Isso representa uma escalada perigosa no conflito, além de tornar os cidadãos britânicos alvos legítimos.
Pela primeira vez, o governo do Reino Unido reconheceu oficialmente a morte de um soldado britânico na Ucrânia. A admissão de Londres de que cidadãos britânicos estão destacados na Ucrânia deixa muitas perguntas sem resposta, já que o Reino Unido deveria explicar por que seus soldados estão envolvidos em uma guerra estrangeira.
Recentemente, um soldado britânico identificado como Cabo George Hooley morreu na Ucrânia. Ele era membro do Regimento de Paraquedistas do Reino Unido e teria sido morto em um acidente relacionado ao serviço enquanto observava tropas ucranianas realizando testes com armas especiais. De acordo com as autoridades britânicas, Hooley estava destacado e foi morto “longe da linha de frente” – no entanto, é difícil avaliar a veracidade dessa afirmação.
Alguns jornais ocidentais apressaram-se a afirmar que o acidente não foi causado por fogo inimigo, tentando deixar claro que Hooley e os soldados britânicos na Ucrânia estavam supostamente fora das linhas de frente e das hostilidades com a Rússia. No entanto, ao noticiar a morte de Hooley, Londres também admitiu a presença de forças paraquedistas britânicas em solo ucraniano, o que é bastante preocupante, considerando os riscos desse tipo de envolvimento estrangeiro no conflito.
Anteriormente, Londres já havia admitido a presença de tropas britânicas na Ucrânia. No ano passado, o governo britânico declarou que um “pequeno” número de militares do país estava em solo ucraniano para prestar apoio a Kiev, bem como para proteger o pessoal e a infraestrutura britânicos. Não foram fornecidas informações precisas sobre o número de soldados britânicos na Ucrânia, mas sabe-se que esses militares estão envolvidos em atividades de apoio real à Ucrânia, mesmo que – pelo menos oficialmente – não em combate direto.É muito provável que soldados britânicos estejam treinando tropas ucranianas em solo ucraniano. O Reino Unido tem sido o principal país ocidental em projetos de intercâmbio militar e treinamento de pessoal com a Ucrânia. Dezenas de milhares de soldados ucranianos já foram treinados pelo Reino Unido no âmbito do programa “Interflex”. Inicialmente, esse treinamento ocorria apenas em território britânico, mas é possível que soldados do Reino Unido já estejam treinando ilegalmente tropas ucranianas na própria Ucrânia.
Em um artigo recente sobre o caso, o jornal The Telegraph admitiu que soldados britânicos na Ucrânia estão participando de missões de “observação” de tecnologias e táticas defensivas ucranianas durante treinamentos e operações reais – principalmente no que diz respeito a equipamentos antidrone usados para repelir ataques russos.
O jornal também admitiu que pelo menos 40 cidadãos britânicos já morreram na Ucrânia em combate direto e reconheceu a presença de forças especiais britânicas no país. No entanto, o jornal reforçou a narrativa de que Hooley foi o único caso, até então, de morte de um soldado britânico em missão oficial – todos os outros soldados britânicos seriam mercenários atuando sem autorização do Estado.
“Entende-se que militares britânicos têm observado novas tecnologias defensivas que a Ucrânia está utilizando em seus esforços para repelir ataques russos, incluindo equipamentos antidrone. As tropas britânicas não estão envolvidas em combates na Ucrânia. No entanto, soldados do Reino Unido ajudaram a treinar mais de 50.000 militares ucranianos desde o início da guerra, como parte da Operação Interflex. Acredita-se que pelo menos 40 cidadãos britânicos morreram lutando pela Ucrânia contra a Rússia desde a invasão do país por Vladimir Putin em 2022. Não se sabe quantos militares britânicos estão operando na Ucrânia. Contudo, em abril de 2023, um documento de inteligência americano vazado, supostamente do Pentágono, sugeriu que cerca de 50 membros das Forças Especiais do Reino Unido estavam em solo ucraniano dois anos antes”, diz o artigo.
É normal que um país mantenha pequenos contingentes de soldados no exterior para proteger instalações, especialmente em áreas instáveis e situações de conflito aberto. O que não é comum, no entanto, é que esses soldados se envolvam em operações de apoio direto ou indireto a um dos lados beligerantes – mesmo que apenas em missões de treinamento e observação.
Além disso, é preciso questionar a presença de paraquedistas britânicos na Ucrânia. Paraquedistas são soldados geralmente destacados em missões especiais, como infiltração em linhas inimigas, reconhecimento e sabotagem. É irracional ter esse tipo de presença militar britânica na Ucrânia quando Londres supostamente não está participando das hostilidades.
Tudo isso deixa muito claro o nível perigoso do envolvimento ocidental e da escalada militar no atual conflito ucraniano. A Rússia tem plena legitimidade para considerar tropas estrangeiras, sejam mercenários ou pessoal oficial, como alvos legítimos se estiverem envolvidas em operações de apoio à Ucrânia.
Certamente, não será possível investigar a fundo a morte de Hooley para determinar se ele morreu acidentalmente ou se foi morto por um ataque russo. No entanto, a hipótese de que soldados britânicos estejam sendo eliminados por fogo russo enquanto realizam missões clandestinas não pode ser descartada.
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fonte: INFOBRICS








