O Talibã reconquista o Afeganistão e os EUA não passam de um Tigre de Papel

Os EUA ocuparam o Afeganistão para transformar o país em central de produção de heroína. Para isso, tropas americanas lançaram bombas e massacraram civis. Não é surpreendente, portanto, que o ressentimento e raiva com os americanos tenha seguido crescendo após a queda do Talibã. Como os EUA nunca se interessaram por realmente pacificar o Afeganistão, era questão de tempo até que as forças irregulares do Talibã retornassem ao poder. Os EUA gastaram trilhões de dólares e centenas de milhares de vidas por nada.

Em 2001, o líder talibã Mulá Mohammed Omar, após um acordo com as Nações Unidas, lançou uma fatwā contra o cultivo da papoula porque era considerado imoral e pouco islâmico: em um ano, a produção de ópio no Afeganistão caiu para 185 toneladas por ano. Mulá Omar foi retirado de cena pelos EUA criminosos… o que todos sabem!

Em 2017 já se estava produzindo 9000 toneladas e, de acordo com um relatório da Afghanistam Opium Survey publicado em maio de 2020 “A área total cultivada com papoula de ópio no Afeganistão era de aproximadamente 224.000 hectares em 2020, um aumento de 37% ou 61.000 hectares em relação a 2019,. Com 224.000 hectares, a área sob cultivo era uma das mais altas já medidas”.

Dizem-me que as mulheres afegãs não estão felizes em lidar com o Talibã… talvez seja verdade, mas será que as mães ocidentais que, graças ao ópio, choram seus filhos mortos por drogas não estariam?

Quando, em 2001, os Estados Unidos promoveram a guerra contra o Afeganistão, usando o ataque às Torres Gêmeas como casus belli, já era então bastante evidente que o Talibã não tinha nada a ver com isso (e, se alguma coisa, a culpa era da Al Qaeda de origem saudita, ou seja, uma raiz no Estado bem financiada pelos Estados Unidos), os planos de invasão já estavam prontos há anos… mas vejam só!

Os 20 anos de ocupação americana custaram a seus contribuintes 6,4 trilhões de dólares (escreva o número com os zeros relativos e veja o efeito que tem), à Itália quase 8 bilhões e 52 mortos. A indústria de fabricação de armas agradece sinceramente.

Agradece também a China, para quem a negligência ocidental está agora abrindo caminho para exercer influência naquela área, e agradece a Turquia, que agora estará batendo na porta da Europa para a questão dos refugiados.

Não há nenhum lugar onde os americanos tenham intervindo em armas, com a CIA e não só, que não tenha sido devastado e reduzido à miséria: povos e tradições devastados, da América do Sul ao Oriente Médio e Extremo Oriente.

O que acontece no Afeganistão é problema dos afegãos. Se os jovens opositores do Talibã preferem se tornar refugiados em vez de lutar, isso ainda é problema afegão: estão fugindo de sua própria história, que como todas as histórias também é marcada pela tragédia e pela dor. Mas não me digam que a “democracia ocidental” que eles queriam exportar para lá (ou pela qual foram bombardeá-los) era para seu próprio bem.

Agora só falta esperar pelo 11 de setembro, quando o Talibã, presumivelmente para celebrar o aniversário à sua própria maneira, retomará Cabul.

E sim. Enquanto houver pessoas como os talibãs (tal como os vietcongues) no mundo, ou seja, pessoas que lutam contra o invasor com armas em mãos e não com “palavras de ordem politicamente corretas”, a conquista do mundo não será fácil para os globalistas. E, por isso, agradecemos a Deus ou a quem quer que seja.

Maurizio Murelli

Editor e escritor italiano

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