Coronavírus: “O Capitalismo retornou à Fase Autoritária sob a Forma de um Regime Sanitário”

Se dependermos de figuras como Átila Iamarino ficaremos em quarentena perpétua. A função clássica da quarentena é dar tempo aos sistemas de saúde para que eles se adequem ao crescimento da demanda por leitos e equipamentos. A propaganda da quarentena perpétua, por outro lado, serve ao turbocapitalismo como uma nova maneira de arregimentar as vidas privadas dos cidadãos e torná-los mais controláveis.

1.O poder capitalista oscila permanentemente entre uma tendência coercitiva e autoritária, por um lado, e uma tendência permissiva, por outro: ele deve, ao mesmo tempo, impedir que se dê a foga de capitais enquanto promove a livre circulação de mercadorias e bens de consumo. Por um lado, exige a existência de sujeitos obedientes e passivos, súcubos do poder e de suas emanações e, por outro lado, exige a afirmação da figura do consumidor a quem tudo é permitido, desde que seus meios econômicos o permitam.

2. Parece que o capitalismo voltou agora à sua fase de domínio autoritário na forma específica e sem precedentes de um regime sanitário que nos reduz à categoria de meros sujeitos, tanto perigosos quanto assintomáticos. Ele o faz, muito precisamente, limitando direitos e liberdades e estabelecendo um verdadeiro estado de exceção, no qual a segurança só é garantida em troca da renúncia aos principais direitos.

3.Entre aqueles que vêem estas restrições aos direitos e liberdades – praticadas em nome da urgência da situação – como sinais ou “sintomas” de uma mudança de paradigma e reestruturação vertical do poder, poucos têm força, coragem, lucidez e talvez até honestidade para apontar que podemos estar na presença de um novo modo de governança que está impulsionando uma nova fase do turbocapitalismo.

4.Este novo modo de governança reconfigura o próprio capitalismo, passando de uma sociedade liberada de todos os obstáculos, tanto sociais quanto econômicos, para uma sociedade de controle total, uma espécie de enorme hospital em que a antiga relação entre os que são administrados e os que governam é redefinida com base na nova relação entre pacientes e médicos.

5.A narrativa politicamente correta (e eticamente corrupta) que nos foi imposta durante anos através de todas as redes dirigidas pelos arautos da ordem capitalista mundial (jornalistas, operadores da mídia, intelectuais de aluguel) aparece hoje em toda a sua falsidade: a Nova Ordem Mental para a realização da nova ordem mundial líquido-financeira tem nos dito sem descanso que fora do privado não há salvação e que o público é o mal absoluto.

6.Está agora muito claro que se sobrevivermos a esta catástrofe, devemos isso ao setor público: à saúde pública e seus heróis que são as enfermeiras e os médicos. A narrativa hegemônica nos disse incansavelmente que o principal inimigo é o eixo do mal formado por “Estados-párias”, totalitários, comunistas e inimigos dos direitos humanos.

7. A verdade, mais evidente hoje do que nunca, é que a alternativa é sempre a mesma: socialismo ou barbárie: é uma alternativa entre “uma humanidade socializada”, por um lado, constituída de Estados soberanos que mantêm relações fraternas entre si, e, por outro lado, “uma selva do espírito”, a da guerra de todos contra todos e da competição universal de todos os Estados e indivíduos uns contra os outros.

Fonte: Comunidad Vertice

Diego Fusaro

Analista político e ensaísta italiano de orientação nacional-revolucionária. @DiegoFusaro

Deixe uma resposta