16 Anos Depois: Como e Por que Assassinaram Yasser Arafat?

Escrito por Insurgente
16 anos após a misteriosa morte de Yasser Arafat, que por pelo menos 3 décadas foi o principal símbolo da causa palestina, muitas dúvidas ainda cercam o caso. O hospital francês no qual ele faleceu determinou, oficialmente, a sua morte como por derrame. Mas equipes científicas de outros países encontraram quase 20 vezes mais polônio nele do que o normal. O que realmente aconteceu?

Apesar da negação sionista, vários fatos mostram a vontade israelense de eliminar o líder palestino, símbolo da luta pela autodeterminação.

O primeiro presidente da Autoridade Nacional Palestina, Yasser Arafat, morreu em 11 de novembro de 2004, aos 75 anos de idade, no Hospital Militar Percy, em Paris (capital da França), após um mês de enfermidade, supostamente devido a envenenamento por polônio.

A doença de Arafat começou a se manifestar quatro horas após ele ter comido na noite de 12 de outubro de 2004 e nas semanas seguintes ele sofreu de vômitos, dor abdominal, diarréia, períodos de inconsciência e perda de peso.

Os médicos franceses, sem realizar uma autópsia, disseram que Arafat tinha morrido de um derrame, causado por uma condição sanguínea conhecida como Coagulação Intravascular Disseminada; o diagnóstico foi questionado por investigações posteriores.

Um instituto suíço de testes toxicológicos, diante das suspeitas da viúva Suha Arafat, desenvolveu testes em amostras de objetos pessoais do líder palestino, nos quais descobriram vestígios elevados de polônio-210, um composto altamente tóxico e radioativo.

Em agosto de 2012, os promotores franceses abriram uma investigação de assassinato em resposta à queixa de Suha, e em novembro daquele ano o corpo foi exumado de seu mausoléu em Ramallah na presença de três equipes internacionais de cientistas: a suíça – que já havia expressado a necessidade de analisar os restos mortais – a francesa que fazia parte da investigação judicial e um grupo russo.

De acordo com o relatório da equipe suíça, fragmentos ósseos retirados das costelas e da pélvis, bem como tecido da cavidade abdominal, mostraram uma atividade “surpreendentemente alta” de polônio-210.

“É chocante… Lembro que Yasser estava se consumindo rapidamente no hospital, e como seus olhos expressavam muitas perguntas. A morte é um destino na vida, é o destino de todos, mas é terrível quando é o resultado de um envenenamento”, disse sua esposa.

Os cientistas foram cautelosos em suas conclusões: os suíços admitiram que altos níveis da substância radioativa “por definição indicam o envolvimento de terceiros”, mas disseram que os resultados só “apoiam moderadamente a proposição de que a morte foi o resultado de envenenamento por polônio 210″ e não podem demonstrar categoricamente que a hipótese de envenenamento foi causada por ele”.

Enquanto isso, o especialista médico da equipe palestina que investigou a morte de Arafat, Abdullah Bashir, disse que os pesquisadores russos não encontraram “provas suficientes” para determinar “se o polônio-210 causou a radiação que levou à morte”, mas disse que tanto a equipe russa quanto a palestina determinaram que Arafat “não morreu de doença ou de velhice, mas por causa de material venenoso”.

Os resultados da investigação encomendada pelo sistema judiciário francês foram mais conclusivos e excluíram que ele tenha morrido por envenenamento.

Entretanto, o cientista forense britânico David Barclay, que estudou o relatório sobre a morte do Prêmio Nobel da Paz de 1994, disse: “Com base em minhas décadas de experiência e nas evidências que estão por vir, não tenho dúvidas de que uma dose letal de Po210 havia sido administrada ou ingerida por Arafat em 2004, causando sua morte.

“Uma prova conclusiva é o fato de que o polônio encontrado no corpo exumado de Arafat era 18 vezes maior do que o normal”, disse ele.

Causas da Morte

“Israel não está envolvido de forma alguma no suposto assassinato. Não há a menor evidência de que os palestinos possam nos incriminar no que aconteceu”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores judeu Yigal Palmor.

O governo israelense, através de Palmor, chegou ao ponto de rejeitar até mesmo o relatório da equipe suíça, alegando que os resultados “são inconclusivos” e “se fossem encontrados vestígios de polônio que pudessem indicar envenenamento, não há evidência de como isso ocorreu. Há muitas perguntas ainda sem resposta”.

Dov Weissglass, conselheiro do primeiro-ministro israelense Ariel Sharon no momento da morte, também negou que o primeiro-ministro ou os serviços de segurança israelenses tenham desempenhado qualquer papel na morte do líder palestino.

“No final de 2004, não tínhamos nenhum interesse em prejudicá-lo. Naquela época, Arafat já havia sido marginalizado e não tinha controle sobre a vida dos palestinos. Não há lógica que possa nos apontar como os perpetradores de sua morte”, disse ele.

Não obstante, a mera existência de Arafat significava um desafio para Israel: identificado mundialmente como o líder indiscutível do povo palestino, um sobrevivente de vários atentados, um expoente de um secularismo que tornava impossível apresentá-lo como um extremista islâmico.

Embora não se possa afirmar de maneira indiscutível que os sionistas foram responsáveis pelo envenenamento, vários elementos apontam para seu desejo de eliminar o homem que havia se tornado um símbolo da luta pela autodeterminação.

Sete meses antes da morte do líder palestino, Sharon declarou publicamente que se desligava da promessa feita ao presidente americano George W. Bush de “não prejudicar Arafat”.

O combatente palestino vivia então na Cisjordânia, cercado por tropas israelenses e frequentemente bombardeado por aviões sionistas, onde esteve isolado por três anos, acusado de patrocinar uma onda de ataques letais por militantes palestinos.

Em seu livro Ariel Sharon: An Intimate Portrait, o jornalista israelense Uri Dan, confidente e colaborador do então premier, disse que havia sugerido ao político que capturasse o líder palestino e o processasse em Jerusalém, ao que ele respondeu “que estava abordando o problema de uma maneira diferente”.

De sua parte, o repórter judeu Danny Rubinstein, autor de um livro sobre Arafat, disse que nos meses que antecederam sua morte, o círculo interno de Sharon especulava constantemente sobre se livrar dele, matando-o ou forçando-o a deixar a Palestina.

“Para mim, estava tudo muito claro desde o início. Sharon pensava que ele deveria ser expulso ou morto, ou o quartel-general de Arafat deveria ser bombardeado, como eles fizeram. Era óbvio para mim que eles encontrariam uma maneira de se livrar dele”, disse ele.

Em 2013, o chefe da comissão de inquérito palestina, Taufik Tirawi, concluiu que “Arafat não morreu de causas naturais, mas sim de polônio. A comissão acredita que Israel está por trás de sua morte, no entanto, a instrumentalização é um grande mistério”.

“Não é importante para mim dizer aqui que ele foi morto com polônio”, disse Tirawi, “mas eu afirmo, com todos os detalhes disponíveis sobre a morte de Yasser Arafat, que ele foi morto e que Israel o matou”.

Fonte: Insurgente

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