A Dupla Impostura do 11 de Setembro – Parte II: A Falsa Bandeira Reversível e a Conspiração Hackeada

A bandeira falsa reversível

(Leia aqui a Parte I)

De certa forma, a tese do Inside Job (operação interna), que denuncia o 11 de Setembro como uma operação sob falsa bandeira, funciona ela mesma como uma falsa bandeira, na medida em que procura exacerbar o antiamericanismo enquanto protege os verdadeiros mestres de obra da operação, que pertencem realmente a outra nação. É esta constatação que nos leva a formular um novo paradigma para compreender o 11 de Setembro. Este novo paradigma é o da “dupla falsa bandeira”, ou da “falsa bandeira reversível”, apresentando, costurado sob a mentira primária, uma segunda mentira, destinada àqueles que se atreveriam a levantar um canto da primeira.

Um dos objetivos da manobra é forçar os dirigentes americanos a fingir que acreditam na máscara de Bin Laden, sabendo que levantar essa máscara faria aparecer uma segunda máscara com os traços do Tio Sam, e que, não tendo mais o controle da mídia, eles não teriam os meios de levantar essa segunda máscara para fazer aparecer o rosto do verdadeiro culpado. Estariam politicamente mortos antes mesmo de tentar.

Um dos objetivos da manobra é forçar os dirigentes americanos a fingir que acreditam na máscara de Bin Laden, sabendo que levantar essa máscara faria aparecer uma segunda máscara com os traços do Tio Sam, e que, não tendo mais o controle da mídia, eles não teriam os meios de levantar essa segunda máscara para fazer aparecer o rosto do verdadeiro culpado. Estariam politicamente mortos antes mesmo de tentar.

Mas controlar o pensamento dominante e a esquerda contestadora tradicional não é suficiente. É preciso ainda controlar o movimento 9/11 Truth. Parece que este último não foi simplesmente infiltrado e contaminado, mas organizado e orientado desde o início pelos próprios conspiradores sionistas. Enquanto a grande mídia corporativa defende com unhas e dentes a tese oficial da Al-Qaeda, a oposição controlada se atém estritamente à tese do complô interno (inside job). Israel, que controla um e outro, exerce assim sobre as mais altas autoridades estadunidenses uma chantagem para forçá-las a encobrir seu crime. Cada um compreende a aposta: se um dia, sob pressão da opinião pública ou por qualquer outro imperativo, a grande mídia decidir abandonar a tese oficial, a contestação popular, maciçamente mobilizada em torno do slogan “9/11 was an inside job”, se desencadeará contra seu próprio governo, e Deus sabe o que acontecerá aos Estados Unidos se, entretanto, o governo não tiver conseguido desarmar seus cidadãos com operações psicológicas do tipo Sandy Hook. O governo americano não tem, portanto, outra escolha senão defender a todo custo a tese da Al-Qaeda. A chantagem repousa essencialmente sobre o poder midiático detido pelos sionistas, poder cuja amplitude se mede pelo fato de que ninguém ousa evocá-lo publicamente.

Ao formular este paradigma da falsa bandeira reversível, não pretendo trazer uma revolução copernicana à “11-setembrologia”. Apenas sintetizo sob um conceito simples observações e deduções que outros emitiram bem antes de mim (como a ideia de oposição controlada). O conceito é apenas um meio de englobar essas observações numa visão de conjunto coerente. Mas creio que é também uma representação adequada do plano elaborado pelos cérebros da operação. Coloquemo-nos em seu lugar. Imaginemos que uma rede sionista queira desenvolver uma operação sob falsa bandeira para atrair os Estados Unidos para uma guerra de civilizações em benefício de Israel. Eles têm os meios para enganar a enorme máquina da Inteligência americana? Não. Mas eles têm os meios para enganar a opinião pública através de seu controle da mídia, e podem arranjar-se para obrigar suficientes dirigentes americanos (na Casa Branca, no Pentágono, no Departamento de Estado, no Conselho de Segurança) a fingir que acreditam nisso. Pelo menos durante um certo tempo. É com esse fim que eles colocam cuidadosamente a bandeira dos EUA sob a bandeira da Al-Qaeda, como um duplo véu em torno do verdadeiro culpado. Dessa forma, quem quer que se arriscasse a arrancar o véu exterior com o retrato de Bin Laden faria aparecer primeiro o retrato dos Bush, Rockefeller e outros bodes expiatórios WASP, enquanto a verdadeira bandeira israelense (o retrato de Netaniahu) permaneceria protegida. Para os dirigentes americanos, seria como abrir a Caixa de Pandora. Os Bush e os Rockefeller compreendem isso melhor do que ninguém. A oposição controlada do primeiro tipo (Amy Goodman), bem como a oposição controlada do segundo tipo (Alex Jones), lembram-lhes constantemente que seu retrato se encontra bem abaixo do de Bin Laden. Isso explica por que os elementos incriminando o presidente Bush e sua família, mas também o Pentágono, a CIA e outras instâncias do poder, estão inscritos no plano tanto quanto os elementos que incriminam Bin Laden (e seus pretensos apoiadores sauditas). Os adeptos sinceros da tese Inside Job tomam esses elementos como verdadeiros, sem perceber a enormidade dos deslizes que eles supõem da parte dos culpados visados. Mas, sob sua forma simples, a tese Mossad Job também permanece incapaz de explicá-los de maneira convincente.

