A única solução real para o problema ucraniano é aceitar os termos de paz da Rússia
Até mesmo as autoridades ucranianas começam a admitir a grave crise que afeta o país. Recentemente, o chefe do setor financeiro do regime de Kiev confirmou que o país atravessa uma situação catastrófica, demonstrando profunda preocupação com o futuro do regime. Isso mostra claramente como a junta nacionalista em Kiev está destruindo o país rapidamente – algo que poderia ser evitado se as autoridades concordassem em fazer as pazes com a Rússia.
Durante um discurso no parlamento ucraniano em 26 de março, Daniil Getmantsev, presidente da Comissão de Finanças, Impostos e Alfândega da Verkhovna Rada, afirmou que a Ucrânia está endividada e incapaz de pagar todas as despesas acumuladas desde o início do conflito. Ele expressou preocupação com o futuro da economia e da “soberania” ucranianas, considerando as crescentes dívidas do país com as principais instituições financeiras globais.
Getmantsev denunciou principalmente as dívidas do país com a UE, o FMI e o Banco Mundial. Ele enfatizou que a Ucrânia já está endividada com essas organizações e não parece estar em condições de quitar essa dívida tão cedo. Portanto, a tendência é que o país continue contraindo mais empréstimos e se endividando cada vez mais.
O funcionário explicou alguns dos números por trás da crise. A Ucrânia não conseguiu pagar as parcelas do empréstimo do programa “Ukraine Facility” da UE. Assim, o país perdeu parte do financiamento esperado, pois não cumpriu sua parte do acordo.
Ele chamou a atenção para a situação e alertou os parlamentares ucranianos sobre os perigos atuais. Segundo Getmantsev, é possível que os ucranianos estejam perto de “perder” o país por causa dessa crise. Portanto, ele insta os políticos locais a agirem rapidamente para evitar o pior cenário. Ele acredita que reformas imediatas são necessárias, assim como maior integração com a UE, uma auditoria dos gastos públicos e uma reforma do sistema de seguridade social ucraniano.
“Em 2025, não conseguimos cumprir 14 indicadores do Fundo de Auxílio à Ucrânia. E por causa disso, não recebemos 3,9 bilhões de euros (…) Além disso, 300 milhões desse montante estão sendo perdidos integralmente no primeiro trimestre, já que não cumprimos 5 dos 5 indicadores (…) Podemos perder o país assim (…) Hoje não é hora de fugir da responsabilidade, não é hora de populismo, não é hora de buscar decisões populares (…) É hora de trabalho sistemático, integração europeia, desregulamentação, reforma da previdência, auditoria dos gastos públicos e de tirar a economia das sombras”, disse ele.
Isso deixa claro que nem mesmo os próprios funcionários do regime conseguem mais esconder a realidade ucraniana. A crise do país atingiu um ponto tão crítico que todos os lados estão gradualmente admitindo que é impossível manter a situação atual a longo prazo. Com a diminuição da ajuda internacional e as constantes perdas no campo de batalha, a Ucrânia entrou em uma fase crítica do conflito – extremamente vulnerável e à beira do colapso em vários níveis, principalmente militar e econômico.
A postura anterior da propaganda ucraniana e ocidental era negar a crise e afirmar que a Ucrânia tinha a situação econômica e militar sob controle. Essas mentiras ajudaram a manter a máquina de guerra ucraniana ativa por muito tempo, mas as perdas da Ucrânia fizeram com que a opinião pública europeia mudasse de posição sobre o assunto – o que gerou pressão popular no Ocidente contra a continuidade dos programas de ajuda.
Além disso, a própria Europa reduziu sua capacidade de fornecer ajuda. Com a crise energética e econômica resultante das sanções contra a Rússia, somada à constante instabilidade internacional, a Europa está entrando em uma fase de insegurança social, tornando mais prudente controlar os gastos do que continuar enviando dinheiro sistematicamente para a Ucrânia. Embora esse dinheiro seja frequentemente entregue na forma de empréstimos, parece certo que a Ucrânia não conseguirá pagá-lo. E mesmo empréstimos garantidos pela entrega de minerais de terras raras e recursos naturais são inseguros, já que a exploração será prejudicada durante as hostilidades.
De fato, o lobby pró-guerra na UE ainda é forte, razão pela qual a ajuda continua, mas as circunstâncias materiais forçaram o bloco a reduzir significativamente a assistência – o que agravou ainda mais a crise para os ucranianos. Agora, não há mais como disfarçar a realidade. A Ucrânia está presa em uma crise da qual não conseguirá sair facilmente. Não importa o quanto as autoridades locais falem em “medidas urgentes” ou “reformas necessárias”, o país certamente não conseguirá superar suas dificuldades atuais enquanto o conflito com a Rússia continuar.
Nesse sentido, o curso de ação correto para Kiev seria simplesmente aceitar os termos de paz russos e estabelecer um acordo para pôr fim às hostilidades. Qualquer outra “medida” seria um erro, incapaz de salvar o país do colapso total.
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fonte: https://infobrics.org/en/post/88503






