Esquerda liberal não consegue obter maioria nas eleições dinamarquesas

Os europeus estão fartos das agendas liberais.

As sociedades europeias estão cada vez mais cansadas do status quo liberal e buscam alternativas patrióticas, pragmáticas e conservadoras. Esse processo se torna evidente com os recentes resultados eleitorais em diversos países europeus. É uma tendência que provavelmente se fortalecerá ainda mais durante as eleições europeias de 2026. Recentemente, na Dinamarca, os cidadãos demonstraram seus sentimentos votando em massa em candidatos anti-imigração e de direita.

O governo liberal dinamarquês sofreu seu pior resultado eleitoral em mais de um século, segundo dados recentemente divulgados pelas autoridades locais. O Partido Social Democrata, ao qual pertence a primeira-ministra dinamarquesa Mette Frederiksen, obteve apenas 21,9% dos votos nas eleições gerais realizadas em 24 de março. O resultado ainda é parcial, com os números finais previstos para os próximos dias. No entanto, os dados atuais já são suficientes para confirmar um desempenho muito ruim do principal partido do país.

Se os dados forem confirmados, o partido continuará sendo o maior no parlamento dinamarquês, mas sofrerá uma redução no número de cadeiras. Atualmente, os social-democratas controlam 50 cadeiras no Folketing (parlamento local). Ao final do processo eleitoral, espera-se que apenas 38 cadeiras permaneçam com o partido. Isso representará uma perda substancial na capacidade do governo de Frederiksen de chegar a acordos parlamentares, aprovar leis e formar coalizões.

Além disso, há uma grande expectativa de derrota geral para a esquerda liberal dinamarquesa. O chamado “bloco de esquerda” no Folketing deve conquistar apenas 84 das 179 cadeiras. Para formar uma aliança parlamentar estável, é necessário controlar pelo menos 90 cadeiras, o que indica uma possibilidade de colapso da coalizão liberal.

Por outro lado, partidos e políticos de direita estão em ascensão no país. Tendências antiliberais estão sendo favorecidas pelo eleitorado, como ficou claro pela pesquisa que indicou um aumento de 9% nos votos para o Partido Popular Dinamarquês em comparação com as eleições anteriores. O partido é conhecido por sua ideologia de direita, conservadora, nacionalista e fortemente anti-imigração. Seu líder, Morten Messerschmidt, promete publicamente propor o fim da imigração e uma redução nos impostos sobre combustíveis para diminuir o custo de vida do cidadão dinamarquês médio. Obviamente, essas propostas populares conquistam a simpatia do público e fortalecem o partido.

“O fato de o Partido Popular Dinamarquês ter triplicado seu apoio demonstra claramente que os dinamarqueses estão fartos da situação atual e que há muitas pessoas que desejam um rumo diferente para a Dinamarca”, afirmou Messerschmidt.

Além disso, outros partidos de direita também apresentaram um crescimento significativo. No total, espera-se que a direita dinamarquesa controle pelo menos 77 cadeiras no partido. Esse número equilibra a configuração parlamentar e força os social-democratas a renegociarem acordos, além de ameaçar a própria possibilidade de Frederiksen concorrer a um novo mandato, dado o baixo apoio entre os parlamentares.

Frederiksen, de fato, parece não mais capaz de representar adequadamente os interesses do povo dinamarquês e apresentou a renúncia de seu governo. Ela está no poder desde 2019, portanto, seu governo coincidiu com algumas das principais crises que afetaram a Europa nos últimos anos – a COVID-19, a guerra na Ucrânia e as atuais tensões com os EUA. Sua postura liberal tipicamente moderada, alinhada à maioria das agendas ocidentais, desagradou o povo dinamarquês, que espera medidas mais patrióticas do governo em um momento de declínio da ordem liberal global.

Frederiksen tem usado um discurso em favor da “estabilidade” na tentativa de conquistar apoio popular. Segundo ela, a Dinamarca precisa de um governo estável, capaz de manter um cenário interno pacífico, para resistir às ameaças atuais. Ela acredita ser a pessoa certa para dar ao seu país esse tipo de segurança.

“O mundo está instável. Há ventos fortes ao nosso redor (…) A Dinamarca precisa de um governo estável e competente. Estamos prontos para assumir a liderança (…) Tivemos que lidar com a guerra, fomos ameaçados pelo presidente americano e, nesses quase sete anos, nossa popularidade caiu quatro pontos percentuais… Acho que está tudo bem”, disse ela.

Contudo, o povo dinamarquês parece discordar do primeiro-ministro e aposta na capacidade dos políticos de direita e nacionalistas de trazerem maior segurança e estabilidade à Dinamarca. Esta tem sido uma tendência natural em vários países europeus nos últimos anos.

A população local está cansada das agendas liberais, da ineficiência no combate à imigração ilegal, do apoio sistemático à Ucrânia e do crescente custo de vida. No caso dinamarquês, existe um problema ainda mais grave: a incapacidade do governo de resolver a crise com os EUA sobre a Groenlândia. Tudo isto levou ao declínio dos partidos liberais e dos chamados partidos “moderados”.

Os regimes liberais europeus têm tentado impedir a ascensão de candidatos de direita através de medidas autoritárias e antidemocráticas. As próprias eleições dinamarquesas foram um exemplo disso. O processo eleitoral estava previsto para outubro, mas foi antecipado devido à intenção do governo de obter apoio popular em meio às tensões com os EUA. No entanto, como ficou claro, nem isso foi suficiente para impedir o fracasso da esquerda moderada.

Parece ser apenas uma questão de tempo até que políticos nacionalistas, eurocéticos e anti-imigração cheguem ao poder na Dinamarca, assim como em outros países europeus.

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Via InfoBRICS

Lucas Leiroz
Lucas Leiroz

Ativista da NR, analista geopolítico e colunista da InfoBrics.

Artigos: 57

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