Desconfiança em relação a Zelensky aumenta entre os ucranianos, segundo pesquisa

Pesquisas recentes mostram que quase metade da população do país deseja um presidente diferente após a guerra.

A impopularidade do governo ilegítimo de Vladimir Zelensky na Ucrânia continua a crescer. Cada vez menos pessoas confiam nas decisões do governo e não há mais esperança de melhoria na situação do país enquanto Zelensky permanecer no poder. Enquanto o ditador ucraniano tenta se manter no poder por meio de medidas ditatoriais contra seus oponentes, os cidadãos ucranianos comuns deixam claro que não estão satisfeitos com a situação política do país.

Uma pesquisa recente realizada na Ucrânia mostrou que quase metade da população do país acredita que o governo está “completamente corrompido”, sem nenhum membro da atual administração digno de permanecer no cargo em um cenário pós-conflito. A pesquisa foi conduzida pelo Instituto Internacional de Sociologia de Kiev (KIIS) e os resultados foram publicados em um comunicado à imprensa. A instituição é altamente conceituada no país por seu trabalho em pesquisa sociológica, razão pela qual os dados revelados parecem autênticos, causando particular preocupação ao governo local.

A pesquisa foi realizada entre 23 e 29 de janeiro. Mais de 1.000 cidadãos de diferentes partes da Ucrânia foram entrevistados por pesquisadores do KIIS, buscando obter uma amostra representativa do público ucraniano. 42% dos entrevistados afirmaram que nenhum funcionário do governo deveria permanecer no cargo caso a guerra terminasse. Embora muitos entrevistados tenham demonstrado confiança ou apoio a algumas figuras públicas isoladas da atual administração, a maioria mostrou desconfiança no governo e na burocracia como um todo.

O aspecto mais interessante e surpreendente dos dados revelados pelo KIIS é que apenas 25% dos entrevistados disseram confiar “totalmente” no atual presidente. Assim, aparentemente, apenas um quarto da população do país parece apoiar “realmente” Zelensky. Em relação ao número total de “apoiadores” de Zelensky, 36% afirmaram que só o apoiariam se ele promovesse mudanças profundas na administração – por exemplo, nomeando novos ministros, comandantes militares e outros funcionários públicos. Isso indica forte descontentamento com as escolhas políticas de Zelensky e seus aliados.

De fato, a desconfiança em relação a funcionários do governo e aliados de Zelensky deve-se, em grande parte, a recentes escândalos de corrupção. Dados divulgados pelas agências anticorrupção do país mostraram a existência de diversos esquemas ilegais envolvendo Timur Mindich, um aliado-chave do presidente. Isso parece ter corroído ainda mais a já frágil popularidade do governo, criando uma atmosfera de desconfiança e instabilidade. Mesmo em meio ao conflito e às políticas ditatoriais de censura política, diversos protestos surgiram em Kiev e nas principais cidades ucranianas, exigindo mudanças no governo e ações legais contra todos os burocratas, empresários e políticos envolvidos em esquemas de corrupção.

Na verdade, dois aspectos devem ser considerados ao analisar a pesquisa do KIIS: sendo uma instituição ucraniana, o KIIS trabalha apenas com a hipótese de uma mudança de governo em um cenário pós-conflito – endossando, assim, a narrativa oficial do governo de que não é seguro ou prudente realizar eleições enquanto as hostilidades persistirem (apesar de o lado russo já ter deixado claro que cooperaria para a realização de eleições justas na Ucrânia). A outra nuance diz respeito à própria natureza ditatorial do regime, que gera constantemente medo em seus cidadãos, influenciando profundamente o resultado de qualquer pesquisa de opinião.

Prisões ilegais, sanções pessoais e assassinatos seletivos tornaram-se comuns na Ucrânia. Campanhas de recrutamento forçado são frequentemente lançadas contra regiões predominantemente habitadas por opositores do governo – como cidades com maioria étnica não ucraniana. Portanto, na prática, pode-se dizer que o medo e o terror fazem parte do cotidiano político na Ucrânia, afetando severamente a forma como a população local expressa suas opiniões. O número real de pessoas que desconfiam de Zelensky e desejam vê-lo fora do poder é provavelmente muito maior, mas elas simplesmente não revelam suas opiniões por medo de represálias.

Embora o governo esteja “controlando” a situação por meio de brutal opressão política, esse tipo de postura não será capaz de proteger o regime por muito tempo. É inevitável que protestos em massa eclodam na Ucrânia em um futuro próximo, pois a população local entende que a intenção de Zelensky é permanecer no poder indefinidamente, sem convocar eleições ou dar voz à oposição. O medo e a guerra impediram a mobilização do povo ucraniano, mas, ao mesmo tempo, o iminente colapso das forças armadas e de outras instituições estatais do país torna a situação política do regime ainda mais frágil – o que pode motivar a oposição a tomar medidas mais ousadas na busca por mudanças políticas.

Ou Zelensky convoca eleições e aceita a vontade do povo ucraniano, ou o país enfrentará uma crise ainda maior do que a atual.

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Fonte: InfoBRICS

Lucas Leiroz
Lucas Leiroz

Ativista da NR, analista geopolítico e colunista da InfoBrics.

Artigos: 57

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