o objetivo de desencadear uma guerra mundial contra o terrorismo [12]. Como interpretar a incrível coincidência desse cenário com o cenário favorito do movimento 9/11 Truth para explicar os eventos ocorridos seis meses depois? Um roteirista da Fox teria tentado alertar a América? Pouco crível! Pois de fato, a tese de que os aviões que se chocaram contra as Torres Gêmeas foram hackeados eletronicamente é quase unânime na comunidade de pesquisadores sobre o 11 de Setembro. Como as listas de passageiros se revelaram amplamente fictícias, essa tese evoluiu gradualmente para a ideia de que os drones em questão não eram os aviões de linha cheios de passageiros, mas drones militares disfarçados. A tese dos drones continua, no entanto, sendo a vulgata do movimento 9/11 Truth. Ela é contestável.
Qualquer pessoa reinformada compreendeu que nenhum avião caiu sobre o Pentágono em 11 de setembro de 2001, nem em Shanksville, Pensilvânia. A prova disso foi feita por Thierry Meyssan já em 2001 em O Enorme Engano. Alguns vão mais longe e afirmam que nenhum avião caiu sobre as Torres Gêmeas do World Trade Center em Nova York. O professor Morgan Reynolds causou sensação em 2005 ao afirmar que as imagens das colisões, nas quais vemos os aviões penetrarem completamente nas torres como se sua fuselagem e asas de alumínio leve cortassem as colunas de aço, desafiam as leis da física. Consequentemente, essas imagens só podem ser efeitos especiais bastante grosseiros. Não teria havido avião colidindo com as Torres Gêmeas. A maioria dos 9/11 truthers considera essa teoria ridícula e suspeita que ela sirva apenas para desacreditar a pesquisa séria. Foi aliás com esse objetivo evidente que o professor Reynolds foi convidado ao canal Fox News em setembro de 2006. Eu mesmo por muito tempo tomei essa teoria no plane por uma farsa, antes de reservar tempo para estudar os argumentos e as críticas que lhes foram opostas.
É impossível resumir esses argumentos, pois eles se baseiam em uma análise das imagens das colisões. Recomendo vivamente a cada um que assista ao filme de Ace Baker intitulado 9/11 American Psy Opera, e especialmente os capítulos 6, 7 e 8, hoje disponíveis com legendas em francês no site da Égalité & Réconciliation [13]. Baker mostra, por exemplo, que nas imagens da Fox 5 transmitidas em semidireto, o nariz do avião UA175 emerge claramente do outro lado da Torre Sul, como se esse nariz de resina pouco resistente (que um pássaro basta para amassar) tivesse conseguido atravessar o aço e o concreto das torres sem danos. Ace Baker nomeia essa anomalia, que nunca foi reexibida: “o nariz de Pinóquio”. As imagens em questão foram filmadas por Kai Simonsen, que antes de ser contratado pela Fox vendia seus serviços como especialista em video compositing (síntese de imagens) em tempo real. Baker ilustra de maneira perfeitamente convincente as técnicas infográficas usadas para falsificar as imagens televisionadas, adicionando aviões a elas.
Baker foi contestado em pontos de detalhe, mas, até onde sei, nenhuma crítica séria invalidou seus argumentos-chave. Ao contrário, muitos argumentos podem ser adicionados à sua demonstração. Assim, em relação ao primeiro avião AA11, colidido com a Torre Norte, a autenticidade do único filme da colisão, miraculosamente capturado pelos irmãos Jules e Gédéon Naudet e transmitido pela televisão poucos dias depois, é posta em dúvida por muitos investigadores, por razões técnicas tanto quanto devido a suspeitas sobre a identidade dos misteriosos irmãos Naudet. Outro argumento a favor da tese no plane: entre as oito caixas-pretas dos quatro aviões supostamente colididos naquele dia, quatro oficialmente nunca foram encontradas: são as dos dois aviões que deveriam ter atingido as Torres Gêmeas [14].
