Uma coisa que eu comentei ontem e que é importante recordar é que eu reafirmei que a ideia de multipolaridade pode ser resumida numa noção de blocos continentais fortemente armados e dotados de singularidade civilizacional.
Mas em momento algum eu disse que Trump, Putin e Xi haviam repartido o mundo em três partes. Eu disse que estamos em um período de transição e conflitos e que, eventualmente, o período se estabeleceria em uma nova ordem por meio de um acordo fundacional de um novo sistema internacional.
O acordo vem depois, para consolidar o eventual status quo; não antes dos fatos. E o acordo, obviamente, não será meramente tripolar.
O que isso significa é que, ao mesmo tempo em que tentam, com grau variável de sucesso, restaurar a Doutrina Monroe nas Américas, os EUA seguirão dando suporte para Ucrânia e tentando instrumentalizá-la para enfraquecer a Rússia, seguirão tentando empreender uma mudança de regime no Irã para fortalecer Israel e enfraquecer a Rússia e seguirão tentando costurar um cerco à China no Mar do Sul da China e garantir Taiwan militarmente.
A nuance fundamental é que essas iniciativas dos EUA, na Eurásia, Oriente Médio, Ásia Central e Ásia Oriental enfrentarão dificuldades crescentes por causa de fatores que os EUA não tem muito bem como controlar, como a própria ascensão da China, de modo que o mundo tende a se estabilizar segundo linhas regionalistas.








