A Hegemonia Israelense em Washington

O controle dos EUA por Israel, especialmente através de seu lobby interno, nunca foi tão forte. Ao mesmo tempo, nunca houve tanto questionamento ao controle israelense da política interna e externa estadunidense. É isso que explica o recrudescimento e intensificação das táticas de engenharia social sionista, com a ênfase no ensino escolar da narrativa do Holocausto judeu, a criminalização das críticas a Israel como antissemitismo e a perseguição a cidadãos que promovem boicotes a produtos israelenses.

No final de cada ano, gosto de comentar sobre o progresso – e os reveses – em nossa luta para fazer o governo dos Estados Unidos entender que ele existe para melhorar a vida dos americanos, em vez de trabalhar em tempo integral para servir aos israelenses e seu poderoso lobby doméstico. Poder-se-ia pensar que nada poderia ficar pior do que a administração Donald Trump rastejando de joelhos para satisfazer todos os caprichos expressos ou discretos do Primeiro Ministro israelense Benjamin Netanyahu, verdadeiramente um dos homens mais vis que já caminharam pela face da terra. Trump se retirou do tratado nuclear com o Irã, um movimento impulsionado por Israel e seu lobby americano apoiado por induções do megadoador do Partido Republicano Sheldon Adelson. Como Israel é uma potência nuclear secreta, com um programa desenvolvido a partir da tecnologia e do urânio roubados dos Estados Unidos, o movimento de Trump foi a última palavra em hipocrisia, permitindo que o que a maioria das nações consideraria como um Estado criminoso tivesse a opção nuclear em relação a seus vizinhos relativamente indefesos.

Além disso, e sem qualquer incentivo real por parte de Israel, Trump derramou presente após presente sobre o Estado judeu, transferindo a Embaixada dos EUA para Jerusalém em violação do status “internacional” da cidade, reconhecendo a anexação por Israel das Colinas de Golã sírias ocupados ilegalmente, e endossando o “direito” de Israel de lidar com os palestinos na Cisjordânia como achar melhor. Nenhuma dessas ações apoiou quaisquer interesses americanos reais, e nem mesmo era necessário fazê-las para aplacar os israelenses. Tampouco era do interesse americano liberar o espião israelense Jonathan Pollard, o espião mais prejudicial da história dos EUA, para que ele pudesse emigrar para Israel, onde ele foi saudado como herói. Desde a saída de Trump do cargo, soube-se que era o genro judeu e sionista de Trump, Jared Kushner, que dirigia grande parte da política em relação a Israel-Palestina.

Recentemente, Trump, a quem a palavra “delirante” parece se aplicar com frequência, declarou enfaticamente que Israel controlava “por direito” o Congresso dos EUA, mas que não o faz mais. Em uma entrevista com alguém chamado Ari Hoffman, Trump declarou que “A maior mudança que vi no Congresso, Israel era literalmente dono do Congresso – você entende isso?… dez anos atrás, quinze anos atrás. E era tão poderoso. Era tão poderoso. E hoje, é quase o oposto. Você tem, entre AOC e Omar e essas pessoas que odeiam Israel com paixão, eles estão controlando o Congresso. Israel não é mais uma força no Congresso! É incrível. Eu nunca vi tamanha mudança. E não estamos falando de um período de tempo muito longo, acho que você sabe exatamente o que estou dizendo. Eles tinham tanto poder. Israel tinha tanto poder, e com razão, sobre o Congresso. E agora não tem! Isso é incrível, na verdade”.

Como faltam provas para essa afirmação de Trump, particularmente porque o Congresso continua a descarregar armas e dinheiro sobre Netanyahu e seu sucessor Naftali Bennett, é preciso assumir que Donald também é ignorante em relação ao domínio do Congresso pelo lobby israelense Ele não deve ter visto a apropriação de um bilhão de dólares para que os israelenses pudessem reconstruir seus estoques de mísseis depois de lançá-los todos em edifícios de apartamentos, hospitais e escolas palestinas. E depois há os bilhões a mais para Israel provenientes do comércio unilateral e de esquemas fraudulentos de caridade e codesenvolvimento, mais o dinheiro escondido em grandes apropriações como o financiamento da Defesa e da Segurança Nacional.

A incapacidade de Trump de compreender a verdade sobre Israel e sua corrupção de nosso governo é mais uma boa razão pela qual os republicanos nunca mais deveriam deixá-lo concorrer à presidência. Mas, é claro, o Partido Republicano em todos os níveis ama Israel tanto quanto os democratas. O comentário inesquecível e indesculpável da Presidente da Câmara Nancy Pelosi: “Eu disse às pessoas quando me perguntaram se este Capitólio desmoronou, a única coisa que restaria seria nosso compromisso com nossa ajuda… e eu nem mesmo chamo isso de ajuda… nossa cooperação com Israel. Isso é fundamental para quem somos” poderia ter saído da boca de seu colega republicano Kevin McCarthy com a mesma facilidade.