A principal hesitação em admitir a tese no plane vem do fato de que “milhares” de testemunhas tinham os olhos fixos nas Torres Gêmeas no momento em que a segunda explodiu. “Se não houvesse avião, isso se saberia”, diz o senso comum. Responder a essa objeção pressupõe alguma pesquisa sobre o poder de manipulação mental coletiva da televisão, o que Baker esboça em seu último capítulo. Pense-se, a título de comparação, no voo TWA 800, que caiu ao largo de Nova York em 17 de julho de 1996: 736 testemunhas viram um ou dois mísseis se dirigirem ao avião e o atingirem; no entanto, a mídia não questionou a versão oficial do incidente mecânico, e a opinião pública a ela se alinhou maciçamente. Ora, se o depoimento de alguém que “viu” é difícil de ignorar, o de alguém que “não viu” é, quase por definição, sem valor. O que pesam alguns milhares de pessoas declarando não ter visto avião atingir as Torres Gêmeas em 11 de setembro de 2001, diante de mais de dois bilhões de pessoas em todo o mundo que viram o segundo avião ao vivo em rede mundial? Alguns sayanim declarando em rede tê-lo visto bastarão amplamente para calar as poucas vozes daqueles que insistirem em falar do que não viram (e há deles). Tomemos como exemplo o depoimento de Mark Walsh, um funcionário da Fox, que testemunha diante da câmera da Fox. Ele não apenas viu o avião se encaixar na Torre Sul e as duas torres desabarem; ele foi “testemunha de seu desabamento devido a uma falha estrutural causada por fogo intenso [15]”. Quantos atores como ele se podem recrutar em Nova York?
Se está estabelecido que os aviões se encaixando nas Torres Gêmeas são apenas animações gráficas assistidas por computador (e penso que Baker o provou), isso modifica radicalmente nossa interpretação dos eventos. Pois nesse caso, a operação exigiu apenas cumplicidades muito pontuais dentro do aparato militar estadunidense. Em contrapartida, exigiu uma coordenação e um controle muito apertado das grandes redes de televisão. E sabemos muito bem qual comunidade organizada controla essas grandes redes: a mesma da qual fazem parte Larry Silverstein, Paul Bremer e todos os outros super-sayanim nova-iorquinos que coordenaram a destruição das Torres Gêmeas.
As razões para a marginalização da tese no plane no movimento 9/11 Truth aparecem então claramente. Desde o início, os concebedores do enorme engodo do 11 de Setembro lançaram conscientemente as bases de um falso debate destinado a orientar a contestação. É assim que o filme In Plane Site (2004) de Dave von Kleist e William Lewis, que se encontrará em francês no Reopen 911 (ao contrário do filme de Ace Baker) se concentra na questão:
“Os aviões são os aviões de linha que a teoria oficial alega, ou são aviões militares?”
Para orientar a suspeita para a segunda solução, eles enfatizam um clarão observado no momento do impacto, que explicam como um míssil disparado pelo avião pouco antes do impacto. Isso permite desviar a atenção da verdadeira anomalia, que está nas imagens que se seguem imediatamente, onde vemos os aviões penetrarem nas torres de aço como se fossem manteiga. Da mesma forma, se nenhum avião atingiu as Torres Gêmeas, tampouco o Pentágono ou Shanksville, então todas as discussões sobre o fracasso das defesas aéreas devem ser consideradas diversões.
É interessante notar que a tese dos “drones militares” foi sutilmente insinuada pela Fox News logo na manhã de 11 de Setembro, através do depoimento de um outro “funcionário da Fox” chamado Mark Burnback, que declarou que o avião colidido na Torre Sul “não se parecia realmente com um avião comercial. Não vi janelas na lateral. […] Não era um voo normal como pude ver em aeroportos [16]”.