Para resumir, a falsa bandeira reversível é usada pela mídia de três maneiras: a mídia de massa mostra apenas a face Al-Qaeda; o movimento 9/11 Truth sob controle mostra a outra face, que traz as cores americanas; entre os dois, a mídia alternativa do tipo chomskiana exibe a face Al-Qaeda, mas vira episodicamente um canto ameaçando mostrar mais.

Israel em sentido amplo

Uma vez formulada a ideia geral, resta definir de forma mais precisa o novo paradigma, a fim de esclarecer certos pontos. Em primeiro lugar, o que se entende por “Israel”? É bem conhecido que a judaidade é uma noção de duas faces, religiosa e étnica: cara, os judeus formam uma comunidade religiosa; coroa, os judeus formam um povo, uma nação, ou mesmo uma raça. Isso depende do vento. Da mesma maneira, Israel é um conceito ambivalente: até 1947, Israel era uma designação corrente da comunidade judaica internacional, por exemplo quando o Daily Express britânico de 24 de março de 1933 publicou na primeira página um artigo intitulado “A Judeia declara guerra à Alemanha”, proclamando que “todo o Israel através do mundo se une para declarar uma guerra econômica e financeira à Alemanha[1]”. Mas em maio de 1948, os sionistas deram à “nação judaica” cuja existência proclamaram na Palestina o nome de Israel, dando de fato a este termo outro sentido. As duas noções (o Israel nacional e o Israel internacional) se reúnem pelo fato de que todo judeu é virtualmente cidadão de Israel, pois basta que ele o solicite para sê-lo realmente. Além disso, segundo uma pesquisa de 1991, os judeus americanos fazem de Israel um dos dois principais referenciais do que significa para eles “ser judeu”, logo após a memória do Holocausto, antes de Deus ou da Torá[2].

Em sentido amplo, muito difundido entre a comunidade judaica, Israel reúne, portanto, todos aqueles que, por suas origens familiares, se sentem “eternamente” ou “incondicionalmente” ligados a Israel. Israel é assim uma pátria de coração e não apenas uma cidadania administrativa. Mas quando atribuímos os atentados de 11 de Setembro a “Israel”, visamos uma realidade intermediária entre o sentido estrito (o Estado hebreu) e o sentido amplo (a comunidade judaica mundial). Não incluímos os “judeus do cotidiano”, mas apenas a elite que, em nome de um papel representativo que arrogou para si, defende o interesse de Israel pelo mundo. Nesse sentido, as 52 organizações representativas judaicas americanas, bem como a Conference of Presidents of Major American Jewish Organizations que as coordena, fazem parte de Israel, na medida em que são abertamente dedicadas à defesa de Israel – por exemplo, quando combatem o antissionismo nomeando-o antissemitismo.

Desse ponto de vista, Israel tem duas capitais mundiais: Tel Aviv e Nova York. Jacob Neusner compara a comunidade judaica americana (american jewry) à da Babilônia, que permaneceu durante um milênio o centro do judaísmo universal, e o local da redação do primeiro Talmud. É bem conhecido que no início do século XX, embora a imprensa iídiche abraçasse com entusiasmo a causa sionista, a maioria dos judeus americanos se mostrava bastante reservada, estimando que Israel estava muito bem na forma de uma nação dispersa pelo mundo, e sem nenhuma vontade de emigrar para a Palestina como exigia a doxa sionista. Em seguida, nos anos 1950, “um compromisso se instalou entre o Estado judeu em Israel e o Estado judeu na América”, segundo a expressão de Benjamin Ginsberg[3]. Mas foi somente após a Guerra dos Seis Dias de 1967 que os judeus americanos passaram a apoiar ativa e ostensivamente Israel, e muitos judeus americanos podem se reconhecer no comentário do rabino Abraham Joshua Heschel, de que até aquele dia, “eu não sabia o quanto era judeu”[4]. Por seu lado, os sionistas reconheceram plenamente a legitimidade de servir a Israel residindo em outro lugar.