Então, o que Joe Biden fez agora que Trump se foi e nós americanos tivemos mais onze meses para sofrer sob o domínio israelense? Bem, pode-se observar que ele absurdamente convidou Israel a participar da absurda “Cúpula da Democracia” que foi sediada na semana passada pela Casa Branca, embora o “apartheid” israelense não seja democracia e discrimine em praticamente todas as funções do governo tanto pela religião quanto pela raça, tendo estradas, escolas e projetos habitacionais exclusivos para judeus. Outros países que têm eleições e não discriminam de forma semelhante entre seus cidadãos, incluindo Rússia, Turquia, Brasil, Polônia e Hungria, foram excluídos. O único Estado árabe convidado foi o Iraque.

Entretanto, além disso, uma coisa a se notar é que o jogo e a narrativa mudaram consideravelmente no ano passado. Joe Biden e sua equipe do Departamento de Estado, inteiramente judaico, ensaiaram a reentrada no acordo nuclear (JCPOA) com o Irã por meio de conversações indiretas ocorridas em Viena, mas o jogo que estava sendo jogado era uma fraude desde o início. Biden acreditava ser politicamente expediente prometer pegar os pedaços do que antes era considerado um sucesso significativo da administração Barack Obama, o que teria inibido qualquer possível proliferação nuclear iraniana. Mas a verdadeira agenda tem sido política, ou seja, não fechar um acordo com o Irã, mas culpar Trump por um grande erro de política externa.

Nunca houve nenhuma intenção real de voltar ao status quo anterior com o Irã, pois isso também exigiria a aprovação de Israel, o que é improvável. E tanto a lealdade dúplice de muitos judeus americanos quanto a disposição dos funcionários do governo israelense de interferir diretamente na política dos EUA estiveram em exibição durante uma recente aparição do Ministro da Diáspora de Israel, Nachman Shai, na Sinagoga de Park Avenue. Shai sugeriu que poderia estar ocorrendo uma “crise” entre os EUA e Israel sobre o acordo com o Irã, e Israel precisará que os judeus americanos venham ao seu lado contra o presidente Joe Biden, se necessário. Ele disse que “durante muitas crises… muitas questões entre Israel e os Estados Unidos, os judeus americanos sempre estiveram lá apoiando Israel”. De fato.

Um novo acordo com o Irã também exigiria o cancelamento da ampla gama de sanções punitivas colocadas contra Teerã por Trump, mas Biden achou por bem aderir ao conceito trumpeano de que pressionar o Irã poderia “melhorar” o acordo, acrescentando a ele medidas para evitar a “intromissão” iraniana na região, bem como para deter o desenvolvimento de mísseis balísticos iranianos. Esses passos e exigências eram bem conhecidos pela Casa Branca como sendo impeditivos para o Irã, que tem sido totalmente obediente ao Tratado e está pedindo um retorno ao acordo original juntamente com a garantia de que uma nova administração em 2024 não irá retroceder nele.

Tanto o Primeiro Ministro israelense Naftali Bennett quanto o Ministro das Relações Exteriores Yair Lapid fizeram numerosas viagens aos Estados Unidos para prender firmemente o novo presidente americano a seus traseiros. A cada visita, eles são recebidos por Biden, seu Gabinete e pelas organizações judaicas parasitárias de que dependem para abrir a carteira do Tio Sam e fornecer apoio total e acrítico para tudo o que o regime cleptocrático em Jerusalém decide fazer. O Ministro da Defesa Benny Gantz e o chefe do Mossad, David Barnea, estão atualmente em Washington para se encontrarem com altos funcionários da administração Biden. A mídia israelense informa que estão aqui para ajudar no planejamento dos Estados Unidos de realizar um ataque militar contra alvos iranianos quando as negociações em Viena fracassarem previsivelmente. De fato, Bennett exigiu que as conversações fossem encerradas porque o Irã está se engajando em “chantagem nuclear”. Tanto Biden quanto o Secretário de Estado Tony Blinken já alertaram que se o Irã não concordar com um novo acordo, haverá consequências, incluindo o exercício de uma possível opção militar.

O caloroso abraço de Israel é caracteristicamente desatento a qualquer interesse americano real que ele possa comprometer. O spyware telefônico israelense desenvolvido pelo Grupo NSO foi recentemente descoberto nos dispositivos dos usuários de iPhone, incluindo pelo menos nove funcionários do Departamento de Estado dos EUA. Ele vem na sequência dos dispositivos de interceptação de comunicações israelenses “spyware” descobertos em Washington em 2019. Os israelenses espionam os Estados Unidos porque sabem que fazer isso é livre de consequências.

