Jornalistas Expõem a Guerra Híbrida Travada pela Mídia Britânica Contra a Rússia

A mídia de massa é neutra? Sua única missão é informar e ela não possui envolvimento direto com objetivos políticos e ideológicos? Documentos vazados na última semana revelam que todos os grandes veículos midiáticos britânicos fizeram parte de um programa de inteligência cujo objetivo era promover revoluções coloridas na Rússia e entre aliados russos.

Documentos vazados analisados por Kit Klarenberg da RT e por Max Blumenthal do The Greyzone confirmam que o Reino Unido está travando agressivamente uma Guerra Híbrida contra a Rússia, guiada pelos meios de informação, em todo o espaço pós-soviético, apesar de os governos ocidentais afirmarem que é exatamente isso que a Rússia está fazendo contra eles em seu território.

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Os intrépidos jornalistas Kit Klarenberg e Max Blumenthal expuseram a Guerra Híbrida do Reino Unido contra a Rússia em todo o espaço pós-soviético, o que está em total contradição com suas alegações de que é exatamente isso que a Rússia está fazendo contra eles em sua terra natal. Os leitores interessados podem rever aqui seus artigos relevantes:

Em vez de repetir redundantemente suas descobertas, a presente peça cobrirá suas implicações estratégicas. O objetivo desta análise é colocar as últimas revelações em seu contexto apropriado, a fim de ajudar os leitores a compreender melhor sua importância.

“O Consórcio” é uma Conspiração Real

Antes da publicação do trabalho desses jornalistas, muitos poderiam ter descartado o discurso sobre a existência de uma estrutura de gestão da percepção transnacional antirussa, apoiada pela inteligência, como uma chamada “conspiração”. Afinal, o ocidental médio tem sido doutrinado durante anos para acreditar que só a Rússia é que supostamente se envolve em tais operações de influência. Para muitos deles, é difícil imaginar que um governo ocidental de primeira linha como o do Reino Unido esteja fazendo exatamente a mesma coisa na “esfera de influência” da Rússia que ele e seus aliados acusaram a Rússia de fazer em sua esfera de influência. No entanto, essa “teoria da conspiração” foi confirmada como “fato conspiratório” porque não há mais dúvidas de que Londres é culpada tal como anteriormente acusado. Os documentos vazados provam que o governo britânico controla algo que ele chama de “o Consórcio”.

Operações de Influência Britânica Real > Supostas Operações de Influência Russa

Até este ponto, os ocidentais foram alimentados com uma dose constante de relatos histéricos sobre as supostas atividades de algo chamado “Agência de Pesquisa na Internet” (IRA), que é acusada de ser uma das estruturas clandestinas de guerra de informação da Rússia. Mesmo que os relatórios não confirmados sejam verdadeiros (e isso ainda precisa ser provado em parte ou no todo), então não há dúvida de que a influência do IRA empalidece em comparação com “a do Consórcio”. Há uma diferença qualitativa no impacto da gestão da percepção entre as supostas “fazendas de trolls” do IRA e as contas da mídia social que eles supostamente controlam e a vasta rede de veículos midiáticos do Consórcio, como a BBC e a Reuters, os auto-professados “sites de investigação” como o Bellingcat, financiado pelo “National Endowment for Democracy”, e as dezenas de veículos de mídia alternativos sob sua influência.

As mídias “confiáveis” são, na verdade, ferramentas de inteligência

Supostamente, os veículos “confiáveis” como a BBC e a Reuters servem secretamente aos interesses do “Consórcio” controlado pela inteligência britânica. Suas relações com esta estrutura de gerenciamento de percepção sombria não são transparentes, mas ao mesmo tempo afirmam ser a favor da transparência e de outros chamados “padrões jornalísticos” quando se trata de reportagens de outros países sobre o Reino Unido. Os padrões duplos estão claramente em jogo, empregados deliberadamente a fim de enganar as massas. A média das pessoas está sendo incitada a acreditar erroneamente que os canais da mídia de massa ocidental nunca fariam nada remotamente próximo ao que acusam o IRA de fazer. Em essência, isto equivale a uma Guerra Híbrida informacional contra seus próprios leitores, ironicamente causando mais danos ao poder brando ocidental do que a Rússia jamais poderia fazer.