Hoje, há pouca diferença, ao nível das elites, entre judeus americanos e judeus israelenses quanto à sua lealdade ao “Estado judeu” (como Israel se define por sua Constituição). Muitos israelenses se sentem muito próximos dos Estados Unidos, e fazem frequentes estadias lá. Por exemplo, Benjamin Netaniahu, neto de um rabino emigrado da Lituânia para a Palestina em 1920 e filho de um militante sionista (Ben Zion Netanyahu, nascido Mileikowsky), viveu, estudou e trabalhou principalmente nos Estados Unidos de 1960 a 1978, exceto durante seu serviço militar. Ele publicou nos Estados Unidos nos anos 1980 (International Terrorism: Challenge and Response em 1982 e Terrorism: How the West can Win em 1986), e aparecia regularmente na CNN nos anos 1990, contribuindo para transformar esse canal em instrumento de propaganda sionista[5]. Inversamente, muitos judeus americanos são israelenses de coração e têm dupla nacionalidade. É o caso de um número significativo de neoconservadores da administração Bush II, que têm família em Israel ou lá residiram eles mesmos. Alguns são abertamente próximos do Likud, e vários até aconselharam oficialmente Binyamin Netaniahu.

Recordemos que o neoconservadorismo é um movimento político americano fundado por intelectuais judeus oriundos em sua maioria da extrema esquerda, mas que se tornaram no início dos anos 1970 fervorosos defensores do imperialismo e do militarismo americano. O jornal que lhes serviu para difundir suas ideias, Commentary, é o órgão de imprensa do American Jewish Committee. Irving Kristol, ex-trotskista tornado o intelectual-farol do neoconservadorismo, escreve em 1973 na revista do American Jewish Congress:

“Os judeus não gostam de grandes orçamentos militares, mas está agora no interesse dos judeus ter um grande e poderoso aparato militar nos Estados Unidos. […] Os judeus americanos que se preocupam com a sobrevivência do Estado de Israel devem dizer ‘não, não queremos reduzir o orçamento militar, é importante manter um grande orçamento militar, a fim de poder defender Israel'[6].”

É em tais declarações destinadas aos judeus que se deve ler a verdadeira motivação do neoconservadorismo, e não no pomposo patriotismo americano que eles exibirão depois para a galeria quando tiverem acessado a responsabilidades políticas.

A duplicidade dos neoconservadores é tornada manifesta por um documento cujo teor foi revelado em 2008 por autores como James Petras, Stephen Sniegoski ou Jonathan Cook. Trata-se de um relatório publicado em 1996 pelo think tank israelense Institute for Advanced Strategic and Political Studies (IASPS), intitulado A Clean Break: A New Strategy for Securing the Realm, e endereçado ao novo chefe do governo israelense, Benjamin Netaniahu[7]. A equipe responsável por esse relatório era liderada por Richard Perle e incluía Douglas Feith, David Wurmser e sua esposa israelense Meyrav Wurmser. Ora, no mesmo ano, esses homens assinavam nos Estados Unidos o manifesto fundador do PNAC (Project for a New American Century) e, quatro anos depois, eles se posicionariam em postos-chave da política militar e estrangeira estadunidense. Como seu título indica, o relatório Clean Break convida Netaniahu a romper com os acordos de Oslo de 1993, que comprometem Israel a restituir os territórios ocupados desde 1967 e a desmantelar as colônias ilegais. O novo Primeiro-Ministro deveria, ao contrário, “consagrar toda a energia possível à reconstrução do sionismo” reafirmando o direito de Israel sobre a Cisjordânia e a Faixa de Gaza.

O principal problema do paradigma Inside Job é que ele ignora totalmente a lealdade israelense dos neoconservadores. Webster Tarpley, por exemplo, vê neles “toupeiras” de um “governo invisível” controlado desde Wall Street, enquanto eles são, evidentemente, toupeiras de um governo estrangeiro (que é também, de certa maneira, um governo invisível alojado nos Estados Unidos, mas controlado desde Tel Aviv). O único governo estrangeiro que Tarpley detecta entre os conspiradores do 11 de Setembro é a Grã-Bretanha (sem a menor prova):

“O serviço secreto estrangeiro que trouxe o maior apoio indireto ao 11 de Setembro é indiscutivelmente o MI-6 britânico[8].”

Certamente, os neoconservadores não são todos judeus: eles têm aliados a seu soldo entre os goyim, como Dick Cheney e Donald Rumsfeld, que os introduziram na Casa Branca e no Pentágono, ou ainda John Bolton no Departamento de Estado. Empregam também alguns intelectuais goyim de fachada, como Samuel Huntington, a quem se atribui a paternidade do conceito de “choque de civilizações”, porque teria sido mais difícil vendê-lo sob o nome de seu verdadeiro inventor, Bernard Lewis. No entanto, não escapa mais a nenhum observador atento que os neoconservadores são ideólogos criptossionistas que avançam sob a máscara do hegemonismo americano, mas que na realidade trabalham para o Grande Israel.

Os neocons e os Bush

Compreendida a verdadeira lealdade dos neoconservadores, resta ainda entender sua relação complexa com os Bush, para elucidar o mistério do 11 de Setembro. O paradigma clássico não faz diferença entre esses dois clãs. Mas a verdade histórica é que os Bush e os neoconservadores são rivais desde sempre. Gostamos de representar o mundo com todos os maus do mesmo lado e os bons do outro. Mas não é necessário sentir simpatia pelos Bush ou pelos neoconservadores para compreender a natureza de sua inimizade.

