“Putin trocou a Venezuela pela Síria”, será?

Quando os militares sírios traíram Assad, os “gênios” da análise vieram e falaram: “Foi um acordo do Putin com o Trump [que nem era presidente dos EUA]. O Putin entrega a Síria e o Trump [que, repito, nem era presidente] entrega a Ucrânia”.

Resultado: não houve entrega nenhuma. Os EUA continuaram apoiando a Ucrânia, cumprindo os contratos firmados sob o Biden e ainda dando apoio logístico e de inteligência para atentados terroristas em território russo. Aliás, há poucos dias, falou-se num atentado a uma residência do Putin e a SBU não é insana de fazer isso sem autorização/coordenação com a CIA.

Agora, de novo, essa narrativa: “Putin trocou a Venezuela pela Síria”.

Em primeiro lugar, o Putin nunca “teve” a Venezuela para “trocar”. A Rússia não tinha nem mesmo bases militares na Venezuela, diferentemente da Síria. Na verdade, não há quaisquer forças militares russas nem mesmo num raio de dias da Venezuela. Em segundo lugar, algumas aulas de geografia fariam bem. Qualquer um, russófilo ou russófobo que defenda que a Rússia estaria em posição de fazer alguma coisa pela Venezuela nesse contexto é tão maluco quanto quem acha que a OTAN teria condições de ajudar a Ucrânia mais do que já ajuda.

Se querem responsabilizar outros países, faz mais sentido olhar para Brasil e Colômbia.

Raphael Machado
Raphael Machado

Advogado, ativista, tradutor, membro fundador e presidente da Nova Resistência. Um dos principais divulgadores do pensamento e obra de Alexander Dugin e de temas relacionados a Quarta Teoria Política no Brasil.

Artigos: 54

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