O Vírus do Medo

Constantino Ceoldo

Agora que o governo italiano de Giuseppe Conte diz que quer estender o estado de emergência até 31 de janeiro de 2021 para combater uma epidemia em que médicos procuram doentes muitas vezes assintomáticos e não doentes procuram médicos. Agora que a histeria em massa está aumentando novamente graças a um terrorismo midiático, pelo qual muitos estão felizes. Agora que o homo covidicus acredita com absoluta fé que um trapo na boca pode protegê-lo do “vírus mortal”. Agora, mais do que nunca, é necessário ouvir aquelas vozes que discordam e discordam dizendo coisas desagradáveis, mas que têm sua própria verdade.

A repulsa pelo espetáculo que eu mesmo tenho que presenciar aqui na Itália: a transformação de todo um povo em animais puramente instintivos que olham para o vizinho como um inimigo propagador da peste, confunde-se com a angústia pelo futuro da nossa pátria e com as terríveis consequências que este futuro pode ter sobre todos os meus compatriotas, mesmo quando são covidiotas.

É por isso que entrevistei pela segunda vez Roberto Giacomelli, escritor, autor, terapeuta, que graças à sua vida e experiência de trabalho nos conta algumas dessas verdades incômodas que outros tentam reprimir. Giacomelli escreveu no seu livro “O vírus do medo” [1] a continuação natural de “Além do homem fraco” [2] e é precisamente no medo e na falta de exemplos que contrastam o medo em que esta discussão é baseada.

1) O que é “O Vírus do Medo”? Por que você sentiu a necessidade de escrevê-lo logo após “Beyond the Weak Male” (Além do Homem Fraco)?
R – “O Vírus do Medo” nasceu como um manual de rebelião espiritual em um momento de crise histórica. O vírus mais perigoso é o do medo, deliberadamente instilado para manter as pessoas subjugadas. O Sistema do Terror funciona para regimes deslegitimados, que não gozam do consentimento popular e devem se impor com violência. Este terrível vírus destrói as defesas imunológicas das pessoas, reduzindo-as a escravos da ditadura da saúde, renunciando voluntariamente aos direitos civis.

2) Em seu livro, você distingue entre vírus biológicos e emocionais, você fala sobre campos morfogenéticos. Você poderia nos explicar seu significado?
R – Os Campos Morfogenéticos estudados pelo biólogo R. Sheldrake [3] são aquela força invisível que contém uma memória coletiva, a partir da qual os sujeitos individuais de uma espécie extraem informações de seus ancestrais e que contribui para o desenvolvimento da própria espécie. Na prática, é a conexão psíquica do grupo em que as ondas se propagam, no nosso caso de medo.

3) Dificuldades laborais, econômicas, sociais, dificuldades entre os dois sexos. Talvez muitos italianos tenham gostado da quarentena, experimentando-a como uma suspensão legalmente autorizada do estresse da vida cotidiana?
R – Inicialmente, o isolamento forçado imposto pelas autoridades foi vivido por muitos como férias prolongadas, uma fuga dos ritmos loucos da sociedade exploradora. A prisão domiciliar foi percebida como uma oportunidade para relaxar, para retornar aos afetos familiares. Na Itália, a ditadura da saúde mantém os cidadãos presos há três meses, um caso único no mundo, um fechamento tardio, a propósito, e a gaiola dourada de uma casa foi transformada em prisão. Uma regressão infantil à vida intrauterina, teria dito Freud. Agora, muitas pessoas têm medo de sair de casa e voltar ao trabalho. O resultado é a explosão do transtorno psíquico, uma verdadeira pandemia. Explosão de síndromes de ansiedade, TP (Transtornos do Pânico) e depressão. Na verdade, uma onda de Transtorno de Estresse Pós-Traumático atingiu os mais fracos e, se não for tratada, teremos uma epidemia de psicose.

4) #andràtuttobene (“Tudo ficará bem”). Um exemplo de hashtag estúpida e enganosa? Nosso PIB caiu bem abaixo de -10%, sem falar nas dificuldades psicológicas da população…
R – As chamadas hashtags que floresceram durante o período de confinamento domiciliar são, na verdade, os slogans da propaganda governamental. Artisticamente disseminada como forma de condicionamento de consciência, técnica de persuasão oculta para fazer a massa dos apavorados aceitar medidas loucas e liberticidas. Na realidade, tudo “deu errado” e os danos psicológicos e econômicos são devastadores. Os manipuladores que clamam “não baixem a guarda” nunca entraram em um ringue e nunca experimentaram a emoção do combate. Eles são fortes apenas com a manada de aterrorizados que mesmo na cama permanecem de máscaras.