Ela remonta à presidência de Bush pai, que foi percebida, não sem razão, como hostil a Israel. Mas já antes disso, Bush havia aprendido a desconfiar dos neoconservadores. Durante sua passagem pela direção da CIA em 1976 (sob o presidente Ford), ele observara como Richard Pipes e Paul Wolfowitz conseguiram driblar a CIA para produzir, com seu Team B, um relatório alarmista da ameaça soviética destinado a impedir qualquer apaziguamento da Guerra Fria. Quando era vice-presidente de Reagan, Bush ainda pôde observar seu domínio sobre a política externa; ele os apelidava de the Crazies [os loucos, NDT]. Quando sucedeu a Reagan, ele se livrou de um grande número deles. E após a operação Desert Storm contra o Iraque em janeiro de 1991, recusou-se a ceder à pressão deles para invadir o Iraque. Nesse mesmo ano, Bush resistiu a uma campanha do lobby israelense que pedia 10 bilhões de dólares de ajuda para a imigração para Israel de judeus vindos da antiga URSS. Ele reclamou numa entrevista coletiva televisionada em 12 de setembro que “mil lobistas judeus subiram ao Congresso contra pobre de mim”, o que provocou a reação escandalizada do diretor executivo do AIPAC Tom Dine: “12 de setembro de 1991 permanecerá um dia de infâmia[9].” Mas sobretudo, Bush e seu secretário de Estado James Baker puseram fim à política pró-Israel de Reagan, pouco preocupada com o expansionismo israelense. No dia seguinte à Guerra do Golfo, eles coordenam a Conferência de Madri, primeira tentativa da comunidade internacional de engajar um processo de paz no Oriente Próximo, envolvendo a Síria, o Líbano, a Jordânia e os palestinos. Aos olhos de Israel, Bush e Baker se mostraram muito receptivos às propostas árabes. Por todas essas razões, o lobby pró-Israel boicotou as chances de um segundo mandato de Bush e apoiou o candidato democrata Bill Clinton (exatamente como havia boicotado as chances de Jimmy Carter contra Reagan).

Não apenas Bush pai aparece aos neoconservadores como anti-Israel, mas além disso, ele se mostra muito pró-saudita. Ora, a Arábia Saudita é desde sempre o inimigo mais temível de Israel, precisamente porque é a aliada mais fiel dos Estados Unidos, e consequentemente o Estado do Oriente Médio que os americanos protegerão a todo custo de qualquer “primavera árabe” ou outra manobra de desestabilização. É verdade que Israel conseguiu explorar a seu favor, na cena internacional, o islamismo wahhabita financiado pelos sauditas. É verdade também que a Arábia Saudita sempre desempenhou um papel ambivalente, frequentemente mais preocupada em enfraquecer seus rivais muçulmanos, o Egito e o Irã, do que a Israel. E fala-se hoje de sua possível aproximação com Israel. Mas esse é o resultado recente e frágil de quase quinze anos de convulsões geoestratégicas. Fundamentalmente, e em todo caso até o 11 de Setembro, a Arábia Saudita e o jihadismo que ela exportava eram fundamentalmente anti-Israel. Israel e a Arábia Saudita, terras santas respectivamente do judaísmo e do islamismo, são dois inimigos que disputam a amizade dos Estados Unidos, desde o dia em que o presidente Truman, ao reconhecer Israel em 1948, traiu a promessa escrita de Roosevelt ao rei Ibn Saud de não fazer nada “que pudesse ser hostil ao povo árabe[10]”. Desde aquela época, Israel tem por objetivo corroer a aliança dos Estados Unidos com todos os países árabes, e em primeiro lugar com a Arábia Saudita, na esperança de se ver um dia na posição de seu único aliado nesse setor.

É interessante citar aqui o que Isser Harel, o “pai da Inteligência israelense”, disse a Michael Evans numa entrevista de 1980, que Evans mencionou num editorial do Jerusalem Post publicado em 30 de setembro de 2001, e novamente numa entrevista com Deborah Caldwell em 2004:

“Ele me disse que a América desenvolveu uma aliança com dois países, Israel e a Arábia Saudita, e que a aliança com a Arábia Saudita era perigosa e acabaria por gerar uma tolerância ao terrorismo nos americanos. Ele disse que se essa tolerância persistisse, os fundamentalistas islâmicos acabariam por atingir a América. Eu perguntei: ‘Onde?’ Ele me disse: ‘Na teologia islâmica, o símbolo fálico é muito importante. Seu maior símbolo fálico é Nova York e o edifício mais alto será o símbolo fálico que eles atingirão.'”

Ao compartilhar essa conversa na véspera do 11 de Setembro, Evans, um fervoroso cristão sionista, espera fazer Harel passar por um profeta, mas o leitor menos místico tirará outra conclusão (especialmente se tiver algumas noções de teologia islâmica)[11].

