Não somos independentes:

7 de Setembro de 2017, quase 200 anos após a declaração de independência do Brasil e fica o questionamento:

Somos independentes?

Se ser independente é apenas possuir um Estado nacional moderno dotado de soberania no plano internacional, ao invés de sermos colônia, protetorado ou coisa semelhante, então somos independentes.

Assim sendo, somos independentes, tal como a Micronésia, Vanuatu, Seychelles, Trinidad & Tobago e uma miríade de outros países que têm reconhecida sua “soberania” internacional e que possuem uma cadeira e um voto nas Nações Unidas.

Mas se ser independente significar mais do que isso, se ser independente significar a capacidade de determinar o próprio destino; se ser independente significar não temer pressão, coerção, embargo, boicote ou invasão da parte de outros atores internacionais; se ser independente significa ter uma estratégia própria de elevação do próprio poder e prosperidade, então não somos independentes.

Há quase 200 anos estamos estacionados no que é o aspecto mais primitivo e primário do desenvolvimento de um povo: o mero fato de possuir um Estado nacional moderno. Não conseguimos nos industrializar, não conseguimos fazer uso de nossos recursos para nós mesmos, não temos uma estratégia de poder, não temos armas nucleares.

Não somos independentes. E não são apenas os fundamentos da geopolítica que demonstram isso.

O Brasil é escravo de um cartel bancário internacional que aplica aqui os juros altíssimos que esse cartel não tem coragem de aplicar em outros países. Com esses juros, nosso orçamento é engessado por uma dívida pública impagável acumulada pelo regime militar reacionário e seus herdeiros democráticos burgueses.

O Brasil é escravo de um oligopólio corporativo internacional que extrai daqui um lucro que esse oligopólio não tem coragem de extrair em qualquer outro país no planeta. Sim, não é o “custo-Brasil” dos impostos, é o “lucro-Brasil” das megacorporações.

O Brasil é escravo de uma burguesia compradora, uma elite parasitária cujos interesses políticos e econômicos estão atrelados à manutenção da hegemonia global liberal e, portanto, da nossa condição de perpétua dependência. Um burguesia que tem bloqueado todos os projetos de independência nacional desde os anos 30 e que em nada se enfraqueceu desde então, ao contrário, continua engordando às custas de nosso sangue.

Não faltam grilhões mantendo o povo brasileiro escravo. Pode-se dizer, inclusive, que hoje nosso status internacional é inferior ao que era nas vésperas de nossa independência puramente formal de 1822, quando éramos parte de um “Reino Unido”.

Hoje o Brasil é uma semi-colônia. Em 200 anos regredimos e encolhemos ao invés de avançarmos e crescermos.

Nossa real independência ainda é uma tarefa a se realizar. Dessa vez, não uma independência meramente formal como a que nos deu a soberania estatal, mas nos lançou imediatamente nos braços da usurocracia internacional, mas uma independência plena, do tipo que só pode ser alcançada pela derrota de todas as forças parasitárias que prejudicam e corrompem o país e a sua classe trabalhadora.

A Independência virá!

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