A famosa série de filmes Loose Change (2005) contribuirá ainda mais para orientar o movimento contestatório para a hipótese dos drones subtraídos aos aviões de linha AA11 e UA175, e ao mesmo tempo para a pista do complexo militar-industrial estadunidense. Um dos argumentos mais eficazes dos três jovens judeus que produziram esse filme (Dylan Avery, Corey Rowe e Jason Bermas) é um paralelo com a Operação Northwoods logo no início do filme. Trata-se de um projeto de operação sob falsa bandeira destinada a fabricar um casus belli mentiroso contra Cuba. O general Lyman Lemnitzer, chairman dos Joint Chiefs of Staff, o apresentou em 1962 ao secretário de Defesa do governo Kennedy, Robert McNamara, que o rejeitou. O projeto incluía uma onda de atos terroristas falsamente atribuídos a Cuba e a explosão sobre as águas cubanas de um avião fretado supostamente transportando estudantes americanos em férias. A explosão teria sido precedida de mensagens de rádio de socorro indicando um ataque por um caça cubano. Os passageiros reais teriam sido secretamente transferidos para outro avião, mas funerais nacionais seriam organizados para eles. A Operação Northwoods foi revelada ao público por James Bamford em maio de 2001, em seu livro Body of Secrets [17]. Ela basta para provar que em 1962 já, o aparato militar estadunidense era capaz de uma torpeza análoga ao 11 de Setembro, pelo menos em teoria.
Há, no entanto, motivo para questionar a surpreendente coincidência da revelação do projeto Northwoods por James Bamford quatro meses antes do 11 de Setembro, e da publicidade que ela recebeu imediatamente na ABC News. Para seu livro Body of Secrets, James Bamford beneficiou-se, nos diz sua editora, de “um acesso sem precedentes a Crypto City [QG da NSA], aos oficiais superiores da NSA, e a milhares de documentos da NSA [18]”, tudo graças a Michael Hayden, diretor da NSA de 1999 a 2005. Ou seja, foi Hayden quem forneceu a Bamford suas fontes, incluindo, pode-se supor, o memorando Northwoods. Não se sabe onde ele o encontrou, já que esse memorando é supostamente a cópia encontrada nos papéis pessoais de Lemnitzer. Quem é Michael Hayden? Ele codirige hoje o Chertoff Group, a empresa de consultoria em segurança do ex-secretário da Segurança Interna, Michael Chertoff (filho de um rabino e de uma pioneira do Mossad) [19]. Além disso, Hayden, que em 2001 se mostra generoso com Bamford em documentos classificados, é em 2013 um fervoroso partidário da prisão de jornalistas que vazam documentos “secretos”.
Portanto, deve-se razoavelmente suspeitar que a publicidade em torno de Northwoods foi calculada para pré-condicionar o movimento contestatório sobre o 11 de Setembro para a tese do Inside Job envolvendo o Pentágono. Alguns chegam até a suspeitar que o documento seja uma falsificação [20]. Afinal, Robert McNamara, a quem se destinava, declarou não ter “absolutamente nenhuma lembrança [21]” dele. Se está listado no site do National Security Archive Project da Universidade George Washington [22], é unicamente, ao que parece, porque Bamford ou Hayden lhes forneceram uma cópia. Pessoalmente, acredito que esse projeto de Operação Northwoods, hoje universalmente conhecido no movimento 9/11 Truth, nunca existiu. Fabricar falsos arquivos secretos é uma prática fácil e certamente mais comum do que se pensa na guerra de informação; é relativamente pouco arriscada, pois quem acreditará naquele que desmentir a autenticidade do documento vazado? É de notar que Bermas e Avery, que dão tanta importância a uma operação que, de qualquer forma, nunca foi posta em prática, não mencionam o ataque ao USS Liberty, que, esse sim, ocorreu, e tratam de antissemita qualquer pessoa que evoque a pista israelense.