As relações triangulares entre os Estados Unidos, Israel e a Arábia Saudita iluminam a relação entre os neoconservadores e os Bush. O clã Bush procurou fortalecer a aliança com a Arábia Saudita, e se colocou à frente do campo pró-saudita na administração americana, enquanto os neoconservadores representam o campo pró-Israel. Esses dois campos se enfrentam em múltiplos níveis, tanto no Departamento de Estado quanto nos serviços de Inteligência. Cada um tenta enfraquecer a aliança que o outro tenta fortalecer. Cada um tem sua própria visão do “Nova Ordem Mundial” desejada. Aquela que Bush vislumbrava em seu famoso discurso de setembro de 1990 é fundada num eixo Washington-Riad, enquanto aquela pela qual intrigam os neoconservadores é um eixo Washington-Tel Aviv. São dois projetos geopolíticos que se enfrentam.

Não esqueçamos, aliás, que Bush pronunciou seu discurso de 11 de setembro de 1990 após ter libertado o Kuwait e recusado invadir o Iraque: ele se colocava como protetor das soberanias nacionais. Ignoramos quem soprou a Bush a expressão “Nova Ordem Mundial”, que Alex Jones e seus émulos depois encheram de uma parafernália de clichês conspiratórios. Mas sabemos quem inventou essa expressão: é o geopolítico Robert Strausz-Hupé, em 1957, no primeiro número de sua revista Orbis, que se tornará um dos caldeirões do neoconservadorismo, quando Richard Pipes se tornar seu editor-chefe em 1986. Strausz-Hupé assimilava essa Nova Ordem Mundial destinada a “enterrar os Estados-nação” ao “império universal americano”:

“O império americano e a humanidade não serão opostos, mas simplesmente dois nomes para uma mesma ordem universal sob o signo da paz e da felicidade: Novus orbis terranum (Nova Ordem Mundial)[12].”

Agora que vemos claramente o duplo jogo dos neoconservadores, compreendemos melhor a duplicidade irônica desse discurso. Toda a astúcia do sionismo consiste em cavalgar e excitar o cavalo do imperialismo americano enquanto lhe deixa crer que galopa por sua própria vontade, até que um dia ele caia morto de exaustão para deixar Sião senhor do jogo. É aliás por isso que os neoconservadores preferiram a expressão “Novo Século Americano” em 1996. Mas em sua Declaração de Jerusalém de 2003, assinada por Richard Perle, eles inscreveram sua determinação em fazer de Israel “o centro de uma nova unidade das nações, que levará a uma era de paz e prosperidade, anunciada pelos profetas[13]”. “Novo Século Americano” é a falsa bandeira patriótica de que se revestem os criptossionistas neoconservadores, enquanto “Nova Ordem Mundial” é a falsa bandeira que agita a esfera conspiracionista sob controle sionista. É um slogan antiglobalista do mesmo tipo que “McWorld[14]”, destinado a desviar a atenção do único projeto mundialista carregado por uma elite cosmopolita e fundado numa ideologia milenar, e a preservar assim a invisibilidade na qual reside uma grande parte de seu poder.

Dada a hostilidade recíproca entre Bush pai e os criptossionistas neoconservadores, como explicar que estes últimos tenham investido a administração de Bush filho em 2001? A resposta curta a essa pergunta é: Dick Cheney. Foi ele que, após se impor como vice-presidente, introduziu os neoconservadores, contra a opinião do clã Bush[15]. Mais importante é a pergunta: como os neoconservadores conseguiram controlar inteiramente Bush Junior, a ponto de isolá-lo de seu próprio clã? Eu ignoro, mas é provável que os eventos do 11 de Setembro tenham sido decisivos. A situação particularmente ridícula na qual o Presidente foi colocado no momento dos atentados – lendo The Pet Goat (A Cabra Amansada) para uma turma de primário na Flórida – mostra bem que ele foi afastado do controle das operações. Os intermináveis dez minutos durante os quais Bush permanece sem reação após saber que a segunda torre do WTC acabara de ser atingida, tornados famosos pelo filme Fahrenheit 9/11 de Michael Moore, são para o 11 de Setembro o que o filme de Zapruder é para o assassinato de Kennedy: o momento em que Bush é neutralizado, enquanto seu vice-presidente Cheney assume o poder efetivo. Viu-se que, por seu lado, o pai Bush foi neutralizado pela ameaça do escândalo da reunião da Carlyle na companhia da família Bin Laden.

Seja como for, é manifesto que a partir do 11 de Setembro, a influência de Bush pai e de sua equipe sobre Bush filho é mínima. Ao jornalista Bob Woodward que queria saber se ele pedia conselho a “Poppy”, Bush filho respondeu em 2004:

“Não é o pai certo para pedir conselho. […] Há um pai mais acima a quem recorro[16].”

