Pfizer: A Nova Arma Colonial de Israel

Garantindo vacinação de boa parte da sua população graças a sua atividade lobista com a Pfizer, em vez de vacinar os palestinos o governo israelense está trocando doses de vacina pelo reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel por parte de outros países.

Israel estaria usando vacinas como arma de chantagem contra outros países que precisam de doses para imunizar sua população. Esta é uma atividade onde Israel detém o recorde mundial de já ter vacinado mais de 50% de sua população.

A administração de Tel Aviv promete a outros países a vacina COVID-19 em troca da mudança de suas embaixadas para Jerusalém, como relatado pela United World International. A Guatemala já mudou sua embaixada para Jerusalém, enquanto Honduras e a República Tcheca também estão planejando mudar suas embaixadas, como relatado por seus governos.

Enquanto os palestinos esperam pela vacinação, Israel está enviando vacinas a seus aliados em países distantes em troca da abertura de suas embaixadas em Jerusalém.

De acordo com o New York Times, a ajuda vacinal de Israel irá para países como a República Tcheca e Honduras, que prometem transferir seus diplomatas para Jerusalém, ao invés de para palestinos forçados a viver sob ocupação.

Honduras, o segundo país após os Estados Unidos a abrir sua embaixada em Jerusalém, receberá 5.000 vacinas Covid-19 dos estoques israelenses. Hungria, Guatemala e República Tcheca também receberão doses dos estoques israelenses, de acordo com fontes da imprensa.

Esta tática adotada por Israel causou muita controvérsia, pois o país está disposto a fornecer vacinas a outros estados em troca do reconhecimento de Jerusalém como capital e da mudança das embaixadas para a cidade santa, ao mesmo tempo em que não fornece imunização para a população palestina que vive sob ocupação. As primeiras vacinas recebidas pelos palestinos são da Rússia e entregues aos territórios palestinos pelos Emirados Árabes Unidos através da passagem de Rafah.

O New York Times relata que alguns países aceitaram o gesto da administração de Tel Aviv, aceitando tacitamente a soberania israelense sobre Jerusalém. A Guatemala já transferiu sua embaixada para Jerusalém, e Honduras prometeu fazê-lo. O NYT também assinala que enquanto a Hungria institui uma delegação comercial em Jerusalém, a República Tcheca prometeu abrir um escritório diplomático.

A oposição de Benny Gantz

Dentro da liderança israelense, entretanto, nem todos concordam com as táticas inescrupulosas de Netanyahu. O Ministro da Defesa Benny Gantz descreveu a diplomacia da vacina perseguida pelo Primeiro Ministro Benjamin Netanyahu como uma prática ilegal.

“A verdade é que Netanyahu está fazendo um comércio não calculado de vacinas compradas com impostos pagos por cidadãos israelenses, e ele pensa que está governando um reino, não um estado”, escreveu Gantz no Twitter.

Vacinação em Israel

Com uma população de nove milhões de habitantes, Israel vacinou mais da metade de sua população com a primeira dose, incluindo as pessoas que vivem em assentamentos judeus em terras palestinas ocupadas. Ademais, 33% da população também já recebeu a segunda dose.

O acordo com os fornecedores é a chave que fez de Israel um país líder em vacinação, relata a imprensa européia.

Em particular, o acordo firmado com a Pfizer teria favorecido muito Israel em relação aos países europeus. Israel pagou mais por dose de vacina Pfizer-BioNTech do que a UE. Israel paga 23 euros por dose, enquanto os países da UE pagam 12 euros.

Fonte: L’Antidiplomatico

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