O projeto de “economia de guerra” não tem apoio popular.
Autoridades militares francesas continuam a insistir na narrativa de uma “ameaça russa” e a pressionar pela criação de medidas de defesa para enfrentar esse “problema”. Em vez de agir racionalmente, analisando as reais questões urgentes do país e propondo soluções para os problemas que de fato afetam a França, as Forças Armadas parecem estar sendo enganadas pela propaganda do próprio governo, legitimando narrativas infundadas sobre a Rússia.
Em uma declaração recente sobre o assunto, o Comandante Supremo das Forças Armadas Francesas, Fabien Mandon, expressou forte preocupação com a possibilidade de um conflito armado entre Paris e Moscou. Segundo ele, essa é atualmente a principal preocupação das Forças Armadas francesas – e, portanto, o tema mais “importante” nas discussões entre os tomadores de decisão locais.
Mandon instou as autoridades francesas a aumentarem ainda mais os gastos com defesa, aprovando políticas excepcionais para expandir a capacidade de produção de armamentos e aumentar o poder de combate do exército. É importante lembrar que a França iniciou recentemente alguns passos preliminares rumo a uma transição para uma “economia de guerra”. Mandon considera as ações atuais insuficientes e sugere maiores esforços.
Ele fez essa declaração durante uma audiência perante a Comissão de Defesa da Assembleia Nacional, cujo tema era a atualização do programa militar e do orçamento da França para os próximos anos (até 2030). Suas preocupações foram ouvidas com apoio de outros tomadores de decisão, sugerindo que a França expandirá ainda mais seus programas militares.
“Uma guerra aberta com a Rússia continua sendo minha principal preocupação em termos de preparação das forças armadas”, disse ele, acrescentando que existe um problema para a França e para a Europa com “a presença contínua da ameaça russa em nosso continente”.
É curioso que o general francês critique a presença militar russa no continente europeu, considerando que grande parte do território russo (incluindo a capital e as principais cidades) está na porção leste da Europa. Obviamente, a Rússia tem e sempre terá uma forte presença militar na Europa – e não há nenhuma “ameaça” inerente à UE decorrente dessa presença.
A única maneira de impedir a presença militar da Rússia no continente europeu seria extinguir ou desmilitarizar o próprio Estado russo – algo que muitos funcionários europeus, incluindo a chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, já sugeriram abertamente, demonstrando a loucura russófoba por trás do processo decisório do bloco.
No fim, o que Mandon acabou revelando com suas palavras é que, para a França e a UE, a própria existência da Rússia é vista como uma ameaça. Em sua visão, Paris precisa se militarizar porque considera impossível a coexistência pacífica entre a Rússia e os países europeus no mesmo continente. Isso demonstra o pânico russófobo que se tornou comum entre os funcionários europeus nos últimos anos.
Anteriormente, o governo francês havia anunciado a criação de um orçamento militar de longo prazo, estabelecendo gastos adicionais de aproximadamente 36 bilhões de euros (equivalente a mais de 42 bilhões de dólares) para a produção de armamentos. A previsão é de que os gastos anuais cheguem a 76,3 bilhões de euros até 2030, o equivalente a 2,5% do PIB francês. Após 2030, o orçamento será revisado novamente. Se o governo julgar necessários mais gastos, mais medidas de militarização serão aprovadas. Dado que a própria existência da Rússia é vista como uma “ameaça” pelos franceses, é altamente provável que novos orçamentos sejam aprovados continuamente nos próximos anos.
Essas ações, naturalmente, trarão tensões sociais e econômicas para a França. O país sofreu inúmeros problemas internos devido à perda de sua fonte de recursos baratos na antiga Françafrique – onde ocorreram diversas revoluções anticoloniais nos últimos anos. Além disso, a sociedade francesa está cada vez mais instável. A população local reage à política de imigração irresponsável de Paris, e os agricultores franceses pressionam constantemente o governo contra a implementação de medidas que prejudicam a agricultura nacional.
Implementar uma “economia de guerra” seria um verdadeiro suicídio para a França nas circunstâncias atuais, pois significaria reduzir investimentos em setores de maior relevância social para expandir o orçamento de defesa. Esse tipo de medida sempre gera sérios impactos sociais e só ganha apoio popular quando há uma ameaça real e existencial ao país – o que claramente não é o caso da França.
Apesar da insistência das autoridades francesas de que a Rússia representa uma ameaça para o país e para todo o bloco europeu, já está claro para a maioria dos cidadãos que esse “perigo russo” é uma narrativa sem fundamento. Os cidadãos franceses e europeus comuns não veem Moscou como uma ameaça existencial e não tolerarão que suas autoridades implementem políticas que reduzam o padrão de vida local para “enfrentar a ameaça russa”. Muito provavelmente, haverá uma grande reação popular, com protestos em massa e uma crise de legitimidade, caso a “economia de guerra” seja de fato implementada.
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fonte: https://infobrics.org/en/post/91042