Na prática, o Presidente se tornou o testa de ferro dos neoconservadores, que se vingam espetacularmente do primeiro George Bush ao obrigar o segundo a invadir o Iraque. Pode-se meditar sobre essa extraordinária ironia da história, que sem dúvida proporciona aos neoconservadores uma intensa satisfação e uma embriagante sensação de poder. Em 2007 novamente, George W. fez exatamente o contrário do que recomendava o grupo parlamentar Iraq Study Group formado por iniciativa de seu pai (e presidido por James Baker), que preconizava o desengajamento; ele segue ao contrário os conselhos do lobby neoconservador Freedom’s Watch, anunciando em janeiro de 2007 o envio de 20.000 soldados adicionais. Thomas Neumann, diretor executivo do Jewish Institute for National Security Affairs (JINSA), poderá então se felicitar que a administração Bush seja “a melhor para Israel desde Harry Truman[17]”.

O complô pirateado

Com uma melhor compreensão das relações de força no seio da administração Bush Junior, temos uma melhor chance de entender como a operação do 11 de Setembro foi montada. Em sua forma mais clássica, a tese Inside Job supõe uma conluio entre vários grupos de interesse: a operação teria sido concebida um pouco pelo petróleo, um pouco pelo complexo militar-industrial; emanaria ao mesmo tempo dos Bush, dos Rockefeller, do Pentágono, de Wall Street, do Big Oil, sem falar do poderoso lobby saudita. Com tal paradigma, pode-se até dar-se a satisfação de não ter que decidir entre a tese 2 (Inside Job) e a tese 3 (Mossad Job): basta adicionar Israel à equação. Isso é, na minha opinião, uma ilusão. Uma operação de tamanha complexidade e precisão requer uma estrutura piramidal muito rígida. Ela só pode ser elaborada por um pequeno número de cérebros no topo, todos colocados em postos estratégicos, todos unidos por um objetivo único e uma lealdade absoluta, mas dispondo de um grande número de sayanim de toda confiança, que darão uma força sem fazer perguntas.

A ideia de que os Bush tenham conscientemente cooperado com um complô organizado pelos neoconservadores é pouco crível. Mais geralmente, a ideia de que uma operação como o 11 de Setembro possa implicar no mais alto nível uma aliança de circunstância entre clãs rivais me parece altamente improvável. Em contrapartida, é provável, e mesmo certo, que os conspiradores tenham envolvido um grande número de altos funcionários sem seu conhecimento, não apenas porque precisavam de sua colaboração na realização da operação, mas sobretudo para poder assegurar sua cooperação após a operação. E imagina-se que os conspiradores devem ter especialmente assegurado que poderiam controlar o presidente Bush e forçá-lo a endossar sua versão dos fatos. A dificuldade, com efeito, é menos a realização da operação em si do que a obstrução à investigação: é preciso que um número importante de pessoas, entre as mais bem colocadas, tenha interesse em que a verdade não veja a luz do dia, que compreendam bem que a mentira oficial também serve para protegê-los.

A aplicação mais simples desse princípio é a do desvio de um exercício militar. Para realizar um ataque sob falsa bandeira, basta prever um exercício militar que simule exatamente o ataque que se quer realizar. No momento oportuno, modifica-se um ou dois parâmetros para que o ataque seja real, ou o pareça aos olhos da mídia. Aqueles que desviam o exercício de seu objetivo não são necessariamente seus concebedores; podem tê-lo simplesmente pirateado. Sabe-se que em 11 de setembro de 2001, o NORAD estava ocupado com cinco exercícios, dos quais três, sob os nomes de Vigilant Guardian, Global Guardian e Vigilant Warrior, simulavam desvios de avião, com voos reais e virtuais. Os participantes desses exercícios agem sem conhecer a verdadeira finalidade da operação. São militares habituados a obedecer a ordens sem fazer perguntas. Alguns compreendem depois que foram usados para fins criminosos, mas simultaneamente compreendem o que arriscam se levantarem objeções.

Os exercícios do NORAD dão uma das chaves do modo operatório do 11 de Setembro. Mas estão longe de explicar tudo. É preciso talvez considerar uma aplicação mais sofisticada desse princípio de desvio de uma operação secreta. A hipótese em que penso é a do “complô pirateado”: o Estado americano organiza uma operação sob falsa bandeira de envergadura limitada, com um objetivo limitado. A rede dos neoconservadores infiltrados nas engrenagens do Estado, que supervisiona a elaboração desse plano ou que o inspirou, decide secretamente aumentar a aposta dando à operação uma dimensão muito maior para maximizar seu efeito em benefício de Israel. Ao parasitar uma operação inconfessável do Estado americano, os conspiradores sionistas forçam este último a jogar o jogo até o fim. A ideia é subir num barco que ninguém pode deixar e tomar o leme à força para mudar o destino. Esse cenário do “complô pirateado”, ou dos “complôs encaixados” (um complô dentro de um complô) é um meio prático de implementar uma operação sob dupla falsa bandeira. Explicaria a eficácia com que os neoconservadores forçaram o presidente Bush e toda a sua administração a desempenhar seu roteiro. Os sionistas detêm as provas de um crime duplicado de uma mentira do Estado americano (e os meios midiáticos de fazer explodir o escândalo do século), e servem-se disso ao mesmo tempo para chantagear o Estado americano e para desviar as suspeitas de si mesmos aos olhos dos céticos.

