Mário Ferreira dos Santos

A verdade sobre o pensamento de Mário Ferreira dos Santos

Mário Ferreira dos Santos foi um dos maiores nomes do mundo, no século XX, nos estudos metafísicos e pitagóricos, não há exagero nenhum nisso. O maior metafísico da filosofia brasileira. Talvez a maior usurpação na história do pensamento filosófico brasileiro tenha sida a apropriação da obra desse pensador por um pretenso filósofo que vive na Virgínia e sua seita de fanáticos. A curiosidade nos faz pensar se tal apropriação se deu por incapacidade interpretativa ou por mau caráter intelectual. Como um filósofo que reúne em seu pensamento elementos de Nietzsche, Proudhon, misticismo pitagórico e gnose é resumido pelos membros da seita da Virgínia como um mero “filósofo conservador”? Chega a ser risível ver essas pessoas elogiando Mário Ferreira dos Santos enquanto criticam severamente Nietzsche ou desconhecendo o fato de que o tieteense admirava pensadores que muitos chamariam até mesmo de ocultistas. Aliás, o próprio Mário se encaixa na duvidosa categoria de “gnóstico”, que parece servir para todos que discordam dos alunos de um certo infame seminário de filosofia. Poucos atestados de burrice são mais divertidos de se observar. O fato de qualquer pensador ser um crítico do marxismo não é o suficiente para transformá-lo em apologista do conservadorismo rasteiro típico das direitas apátridas.

É urgente e obrigatório que o pensamento de Mário Ferreira dos Santos seja arrancado desses deturpadores desonestos. Sua metafísica é bela e profunda demais para servir como instrumento do neoconservadorismo palerma de usuários de gravatas borboleta.

Mas, o que, exatamente, Mário Ferreira dos Santos abordou em seu pensamento? Como já foi dito, o ponto forte de sua imensa obra é a metafísica (ao contrário de Vicente Ferreira da Silva, que partia de uma crítica heideggeriana à metafísica. Nesse caso, muito mais do que opostos, seus pensamentos devem ser dialeticamente complementares). Mário trabalha, como ferramentas, com os arithmoi arkhai, os números arquetípicos, interpretados como uma espécie de princípio arcano que estruturam a existência através de suas normas sempiternas e imutáveis. Nessa incessante labuta filosófica, ele almeja a Mathesis Magiste: aquele conhecimento que é a base de todos os outros conhecimentos. Podemos tentar traçar esse itinerário em algumas de suas obras. O início em Filosofia e Cosmovisão é, obviamente, uma apresentação dos conceitos mais primordiais da Filosofia, uma apresentação do tema. Em seguida, em Lógica e Dialética, ele apresenta sua teoria da decadialética, ferramenta dialética que trabalha com a inclusão e não com a exclusão, como uma espécie de alternativa ao método hegeliano. Sua intenção não é a síntese praticada pelo alemão, mas sim a continuação do percurso filosófico em busca da verdade suprema. É uma dialética que abre caminhos, cria possibilidades, não que sintetiza.

Depois de prosseguir nas obras Noologia Geral e Filosofia Da Crise, chegamos à sua obra prima metafísica, o monumento do espírito chamado Filosofia Concreta, leitura absolutamente indispensável. Aqui, Mário Ferreira dos Santos, aproveitando as possibilidades filosóficas disponibilizadas por ele mesmo, se incumbe da hercúlea tarefa de reedificar o edifício de todo o pensamento humano, partindo do pensamento mais primário: “alguma coisa há”. Assim se inicia a jornada em busca da Mathesis Magiste. Jornada que para nós, tradicionalistas, pode e deve conduzir em direção ao sagrado, para fora da modernidade.

Esses processos empregados por Mário, sua decadialética e o percurso do Filosofia Concreta, servem como ferramentas filosóficas e políticas para os quarto-teóricos. Os procedimentos já são semelhantes aos que utilizamos no exame das ideias do passado e na adoção de suas peças que ainda permanecem atuais. A obra do paulista é um majestoso exemplo de filosofia que soube nascer da análise e da fusão de elementos positivos de várias fontes: pitagorismo, escolástica, anarquismo e nietzscheanismo. É importante perceber que o pensamento original que ele criou, utilizando elementos tão díspares, foi algo extremamente original, natural e ordenado, qualidades que são imprescindíveis também na visão de mundo que está sendo construída pela Nova Resistência Brasil e que serve como prova final de que não há nenhum elemento de seu pensamento nas ideias e métodos daqueles que usurparam seu legado intelectual. Nós somos os verdadeiros continuadores de seu pensamento e de sua metodologia!

Luiz Campos

Membro da NR-MG, leciona História e Filosofia.

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