5) Um exemplo do nosso passado recente: Ambrogio Fogar, o último grande explorador italiano [4]. Quanto a falta de exemplos de coragem masculina afeta negativamente a vida de uma sociedade?
R – A ausência da figura paterna nas famílias contemporâneas e a educação dos jovens rapazes confiada às mulheres geram machos fracos. A falta de exemplos de coragem viril proporciona à sociedade indivíduos perfeitos, acostumados a ter tudo com rapidez e facilidade. Sujeitos desarmados, presa fácil do poder do Pensamento Único e da globalização.

6) Como você avalia o comportamento do presidente americano Donald Trump e do presidente russo Vladimir Putin na gestão da crise do COVID-19?
R – Os presidentes Putin e Trump reagiram à epidemia com uma comunicação destinada a conter o medo dos cidadãos, ao contrário do governo italiano. Além disso, têm apoiado economicamente os trabalhadores afetados pela crise econômica, enquanto na Itália estes foram abandonados pelo Estado, que exigiu o pagamento de impostos aos cidadãos em dificuldade econômica. Ambos os chefes de Estado são inspirados por uma visão soberana e patriótica. O presidente Putin também protege seu povo trabalhando na restauração dos valores espirituais, proteção máxima contra o vírus do medo.

7) Voltando à Itália, skates elétricos e carteiras escolares com rodas [5]. O infantilismo dos adultos será nossa ruína final?
R – Simbolicamente, os novos fetiches com rodas, carteiras e patinetes representam a sociedade da instabilidade, a perda do Centro e a confusão interior. Nada firme ou sólido, tudo em constante movimento, sem referências superiores e verticalidade.

8) A Ciência como a ÚLTIMA religião. Igreja e transcendência deixadas de lado sem restrições?
R – O cientificismo, filho do Iluminismo, a religião de nosso tempo, mostrou-se limitado ao responder a uma epidemia viral que deveria ser erradicada imediatamente por meio da ciência. Em vez disso, a resposta estava ausente. Os cientistas se contradizem, não têm sido capazes de lidar com a emergência, os remédios propostos são aqueles usados durante as pestes medievais. A ciência profana mostra sua insuficiência por falta de contato com o sagrado. Demonstrando a superioridade da sabedoria antiga, união de mente e Espírito.

9) Uma pergunta que já foi feita, mas tragicamente necessária: o que fazer para voltar ao que éramos?
R – O caminho para redescobrir uma nova dignidade é a formação de homens integrais, que redescobrem a dimensão espiritual, o espírito marcial como disciplina e valores comunitários. A juventude europeia deve deixar a suavidade de uma sociedade nutridora por uma visão heroica da existência. Em “O vírus do medo” indico três formas de terapia para a patologia contemporânea: incorporar a figura jungeriana do rebelde [6]; ação política e caminho iniciático; disciplina marcial. A figura da capa do livro representa o desespero do homem contemporâneo, desarmado diante de uma situação de emergência. Não acostumado à guerra, pobreza e solidão, ele desaba sem defesas. É um homem indiferenciado, desprovido de recursos viris, como coragem e força interior, habituado à fraqueza e a uma vida exclusivamente vegetativa. Homens sem Ideias e Valores são vítimas do medo.

[1] https://www.passaggioalbosco.it/prodotto/il-virus-della-paura/
[2] https://www.geopolitica.ru/en/article/beyond-weak-male
[3] https://en.wikipedia.org/wiki/Rupert_Sheldrake
[4] https://en.wikipedia.org/wiki/Ambrogio_Fogar
[5] For example:
https://cdn.dmove.it/images/5944/LimeMain.jpg
https://static.sky.it/images/skytg24/it/cronaca/2020/07/20/azzolina-banchi-rotelle-scuola/banchi_monoposto_ansa.jpg
[6] https://it.wikipedia.org/wiki/Ernst_J%C3%BCnger

Fonte: The virus of fear

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