Em resumo, se você é crédulo, acredita que aviões de linha se encaixaram nas Torres Gêmeas, e acusa a Al-Qaeda. Se você é cético, olha atentamente para esses aviões (com In Plane Site), e vê aviões militares: acusa o governo estadunidense e grita Inside Job. Em ambos os casos, você caiu na armadilha. A verdade está em outro lugar, abaixo dessas duas falsas bandeiras. Descobri-la o leva aos mistérios insondáveis da manipulação mental, e você não tem certeza de voltar são de lá.
Notas
[1] “The specifics of the fires in WTC 7 and how they caused the building to collapse remain unknown at this time. Although the total diesel fuel on the premises contained massive potential energy, the best hypothesis has only a low probability of occurrence” (http://911research.wtc7.net/wtc/official/fema.html).
[2] Voir sur YouTube : http://www.youtube.com/watch?v=-zHHvo6U4lA
[3] Voir les photos publiées par le site internet 9-11 Research, « Twin Towers’s Dust Clouds », http://911research.wtc7.net/wtc/evidence/photos/dust.html
[4] Lire Jeff Prager, 9/11 America Nuked, téléchargeable gratuitement sur http://911scholars.ning.com/profiles/blogs/jeff-prager-9-11-america-nuked-free-downloadable-ebook. Lire aussi les articles de Don Fox, Jeff Prager et Ed Ward sur http://www.veteranstoday.com/2013/05/01/mystery-solved-the-wtc-was-nuked-on-911/
[5] Joe Vialls, “Bali Micro Nuke – Lack of Radiation Confuses ‘Experts’”, http://web.archive.org/web/20030210220533/http://homepage.ntlworld.com/steveseymour/nuke/bali_micro_nuke.htm
[6] http://911review.com/errors/wtc/forbes.html
[7] Voir son article avec Don Fox, « 2 + 2 = Israel nuked the WTC on 9/11 », http://www.veteranstoday.com/2013/08/28/2-2-israel-nuked-the-wtc-on-911/
[8] Consulter http://barryjenningsmystery.blogspot.fr
[9] Voir l’extrait sur YouTube, par exemple : http://www.youtube.com/watch?v=ofdi2RpNJas.
[10] http://www.bbc.co.uk/blogs/theeditors/2007/02/part_of_the_conspiracy.html
[11] Voir sur YouTube, « Larry Silverstein admits WTC7 was pulled down on 9/11 », http://www.youtube.com/watch?v=p5DMjnbmhXo
[12] YouTube, « The Lone Gunmen Pilot – 9/11 Predictive Programming » : http://www.youtube.com/watch?v=z3WW6eoLcLI
[13] La totalité des chapitres peut être visionnée en version originale sur http://acebaker.blogspot.fr.
[14] Giulietto Chiesa, « Les 8 mystérieuses boites noires du 11-Septembre », sur Voltairenet, 11 septembre 2014 : http://www.voltairenet.org/article185297.html
[15] YouTube, « Fox News – Rick Leventhal interviews 9/11 WTC witness, Mark Walsh » : http://www.youtube.com/watch?v=07hJhmiWZSY
[16] http://www.youtube.com/watch?v=uH78TRSIb_A
[17] James Bamford, Body of Secrets : How America’s NSA and Britain’s GCHQ Eavesdrop on the World, Century, 2001, p. 84-90.
[18] http://www.randomhouse.com/features/bamford/author.html
[19] Seamus Coogan, “Who is James Bamford and what was he doing with ARRB ?”, août 2010, sur le site de Citizens for Truth about the Kennedy Assassination : http://www.ctka.net/2010/OpNorthwoods.html. Lire aussi Jim DiEugenio sur l’éditeur de Bamford : http://www.ctka.net/posner_jd4.html
[20] Carol Valentine sur : http://www.public-action.com/911/northwds.html
[21] “I have absolutely zero recollection of it”. David Talbot, Brothers : The Hidden History of the Kennedy Years, Simon & Schuster, 2007, p. 107.
[22] National Security Archive : http://www.gwu.edu/ nsarchiv/news/20010430/
Fonte: Egalité et Réconciliation