As atividades do “Consórcio” podem violar a lei russa

Uma das revelações mais escandalosas dos últimos documentos vazados é que um dos muitos membros do “Consórcio”, a Rede Zinc, reconheceu que ela ajuda “os participantes [a] fazer e receber pagamentos internacionais sem serem registrados como fontes externas de financiamento”. A Rússia tem leis muito rígidas em vigor que exigem que os beneficiários de financiamento estrangeiro se registrem como agentes estrangeiros e incluam essa designação em todos os seus materiais publicados. O “Consórcio”, no entanto, está contornando suspeitosamente a lei russa através de soluções não reveladas, a fim de obscurecer a fonte de financiamento de seus destinatários e, assim, impedindo-os de cumprir suas obrigações legais. Só se pode imaginar a reação nos países ocidentais se tal operação apoiada pela inteligência fosse descoberta em seu território de origem em relação a um esquema russo para encorajar seus cidadãos a não se registrarem como agentes estrangeiros se eles fossem legalmente obrigados a fazê-lo após receberem pagamentos daquele país.

O Reino Unido está cozinhando Revoluções Coloridas

O “Consórcio” não opera apenas no espaço informacional, mas está indiscutivelmente alavancando suas atividades com o objetivo de provocar Revoluções Coloridas em Belarus e na Rússia. O trabalho de Blumenthal levanta questões desconfortáveis sobre o papel que essa estrutura de gestão da percepção sombria desempenha na provocação de tumultos antigovernamentais nesses dois países. A impressão que se tem ao ler seu relatório detalhado é que “o Consórcio” é instrumentalizado como uma vanguarda das Revoluções Coloridas contra esses países, aproveitando a experiência obtida durante o “EuroMaidan” de 2014. Hromadske, ele observa, brotou do nada durante aquela agitação extrenamente apoiada com financiamento inicial e apoio logístico da USAID e do Fundo de Rede de Pierre Omidyar. Certamente parece ser o caso que “o Consórcio” está tentando replicar o “sucesso” da Revolução Colorida em Belarus, na Rússia e em outros lugares.

A inteligência britânica está desestabilizando a Europa Oriental

A chave do trabalho de Klarenberg e Blumenthal é que a inteligência britânica desempenha um papel de liderança na desestabilização da Europa Oriental através das atividades perniciosas do “Consórcio”. Não apenas suas capacidades organizacionais, escopo, escala e intenção hostil superam em muito tudo o que a Rússia já foi acusada de fazer através do IRA, mas também depende astutamente de parcerias secretas com os chamados “veículos de confiança”, como a BBC e a Reuters, para levar o público a pensar que não existe tal operação de influência. Isto a torna duplamente perigosa, especialmente porque seu propósito de mudança de regime, muito fortemente implícito, provavelmente provocará Moscou a reprimir as atividades desta rede de influência transnacional apoiada pela inteligência dentro de suas fronteiras, após o que o Ocidente irá previsivelmente enganar o mundo ao apresentar isto como “supressão ditatorial da liberdade de expressão”. Por sua vez, mais sanções poderão ser impostas, tudo por causa da resposta russa de “Segurança Democrática“.

Pensamentos Finais

Os intrépidos jornalistas Kit Klarenberg e Max Blumenthal prestaram um importante serviço ao público global ao analisar os documentos recentemente vazados sobre a Guerra Híbrida informacional travada pelo Reino Unido contra a Rússia. Eles pouparam a todos muito tempo valioso e assim lhes permitiram compreender mais facilmente o perigo que a Grande Potência multipolar está enfrentando vindo de um dos autoproclamados líderes do “mundo democrático”. Em completa contradição com tudo o que o Reino Unido afirma publicamente defender, seus serviços de inteligência controlam secretamente uma sombria estrutura de gestão transnacional da percepção que tem sido indiscutivelmente instrumentalizada para realizar mudanças de regime contra a Rússia e os países dentro de sua “esfera de influência”. Não seria nem mesmo correto dizer que é “o sujo falando do mal lavado”, pois as supostas atividades do IRA agora parecem impecáveis em comparação com as do “Consórcio”.

Fonte: Oriental Review

Andrew Korybko

Analista político e jornalista do Sputnik, é também autor do livro "Guerras Híbridas".

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