2022 começou?

Neste artigo, o Prof. André Luiz analisa a reação apressada e apaixonada de setores à direita e ao centro à anulação dos processos de Lula e aos sinais de que o STF vai declarar a suspeição de Sergio Moro.

É incrível como a anulação dos processos de Lula e os sinais inequívocos de que o STF vai declarar a suspeição de Sergio Moro causou um rebuliço no sistema político. Os principais agentes estão como baratas tontas, perdidinhas diante do novo cenário.

Bolsonaro sentiu o golpe de modo um tanto humilhante. Poucas horas depois do discurso do líder petista, apareceu usando máscaras e incentivou propagandas da vacinação.

Mas não foi o único a sentir o golpe. Os jornalistas da Globo, que junto com o Departamento de Estado ianque e a força-tarefa da Lava-Jato formavam o núcleo duro da República de Curitiba, também estão de luto em torno de Moro e sem saber como reagir às mudanças provocadas pelo retorno do ex-presidente ao páreo.

Merval Pereira é o tipo acabado da dor de cabeça que a turma está sentindo: em coluna no jornal dos Marinho, delira sobre as possíveis chances de Doria e Eduardo Leite. O cara ainda não parou de sonhar com o PSDB, impressionante. É uma viúva completa procurando alguma bengala ou fantasia em que se apoiar.

Por mais que digam que não, os pedetistas também estão embasbacados e algo decepcionados. Eles sabem que se Lula decidir se candidatar ou girar o país em comícios, a possibilidade de Ciro ser bem sucedido no seu discurso PT 2.0 é quase que nula.

Curiosa é a reação do generalato anti-petista. Ficaram quietos, assoberbados. O Villas Bôas, que fez uma dancinha da vitória semanas atrás em cima de um tuíte vexaminoso que ele soltou em 2018, caiu em silêncio sepulcral, deixando à mostra a incapacidade de seu grupo para intimidar o sistema partidário sem o apoio de outros setores sociais.

Por fim, os próprios PTelhos estão esfuziantes demais. Mourão foi preciso em sua análise na Folha de SP: tem muita espuma no chopp, e ainda não chegamos ao líquido. Não sabemos sequer se Lula será candidato.

Tem muita água pra rolar debaixo da ponte até 2022. E eu não vejo sinal algum de que o sapo barbudo leve essas eleições no primeiro turno, ou sem um amplo espectro de alianças com o centro liberal. Na verdade, o grande problema do PT em 2022 será também conseguir governabilidade. Não adianta nada ganhar, mas não poder levar.

André Luiz

Historiador, mestrando em História pela UFRJ, cristão ortodoxo e membro da NR-RJ.
 

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