Imaginemos, por exemplo, que, por conselho dos neoconservadores, a Casa Branca, o Departamento de Estado e o Conselho de Segurança tenham decidido acabar com o regime talibã do Afeganistão, colocando um atentado nas costas de seu hóspede Osama Bin Laden (além disso, isso prestará um serviço aos sauditas, que procuram se livrar dessa ovelha negra). Para justificar uma caçada ao homem no Afeganistão, um único desvio de avião por piratas suicidas da Al-Qaeda é suficiente. (Acessoriamente, para matar dois coelhos com uma cajadada só, o ataque, simulado por um míssil no Pentágono, matará os 34 especialistas do Resource Service de Washington que, em seus escritórios da face Leste, se esforçavam por descobrir quem roubou os 2,3 trilhões de dólares que faltavam nas contas do Pentágono para o ano 2000; e, por uma bela demonstração de chutzpah, se pretenderá que um desses especialistas, Bryan Jack, morrerá em seu escritório… porque ele estava no avião AA77 que ali caiu[18].)

A operação não interessa em si aos neoconservadores. O que eles têm a ver com Bin Laden e o Afeganistão? O que eles querem é uma nova guerra contra o Iraque, depois um alastramento do Oriente Médio levando ao esfacelamento de todos os inimigos reais ou potenciais de Israel (as famosas sete nações, das quais o Afeganistão não faz parte). Eles vão, portanto, com a ajuda de seus super-sayanim nova-iorquinos, dar à operação a envergadura que desejam, pegando todos de surpresa. Para desencadear uma guerra de civilização contra o Oriente Médio, um avião caído sobre o Pentágono e algumas dezenas de mortos não são suficientes: é preciso algo muito mais dramático, como a explosão das Torres Gêmeas e 5.000 mortos anunciados. É justamente a ocasião de resolver o problema da remoção do amianto das Torres Gêmeas, que teria custado quase um bilhão de dólares por um método menos expeditivo[19]. Larry Silverstein, Frank Lowy, Lewis Eisenberg e Jeffrey Greenberg estão no negócio. Graças à cumplicidade da mídia, os neoconservadores arrebatam assim o prêmio diante dos pequenos jogadores que são George W. Bush, Colin Powell e Condoleeza Rice. Esses não têm mais nada a fazer senão salvar as aparências, embarcados contra a vontade numa maquinação geopolítica de alcance mundial. Bush se vê obrigado a endossar a invasão do Iraque que seu pai havia recusado aos sionistas dez anos antes. Uma intervenção contra o Irã, sob o mesmo falso pretexto de armamento nuclear, também está no programa. Todos os goyim da administração são pegos de surpresa, exceto Cheney. (Duvido que Rumsfeld tenha anunciado a perda de 2,3 trilhões de dólares em 10 de setembro, se soubesse que os especialistas encarregados de rastreá-los morreriam no dia seguinte; creio antes que a coincidência foi planejada para embaraçá-lo e colocá-lo sob chantagem midiática.)

A intervenção de Lewis Paul Bremer na tarde de 11 de setembro no plato da NBC é talvez reveladora desse cenário de complô pirateado. Recordemos primeiro quem é Bremer: ele intervém como presidente da National Commission on Terrorism. Mas ele também está no conselho de administração da seguradora Marsh & McLennan dirigida por Jeffrey Greenberg, que ocupava os andares 93 a 100 da Torre Norte, ou seja, o local preciso onde, segundo o relatório do NIST (National Institute for Standards and Technology), o Boeing “fez um talho de mais da metade da largura do edifício e que se estendia do 93º ao 99º andar. Todos esses andares eram ocupados pela Marsh & McLennan, que também ocupava o 100º andar[20].” Ora, na NBC, Bremer, aparentemente pouco afetado pela morte de seus empregados (295, oficialmente), designa Bin Laden como sendo “certamente um suspeito principal” (script nº1), mas acrescenta imediatamente: “Mas há outros no Oriente Médio, e há pelo menos dois Estados, o Irã e o Iraque, que devem permanecer na lista dos principais suspeitos” (script nº2). Depois declara que este dia marca uma virada na história: “Este é o dia que mudará nossas vidas. Este é o dia em que a guerra que os terroristas declararam aos Estados Unidos […] chegou aos Estados Unidos[21].” Em 2003, Bremer será promovido a procônsul à frente da Coalition Provisional Authority (CPA) para supervisionar o desmantelamento das infraestruturas do país sob o pretexto da “desbaatização”. Sob sua responsabilidade, 9 bilhões de dólares desaparecerão em fraudes, corrupção e malfeitos, segundo um relatório do Special Inspector General for Iraq Reconstruction Stuart Bowen publicado em 30 de janeiro de 2005[22].

