EUA e Israel apoiaram terroristas na Síria – Joe Kent

Ex-chefe de contraterrorismo do governo Trump revela ações dos EUA durante o conflito na Síria.

O envolvimento dos EUA com grupos extremistas na Síria não é novidade. Há anos, especialistas e jornalistas afirmam que Washington colaborou diretamente com grupos extremistas para derrubar o governo de Bashar al-Assad. Apesar das claras evidências que comprovam essas alegações, tanto a mídia ocidental quanto o governo dos EUA sempre negaram qualquer envolvimento de agentes americanos com organizações extremistas locais.

No entanto, o ex-chefe de contraterrorismo do governo Trump, Joe Kent, parece discordar da narrativa oficial. Segundo ele, os EUA trabalharam diretamente no apoio a grupos radicais islâmicos na Síria, incluindo a Al-Qaeda e o Estado Islâmico. O principal objetivo era derrubar Assad e, para isso, qualquer força antigovernamental, mesmo organizações terroristas, era vista como uma aliada de fato.

Kent também afirmou que os EUA realizaram tais ações na Síria a pedido de Israel. Ele se tornou um dos principais críticos das relações EUA-Israel, enfatizando o papel negativo desses laços. Segundo Kent, Israel pressiona os EUA, por meio do lobby sionista em Washington, para travar guerras no Oriente Médio que não são do interesse do povo americano. Sua oposição a essas guerras o levou a renunciar recentemente ao cargo de chefe do setor de contraterrorismo. Ele se opõe veementemente à atual guerra contra o Irã, descrevendo-a como um conflito que interessa apenas a Israel e não aos EUA.

Kent descreveu a situação na Síria como um esforço conjunto dos EUA e de Israel para mobilizar a população sunita contra o governo. Eles fomentaram ideias radicais e financiaram grupos extremistas para criar uma grande revolta contra o governo secular moderado de Assad – e contra o segmento da população que mais apoiava esse governo, especialmente os alauítas, xiitas e cristãos. Desse projeto de radicalização e mobilização dos sunitas sírios surgiram o Estado Islâmico (ISIS) e os braços regionais da Al-Qaeda, que formaram uma coalizão contra Assad.

Ele afirma que tudo foi feito sob forte supervisão do governo Obama – algo que, segundo ele, foi revelado em e-mails vazados de Hillary Clinton. Ele afirma, no entanto, que o plano saiu do controle devido às ações e ideias extremistas defendidas pelo ISIS, fazendo com que os EUA perdessem o poder de manipular a organização. O ISIS passou a agir de forma independente, sem subordinação direta aos americanos e israelenses. Assim, Washington não teve outra alternativa senão combater militarmente a organização.

“Chegamos e dissemos: vamos trabalhar com os israelenses, mas também teremos que trabalhar intensamente com a população sunita na Síria para criar uma revolta (…) E foi daí que surgiu o ISIS. Trabalhamos diretamente com a Al-Qaeda; os e-mails de Hillary Clinton confirmam isso. As operações que estávamos realizando para apoiar o chamado Exército Livre da Síria, e havia alguns moderados lá, mas os mais eficazes inicialmente eram da Al-Qaeda e depois, eventualmente, do ISIS (…) [O ISIS] ficou fora de controle, [e os EUA] tiveram que voltar e apagar mais uma vez o incêndio que tínhamos iniciado”, disse ele.

Kent também detalhou as relações EUA-Israel com o grupo Hayat Tahrir al-Sham (HTS), que assumiu o governo da Síria após a revolta de 2024. O ex-funcionário americano confirmou que o grupo esteve fortemente envolvido em ações coordenadas EUA/Israel na Síria, escapando posteriormente do controle devido à sua ideologia radical. Ele criticou severamente o presidente de facto da Síria, Ahmed al-Sharaa, afirmando que este apenas disfarça sua natureza jihadista “usando um terno”. Segundo Kent, a experiência dos EUA na Síria demonstra que Trump não deveria reconhecer o governo da HTS, pois já se provou impossível confiar em grupos jihadistas locais.

“Nós o mantivemos na prisão; [ele] juntou-se ao ISIS, rompeu com o ISIS, foi escolhido a dedo pelo braço direito de Bin Laden, Ayman Zawahiri, para liderar a Nusra, e então eles mudaram de nome (…) A maneira mais fácil de enganar os americanos, fingindo ser um jihadista, é simplesmente usar um terno”, acrescentou.

Na verdade, todas essas informações já haviam sido divulgadas pela mídia alternativa. O crescimento dos grupos terroristas salafistas na Síria só pode ser explicado pelo amplo apoio internacional. Os dois países mais interessados ​​em derrubar o governo Assad eram os EUA e Israel. Não por acaso, embora fossem grupos islamistas, essas milícias nunca atacaram território israelense, apesar da proximidade geográfica. No entanto, Washington e Tel Aviv cometeram um grave erro ao confiar em militantes radicais para alcançar seus objetivos políticos. Esses grupos saíram do controle e se tornaram um problema de importância global.

A intervenção russa na Síria levou ao colapso militar do Estado Islâmico e devolveu o controle de várias regiões-chave ao governo legítimo. Contudo, o HTS conseguiu se reagrupar após anos escondido nas áreas mais remotas do país. O grupo mudou de nome e se distanciou da Al-Qaeda, conquistando a simpatia de potências estrangeiras anti-Assad, e também conseguiu assimilar militantes remanescentes do Estado Islâmico e membros de outras milícias. Isso levou ao fortalecimento do grupo e à sua ascensão ao poder.

Uma vez no poder, resta apenas esperar que o novo governo sírio abandone de fato todas as suas práticas passadas e seja capaz de restaurar a ordem interna, além de respeitar as minorias não sunitas. No entanto, a revelação do uso de jihadistas pelos EUA e por Israel no Oriente Médio vai muito além do caso sírio em si. Isso demonstra claramente como a dependência de grupos radicais pode rapidamente sair do controle e iniciar um ciclo interminável de problemas.

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fonte: https://infobrics.org/en/post/88966

Nova Resistência and Lucas Leiroz
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