Abrir a economia é matar a economia:

Qual é a “receita” que os gurus da economia ortodoxa, e da pseudo-economia austríaca, querem aplicar no Brasil? Abertura econômica. A economia brasileira é “supostamente” protecionista em comparação com as economias do Primeiro Mundo, e essa seria uma das principais causas de nossa atual crise e de nosso subdesenvolvimento de longa data.

Isso faz algum sentido? Esses “gurus” falam como se o Brasil não tivesse passado por processos de abertura econômica (como a abertura para o capital financeiro internacional no início da ditadura militar), e como se essa experiência não nos tivesse ensinado que essa abertura foi ruinosa a longo prazo.

O cerne da questão é que nenhum dos países que enviam estes especialistas ao Brasil fez uso dessa fórmula para atingir seu grau atual de desenvolvimento econômico.

A história demonstra que países como Grã-Bretanha, EUA, Alemanha, Japão, Rússia, China, Coreia do Sul e todos os outros países industrializados aplicaram um receituário completamente diferente: altos investimentos estatais + altos subsídios estatais + barreiras alfandegárias + foco na diversificação e na complexificação dos processos produtivos.

Os poucos entre estes países que se aproximaram do liberalismo prático ao longo de sua história o fizeram apenas limitadamente e apenas após atingirem um pleno desenvolvimento industrial. Por motivos simples: se a sua economia é mais forte, reduzir barreiras alfandegárias é vantajoso, economicamente, em relação a países de economia mais fraca.

Não foi por outro motivo que Trump foi eleito nos EUA. Foram os memes? Não. Foi a alt-right? Não. Reagan quebrou a economia americana. As empresas americanas abandonaram o país em troca do Sudeste Asiático. O coração industrial dos EUA virou o “Rust Belt”, o “Cinturão da Ferrugem”. Foi para resolver esse problema, e nas costas de eleitores preocupados e vitimados pela decadência econômica dos EUA, que ele venceu. Obviamente, ele não vai solucionar o problema, porque isso implicaria ir contra interesses tão fortes que seriam capazes de derrubá-lo.

Curiosamente, no Brasil insiste-se em defender o oposto disso. Apesar dos erros dos militares, apesar das insanidades de Collor e de FHC, aqui se insiste em tentar vender o receituário liberal. Como se já não fôssemos suficientemente subdesenvolvidos. Como se o Plano Real já não tivesse quebrado incontáveis empresas nacionais.

O único caminho possível para o Brasil está em seguir na direção oposta.

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