Enquanto isso, o envolvimento de Israel na política americana não pára de se aprofundar. Alison Weir da If Americans Knew relatou como em meio ao trauma causado pelo vírus COVID em 2020 o Congresso ainda foi capaz de “trabalhar inabalavelmente para juntar enormes quantis de dinheiro para ajuda militar e presentes especiais para o Estado judaico com 68 peças de legislação focalizadas em Israel”.

A corrupção também penetrou nos níveis estaduais e locais. Vinte e sete estados adotaram legislação que limita o direito da Primeira Emenda à liberdade de expressão, penalizando aqueles que boicotam Israel. Uma dúzia de procuradores-gerais de nível estadual buscaram o desinvestimento da empresa britânica Unilever porque uma de suas marcas, Ben & Jerry’s, não quer vender sorvete em território ocupado israelense. Em várias universidades dos EUA, Grã-Bretanha e Canadá, professores foram demitidos ou punidos quando tentavam dar cursos sobre o Oriente Médio que descreviam com precisão a impiedosa ocupação israelense da Palestina histórica.

Mas também tem havido uma mudança de foco fora do governo. Pelo lado positivo, na medida em que há um, grande parte do mundo finalmente percebeu o quão maléfico Israel é. Agora é amplamente aceito que o governo do país administra um regime genuinamente de “apartheid” e muitos governos e até mesmo algumas corporações começaram a usar a palavra. Sindicatos de trabalhadores em todo o mundo têm organizado protestos contra a repressão israelense contra os palestinos e até mesmo funcionários do Google e da Amazon fizeram petições contra o envolvimento de suas empresas com os militares do Estado judaico. A Bélgica e outros Estados europeus agora exigem que os itens importados produzidos nos assentamentos israelenses sejam rotulados como tal, e não como “Made in Israel”. E muitos judeus liberais, que normalmente ficavam calados sobre o que Israel faz, começaram a concordar abertamente com essa designação de “apartheid”, particularmente entre os judeus mais jovens. A mudança ocorreu gradualmente após os horríveis ataques israelenses a Gaza nos últimos dois anos, que mataram principalmente civis e devastaram a infraestrutura da região empobrecida. Desde então, os colonos israelenses têm estado em alvoroço, roubando casas e atacando civis palestinos, ao mesmo tempo em que destroem seus meios de subsistência impunemente, enquanto os soldados israelenses ficam a postos para ajudar. O mundo ficou cansado de Israel e de suas pretensões, embora ainda não no Congresso dos EUA ou na Casa Branca, nem na mídia sionista controlada pelos EUA.

Israel e seus poderosos lobbies reconhecem a mudança de percepção e lançaram uma grande campanha internacional para fazer das críticas ao Estado judaico um “crime de ódio”. Eles têm tido bastante sucesso em explorar a definição de antissemitismo da International Holocaust Remembrance Alliance (IHRA), que inclui a crítica a Israel. Tanto o Congresso dos EUA quanto a conferência recentemente concluída sobre o suposto ressurgimento do antissemitismo, realizada na Suécia, abraçaram plenamente a vitimização perpétua promovida por Israel e tomaram medidas para criminalizar as críticas aos judeus e a Israel. A Grã-Bretanha respondeu à alegada onda de antissemitismo, designando a organização Hamas, que governa Gaza, como um grupo terrorista. O secretário do Interior, Priti Patel, disse aos repórteres em Washington que a medida se destina a combater o antissemitismo usando a Lei do Terrorismo e que os apoiadores do Hamas que se reúnam em grupo ou mesmo exibem uma bandeira do Hamas poderiam ser condenados a 10 anos de prisão.

Portanto, como acontece com frequência, houve progressos, mas também alguns retrocessos. No lado do progresso, o mundo se cansou da reivindicação israelense de isenção especial e, finalmente, o Estado judeu se tornará mais isolado e suas políticas insustentáveis à medida que a pressão aumenta, assim como a África do Sul foi forçada a abraçar a mudança. Mas, ao mesmo tempo, os israelenses têm tido grande sucesso em convencer os governos da Europa e dos EUA a avançar na criminalização e na marginalização das críticas legítimas. Eles também venderam com sucesso, através de uma mídia amplamente controlada, o mito de que o antissemitismo está surgindo, ignorando o fato de que como qualquer crítica a Israel é considerada um ato antissemita, é fácil chegar a qualquer número que se queira explorar. Mas a verdadeira “questão misteriosa” continua sendo como a população mais rica, mais instruída, mais poderosa e privilegiada em países como os EUA, Grã-Bretanha, França e Canadá é capaz de continuar a se retratar como a vítima perpétua e se safar disso. É preciso esperar que em última instância o véu caia e que os eleitores comuns possam ver e compreender a fraude conspiratória internacional maciça que tem prevalecido nos últimos setenta anos. Torçamos por mudanças reais em 2022!

Fonte: UNZ

Philip Giraldi

Escritor e consultor de segurança, Diretor Executivo do Conselho para o Interesse Nacional dos EUA.

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