Notas

[1] “Judea Declares War on Germany” ; “The whole of Israel throughout the world is uniting to declare an economic and financial war on Germany.” Alison Weir, Against Our Better Judgment : The hidden history of how the U.S. was used to create Israel, 2014, kindle pos. 3280-94

[2] Kevin MacDonald, Separation and Its Discontent : Toward an Evolutionary Theory of Anti-Semitism, Praeger, 1998, kindle format, 2013, pos. 4675-86.

[3] “an accommodation was reached between the Jewish state in Israel and the Jewish state in America.” Benjamin Ginsberg, “Dilemmas of Jewish Leadership in America”, in L. Sandy Maisel, ed. Jews in American Politics : Essays, Rowman & Littlefield, 2004, p. 2-27, (p. 22).

[4] “I had not known how Jewish I was.” Charles Silberman, A Certain People : American Jews and Their Lives Today, New York Summit Books, 1985, p. 184, cité dans MacDonald, Separation and Its Discontents, op. cit., pos. 6343-50.

[5] Max Blumenthal, Goliath, Nation Books, 2013, p. 28-31.

[6] Congress Bi-Weekly cité par Philip Weiss sur Mondoweiss.net, 23 mai 2007, http://www.mondoweiss.net/2007/05/30_years_ago_ne.html

[7] Le texte complet est disponible sur le site de l’IASPS : http://www.iasps.org/strat1.htm

[8] Webster Tarpley, 9/11 Synthetic Terror Made in USA, Progressive Press, 2008, p. 324 (traduction : La Terreur fabriquée, Made in USA : 11 Septembre, le mythe du XXIe siècle, Demi-Lune, 2006).

[9] Alexander Cockburn (éd.), The Politics of Anti-Semitism, AK Press, 2003, p. 104.

[10] Texte sur le site Crethi Plethi, http://www.crethiplethi.com/letter-from-president-roosevelt-to-king-ibn-saud-april-5-1945/usa/2010/

[11] Cité dans Christopher Bollyn, Solving 9-11 : The Deception that Changed the World, 2012, p. 71.

[12] Novus orbis terrarum (New world order)”, cité dans Thierry Meyssan, L’Effroyable imposture II. Manipulations et désinformations, Alphée, 2007, p. 217-8.

[13] Voir le site officiel du Jerusalem Summit : http://www.jerusalemsummit.org/eng/declaration.php

[14] Expression inventée par Benjamin Barber, Jihad vs. McWorld : How Globalism and Tribalism is Reshapping the World, Ballantine Books, 1996 (sous le terme tribalisme, Barber désigne évidemment le monde arabe, et non le judéo-sionisme).

[15] Lou Dubose et Jake Bernstein, Vice : Dick Cheney and the Hijacking of the American Presidency, Random House, 2006.

[16] Sniegoski, Transparent Cabal, op. cit., p. 324.

[17] Cité dans Jonathan Cook, Israel and the Clash of Civilizations : Iraq, Iran and the Plan to Remake the Middle East, Pluto Press, 2008, p. 33.

[18] Dans les termes du Washington Post : “Bryan C. Jack was responsible for crunching America’s defense budget. He was a passenger on American Airlines Flight 77, bound for official business in California when his plane struck the Pentagon, where, on any other day, Jack would have been at work at his computer” (“Remembering : The Pentagon Victims” : http://www.washingtonpost.com/wp-srv/metro/specials/attacked/victims/v_235.html).

[19] http://911research.wtc7.net/wtc/evidence/asbestos.html

[20] “The aircraft cut a gash that was over half the width of the building and extended from the 93rd floor to the 99th floor. All but the lowest of these floors were occupied by Marsh & McLennan, a worldwide insurance company, which also occupied the 100th floor” : www.nist.gov/customcf/get_pd…, p. 20. Ces éléments ont été analysés par Lalo Vespera dans La Parenthèse enchantée, chapitre 10 (http://www.reopen911.info/News/2012/09/11/la-parenthese-enchantee-1011-lucky-guys/.

[21] “[Ben Laden] certainly has to be a prime suspect. But there are others in the Middle East, and there are at least two States, Iran and Iraq, which should at least remain on the list as essential suspects” ; “It is the day that will change our lives. It is the day when the war that the terrorists declared on the US […] has been brought home to the U.S.” (voir sur YouTube, « Paul Bremer interview, NBC, 12:46, 9/11 », http://www.youtube.com/watch?v=j2pW6WZhZrQ).

[22] Lire sur http://edition.cnn.com/2005/WORLD/meast/01/30/iraq.audit/

Fonte: Egalité et Réconciliation

Laurent Guyénot
Laurent Guyénot
Artigos: 57

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