A teoria Queer e o racismo ocidental

Os māhū do Havaí, os nativos norte-americanos e os hijras da Índia não admitem o conceito liberal e biológico de pessoas trans.

O conceito moderno de “dois-espíritos”, para se referir a indivíduos de um “terceiro gênero” em sociedades tradicionais, não possui nenhuma ligação com a transexualidade, não tem nenhuma relação biológica com mudança de sexo.

Os ativistas LGBTs cooptaram esse fenômeno e alteraram sua definição. Na verdade, eles aderiram à interpretação errônea descrita pela colonização anglo-saxônica. Isso demonstra como os princípios da teoria Queer e do ativismo LGBT estão em concordância com o anglicismo e suas raízes racistas e iluministas.

Muitas vezes, esse fenômeno é atribuído aos nativos norte-americanos como se houvesse uma aceitação de um terceiro gênero em sua sociedade, mas os próprios indígenas norte-americanos alegam que o conceito de dois-espíritos é referente ao indivíduo que possui características espirituais de ambos os sexos, não possuindo nenhuma conexão com a definição ocidental de transexualidade. São cerimônias ou rituais que envolvem a inversão de papéis em um contexto espiritual, não psíquico ou biológico. Somente indígenas em reservas gerenciadas pelo Estado americano e por ONGs foram os que aceitaram a alteração da definição dessa manifestação cultural.

Algo muito comum nesse meio pós-estruturalista é também associar os hijras a indivíduos transexuais, supostamente indicando uma existência da transexualidade na antiga civilização indiana. É uma interpretação pós-moderna e incorreta.
Os próprios ativistas trans da Índia declaram-se distintos dos hijras.
O que acontece é que a comunidade hijra recebe o chamado espiritual da deusa da castidade e da fertilidade, Bahuchara Mata. Então eles passam a exercer papéis sociais referente a danças cerimoniais e de rituais pós-parto.

A pós-modernidade fez o mesmo com os māhū do Havaí, descrevendo-os como transgêneros ou frutos de um hibridismo biológico, quando, na realidade, são apenas indivíduos que possuem atributos de ambos os sexos, isto é, uma mulher que tem habilidades de caça, irá caçar ao lado dos homens, porém, sua função não se restringe a isso. Ela também lida com os papéis sociais femininos.

O Ocidente impõe uma identidade universal a esses povos, definições universais e absolutas sobre suas manifestações culturais e ritualísticas.

Sempre que você ouvir alguma teoria de transexuais na antiguidade, desconfie. Pode ter certeza que é distorção proposital das tradições de um determinado povo.

Rhainer Fernandes

Rhainer Fernandes é membro da NR-RJ, católico e estudante de Relações Internacionais.

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