Trumpismo, Falso Populismo (Bolsonarismo) e Delírios Liberais-Democratas

O Prof. André Luiz desmonta narrativa delirante de liberais-democratas sobre o trumpismo e o falso populismo (bolsonarismo) no Brasil.

Dois artigos me chamaram atenção nesses dias, ambos analisando o momento atual do que chamam de populismo no Brasil, e tirando implicações para a nossa realidade política.

Demétrio Magnoli mais uma vez descreveu o fenômeno Trump como uma manifestação do velho racismo do velho sul, que pretenderia reverter o movimento de direitos civis dos anos 1960 e restringir os votos aos brancos e protestantes.

O que o jornalista liberal-democrata não explica com esse reducionismo esdrúxulo é como Trump consegue, com essa base no velho racismo sulista, chegar a 80 milhões de votos no país todo, disputar pau a pau com os Democratas no ”cinturão da ferrugem” do Nordeste, vencer duas eleições consecutivas na cada vez mais latina Flórida, e se tornar o candidato Republicano com maior proporção de votos entre latinos, pretos e gays em cinquenta anos.

Evidente que a narrativa de Magnoli é capenga e enviesada, e que o discurso de Trump repercute em círculos muito mais amplos do que os identificados com o white power.

A cegueira auto-imposta não é, no entanto, desinteressada. Essa abordagem falseada é interessante para a própria mobilização das forças cosmopolitas ianques, bem como o apoio que elas pretendem angariar nos ”países aliados” e comprometidos com a globalização e o cosmopolitismo.

Considerar aqueles 80 milhões de eleitores norte-americanos como racistas confederados — o que já se trata também de um falseamento da própria guerra civil estadunidense — é uma maneira de anestesiar a própria consciência, o equivalente ianque ao rótulo de ”fascista” com que a esquerda brasileira pretendeu explicar a bozóloucura.

O professor Christian Lynch também escreveu uma postagem na mesma toada, que foi depois reproduzida no Portal Disparada, vinculado ao PDT.

A impressão deixada pelo acadêmico da UERJ é de uma meia capitulação: o ”populismo” se fundamentaria na radicalização de um terço da população. Essa estratégia criaria obstáculos quase que inamovíveis para a destituição do líder. Ou seja, o impeachment não rola.

No entanto, e eis a chave em que deve ser entendido o texto de Lynch, ela causa uma polarização com os outros dois terços do eleitorado, que, em uma eleição majoritária, acabariam por derrotar o ”populista”.

É uma leitura também capenga do que aconteceu nos EUA e que vende a esperança de que Bozó não será páreo nas eleições de 2022. Só que, apesar da base mais leal a Trump ser de fato minoritária nos EUA, seu alcance eleitoral vai muito além do terço mencionado por Lynch. Não foram só os ”fanáticos” que preferiram o Republicano no fim desse ano.

De modo similar, não serão só os bozóloucos que vão abraçar Bozó caso ele consiga sobreviver esse ano e venha a disputar em 2022.

Lynch pensa que basta apresentar um candidato de centro pra ter sucesso. Mas tem de ver o que os liberais-democratas pensam ser o centro. Eles acreditam mesmo que anti-abortismo é sinal de ”fascismo”?

André Luiz dos Reis

Historiador, mestrando em História pela UFRJ, cristão ortodoxo e membro da NR-RJ.

 

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