In Memoriam Juan Pablo Vitali (1961-2021)

Nessa última semana a Argentina e a América Latina perderam um de seus mais interessantes poetas contemporâneos, Juan Pablo Vitali. Um homem absolutamente descompromissado com o pensamento hegemônico politicamente correto e um autêntico dissidente.

Tomamos ciência do falecimento, em 4 de maio de 2021, do poeta argentino Juan Pablo Vitali, figura praticamente desconhecida no Brasil, ainda que alguns de seus poemas e textos tenham sido traduzidos e divulgados ao português pela primeira vez pelo Projeto Legio Victrix, já há quase 11 anos.

Vitali foi um homem de convicções puras e inabaláveis. O foco de suas reflexões era a vida dos descendentes dos europeus que haviam empreendido a Grande Viagem ao Novo Mundo, população que, no mundo hispânico, é chamada de “criolla”. Ele defendia a existência de uma identidade “criolla” particular, criada a partir da chegada dos europeus no Novo Mundo, e que seguiria sendo europeia, ainda que com influxos de outros povos e culturas.

Nesse sentido, Vitali, totalmente avesso às tendências politicamente corretas do mundo contemporâneo, era um defensor e apologista das populações euro-americanas, de suas culturas e de sua memória.

Poeta da Nostalgia, suas paisagens eram tanto os picos das montanhas e as estradas ermas como as ruas das cidades argentinas. Seus poemas falam profundamente porque partem de temas caros a todos os dissidentes: a guerra, o sagrado, a luta, o mistério, a identidade, a honra, os antepassados.

Em recordação de Juan Pablo Vitali, deixamos aqui a tradução do poema Ser Dissidente, que primeiro chamou nossa atenção para o bardo austral:

Ser dissidente é levar uma espada de luz pelos labirintos da Idade das Trevas.
Ser dissidente é sentir a cada passo a solidão da estirpe, apertando nossos corações.
Ser dissidente é optar pelas alturas, e também pelos abismos.
Ser dissidente é talhar escrituras sagradas sobre nossa pele.
Ser dissidente é lançar-se sobre o aço nu da espada.
Ser dissidente é voltar sempre às cidades perdidas.
Ser dissidente é ter perdido o Sol da Atlântida e recuperá-lo nos gelos distantes do Sul.
Ser dissidente é ver o rosto de osso de nossos mortos como um espelho branco nas trevas quotidianas.
Ser dissidente é dissentir dos Deuses se estes nos forem adversos.
Ser dissidente é ocupar as ruas, até dominá-las.
Ser dissidente é o mármore, o músculo, a pedra, o fogo, a montanha e os caminhos.
Ser dissidente é o último lobo da Europa nas cavernas, a águia adormecida nas alturas, o cervo bramando na profundidade dos bosques.
Ser dissidente é dormir sobre punhais e despertar iluminado pelos olhos das crianças de Dresden, de Berlim e de Hiroshima.
Ser dissidente é assediar o tempo do silêncio, com bandeiras que desfraldam aproximando-se no vento.
Ser dissidente é ser sempre o último a recuar, e o primeiro a avançar.
Ser dissidente é ser o último homem em pé, se necessário, com o Sol como testemunha e a chama eterna dos nossos por bandeira.

Camarada Juan Pablo Vitali,

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