Khamenei está morto! Vida longa a Khamenei!

Agora que está confirmado que Mojtaba Khamenei foi eleito como Suprema Autoridade da República Islâmica do Irã, vou ter que dizer que a escolha é peculiar.

Em primeiro lugar, tanto Khomeini quanto Ali Khamenei eram contrários a qualquer sucessão pelo princípio familiar. Em segundo lugar, Mojtaba Khamenei não havia ainda termina o percurso clerical até alcançar o mais alto grau de marja ou grão-aiatolá. Seria como a nomeação, para Papa católico, de um arcebispo ou bispo, em vez de um cardeal (guardadas as diferenças entre ambos sistemas clericais).

Isso não quer dizer, porém, que Mojtaba Khamenei não tenha elevadíssimos méritos. Afinal, ele era de fato um aiatolá e um professor do importantíssimo Seminário de Qom.

Em alguma medida, não obstante, é impossível rechaçar que a decisão da Assembleia dos Especialistas tenham tido que se debruçar não apenas sobre considerações espirituais e teológicas, mas levando em consideração o momento de guerra e de perigo. A busca por Deus, naturalmente, não implica ignorar o mundo e o tempo presente.

Nesse sentido, em primeiro lugar, existe aí uma mensagem. A morte de Ali Khamenei foi injusta e, por isso, em seu lugar entra outro Khamenei, seu filho, que recém-perdeu o pai, a mãe, a esposa, um filho, um sobrinho, uma sobrinha e uma irmã. Ele não tem motivo nenhum para desescalar. Ao contrário, ele tem a mais elevada motivação para enfiar o Oriente Médio e, talvez, o planeta, em uma espiral de fogo.

Se Ali Khamenei era um amante da paz e um poeta romântico, Mojtaba Khamenei eleva ao extremo as virtudes guerreiras de seus antecessores. Ele foi, propriamente, da infantaria da 27ª Divisão da Guarda Revolucionária na Guerra Irã-Iraque, tendo participado de pelo menos 5 operações naquela guerra, inclusive a batalha final, a Operação Mersad, uma emboscada contra os terroristas comunistas do MeK.

Desde então, ele tem sido bastante próximo, unha e carne, com as forças da Guarda Revolucionária, o notório “corpo pretoriano” do Guardianato dos Juristas, o projeto neoplatônico-islâmico de Khomeini. Mais especificamente, diz-se que ele tem sido há anos a autoridade por trás do Basij, a milícia de voluntários integrada à Guarda Revolucionária que opera como “polícia política” em ações de segurança, contrainteligência e repressão à subversão.

Tudo isso, muito obviamente, desempenhou um papel em sua escolha. Se o Irã deve sobreviver, é necessário que a nova Suprema Autoridade tenha um maior nível de integração com as forças militares e um maior conhecimento dos assuntos estratégicos e táticos.

Ele representa, portanto, a radicalização da Revolução em sua luta contra os inimigos externos e internos, e os jornais ocidentais interpretam a sua ascensão como o triunfo da “linha-dura”, dos “ultranacionalistas” que querem engajar o Irã numa luta até a morte, sem pactos ou mediações.

Naturalmente, Mojtaba Khamenei liderará sua nação num momento extremamente difícil e ele terá diante de si uma tarefa hercúlea (ainda que a situação na Guerra Irã-Iraque fosse muito pior).

Nós, apoiadores da República Islâmica do Irã, esperamos que a nova Suprema Autoridade rapidamente se decida pela construção de armas nucleares para que, sob o guarda-chuva do terror atômico, a Revolução possa triunfar contra todos os seus inimigos.

Raphael Machado
Raphael Machado

Advogado, ativista, tradutor, membro fundador e presidente da Nova Resistência. Um dos principais divulgadores do pensamento e obra de Alexander Dugin e de temas relacionados a Quarta Teoria Política no Brasil.

Artigos: 57

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *