A Esquerda Portuguesa têm cumprido seu papel na Agenda Globalista, atacando a Família, o Exército e a Igreja

No Brasil, por incrível que pareça, pouco se sabe sobre a política portuguesa contemporânea. Nossa mídia corporativa replica mais os acontecimentos políticos americanos e ingleses do que os do país que mais contribuiu para a construção de nosso país. Quando se fala em Portugal a tendência é pintar o governo atual como um governo que tem feito as coisas darem certo em Portugal. Será verdade? Ou seria o governo de Antonio Costa apenas mais um dos muitos regimes políticos alinhados ao atlantismo e ao globalismo?

Portugal registrou até o momento 67.000 casos e 1.891 falecidos por Covid-19. Apesar de compartilharmos 1.214 km de frontera, a diferença em relação à Espanha, com mais de 600.000 casos e 53.000 falecidos, é enorme. Não obstante, no aspecto econômico Portugal sofreu uma queda do PIB de 14,1%, o maior descalabro dos países europeus atrás apenas da Espanha. Em que se diferenciou a gestão da pandemia? A que se deve o descalabro econômico?

É impossível ensaiar-se qualquer explicação sem regressar à origem do problema. A causa do descalabro económico de Portugal tem uma razão muito simples, ou seja, a fragilidade da nossa economia após o 25 de Abril de 1974. Desde essa data, Portugal não voltou a ter um plano estratégico ou desígnio nacional. Circunscrito à sua dimensão europeia e obrigado a abraçar o projecto europeu, Portugal ficou economicamente refém dos mercados internacionais e dos grandes grupos económicos. Se o comunismo e o sindicalismo socialista arrasaram a indústria portuguesa logo nos primeiríssimos anos que se seguiram ao golpe de Estado de Abril, o capitalismo liberal e o mercado comum controlado pela agiotagem internacional patrocinou a destruição da nossa frota pesqueira, passando a desfrutar da nossa enorme área económica exclusiva, e promoveu o abandono dos nossos campos.

Enquanto Portugal foi abdicando da sua soberania e independência política e económica, o projecto de Bruxelas de tornar Portugal num país de turismo e de outros serviços ligados ao sector terciário foi tomando forma. Um país que não produz é um país sem futuro e, em Portugal, o povo foi enganado por sucessivas gerações de políticos que lhe fez acreditar que seria possível manter uma economia nacional baseada no turismo. Nada mais errado, sobretudo se pensarmos que o turismo em Portugal vive, hodiernamente, do acaso e da oportunidade, sem qualquer tipo de planeamento ou sustentabilidade. Para além da saturação e degradação do nível de vida das populações dos grandes centros turísticos, a transformação provocada pelo investimento turístico não regulado é, quase sempre destruidor de outras áreas económicas, criando uma frágil e precária ilusão de enriquecimento. Dito isto, o resultado está à vista. De nada interessaram os prémios internacionais de turismo e as múltiplas classificações de destinos de excelência, pois em apenas seis meses de crise a falta de visão económica dos nossos governantes quase nos sentenciou uma nova bancarrota.

Para piorar todo este cenário, Portugal sofre há 46 anos de um problema gravíssimo de corrupção sistémica que aborta qualquer tentativa ou possibilidade de reerguer a economia nacional. Recentemente, Paulo de Morais, um ex-político social democrata desiludido com o rumo da nossa democracia, publicou um livro bastante elucidativo desta realidade, intitulado “O pequeno livro negro da corrupção”. Está lá tudo. O Covid-19 foi apenas mais um acontecimento a despoletar um descalabro económico entre nós. Tal como com a questão do turismo, os nossos governantes lidam com a pandemia sem qualquer plano ou estratégia, um dia de cada vez, esperando que os males possam ser minimizados, garantido a próxima reeleição.

Em Portugal há um governo socialista, presidido por Antonio Costa, que recebe apoios puntuais do Bloco de Esquerda e dos comunistas. Até 2019 houve uma coalizão de todos estes partidos e os verdes que, curiosamente, foi elogiada por organismos como o Fundo Monetário Internacional ou a Comissão Europeia. Na Espanha nossoo governo socialista-comunista só avança em projetos de engenharia social, como a eutanásia, o em limitar as liberdades, como a recém anunciada lei da memória democrática. Que política segue a esquerda portuguesa?

As políticas da esquerda, assim como as políticas liberais, têm uma raiz comum, reflectindo duas faces da mesma moeda. As aparentes diferenças entre as esquerdas internacionalistas e os liberais mundialistas servem apenas para animar o simulacro democrático que ajuda a camuflar o monolitismo cinzento do globalismo. Se a esquerda cumpre a agenda liberal ao forçar as falsas causas humanistas, sociais e humanitárias que reivindica, os liberais aproveitam-se da falsa ética esquerdista, conquistando as massas através de uma colonização mental que visa normalizar a ideia de um mundo sem fronteiras. Ora, como bem sabemos, esse mundo sem fronteiras não é nada mais do que um mercado global. Nesse sentido, a política portuguesa tem acompanhado os ventos da História e, como tal, resulta sendo bem vista por organizações como o Fundo Monetário Internacional ou a Comissão Europeia.

Podemos afirmar que a esquerda portuguesa tem cumprido a sua parte nesta grande agenda mundialista, atacando a família, alguns sectores das Forças Armadas, forças de segurança e a Igreja. O revisionismo histórico da esquerda portuguesa não é, para já, tão perigoso como aquele a que assistimos em Espanha. Porém, algumas figuras oriundas de partidos políticos de extrema-esquerda e de associações como o SOS Racismo, verdadeiros terroristas e pirómanos sociais, têm procurado subverter a nossa memória histórica colectiva, aproveitando casos como o de George Floyd para realçar um problema de racismo sistémico do qual Portugal, efectivamente, nunca sofreu. Tal como em Espanha e no resto do Ocidente, a inversão dos valores, o culto da morte e da destruição, também se instalaram em terras lusas.

Um assunto em que os socialistas portugueses parecem ter copiado os espanhóis é o do controle dos meios de comunicação. Há três grandes cadeias: RTP, pública e dependente do governo, SIC, privada e dirigida pelo irmão do primeiro-ministro, e TVI, até agora nas mãos do Grupo PRISA e cujo novo máximo acionista también está relacionado a Antonio Costa. Resta algum meio de comunicação livre em Portugal?

Se exceptuarmos o PNR ou o recém-criado Chega, verificamos que até a chamada “direita política” necessita do selo de aprovação e legitimação do regime. Isso reflecte-se também nos meios de comunicação que, em grande parte, se limitam a reproduzir as notícias lançadas pela nossa agência noticiosa – a Lusa. Os poucos jornalistas que procuram confrontar o regime, expondo a sua corrupção e promiscuidade, acabam afastados e com os seus programas e rubricas cancelados por pressão do Governo. A censura em Portugal é cada vez mais evidente e inquestionável. Se até há uns tempos o sistema impunha algum decoro nas acções de pressão e censura, o mesmo não se tem verificado nos últimos tempos. Por exemplo, ainda recentemente o actual Governo aplicou largos milhares de euros numa suposta acção de auxílio à imprensa, mas escusado será dizer que só os grandes grupos foram agraciados por esse falso mecenado que mais não visou do que comprar a cooperação da imprensa. As perseguições tornaram-se mais frequentes e descaradas, mostrando uma certa fragilidade por parte de um regime corrupto em agonia, preso apenas por arames.

Os comentadores dos telejornais e programas televisivos são em geral banais, boçais, bafientos e politicamente comprometidos. Não fazem mais do que normalizar o discurso instalado, abafando qualquer possível contraditório. Assim sendo, deparámo-nos com poucos meios de informação livres, destacando-se apenas o histórico ‘O Diabo’ – semanário político independente fundado em 1976 –, o ‘Agora’ – periódico trimestral nacionalista –, e o jornal online ‘Notícias Viriato’ – um projecto voltado para as novas realidades e plataformas, dirigido por António Abreu, um jovem extraordinário que tem desemprenhado um papel muito importante junto das gerações mais novas.

Nas eleições celebradas o ano passado, o partido Chega, […] obtevo um deputado e colocou seu líder André Ventura no parlamento. A formação se afiliou na Europa com Identidae e Democracia, o grupo de Marine Le Pen, e recebeu os qualificativos de ultra, extrema-derecha, populista, neofascista, etc. O que representa esse Chega? Seria ele uma mudança importante na política portuguesa?

Desde o aparecimento do Chega temos sentido os portugueses a falar mais de política. O partido tem sido um fenómeno mediático, trazendo alguma animação ao habitual marasmo político nacional. Recentemente, o historiador italiano Riccardo Marchi escreveu um livro sobre este jovem partido, tendo sido vítima de linchamento intelectual e de perseguição institucional por parte de outros académicos e intelectuais ligados à esquerda e extrema-esquerda. Tudo isto porque este investigador e professor universitário não associou o Chega a rótulos ridículos como “fascista”, “extremista”, “racista” ou outros lugares comuns que aparecem associados a este partido. Essa polémica fez correr muita tinta nos jornais, levando muita gente a questionar a liberdade de pensamento na sociedade portuguesa. O caso mostrou bem o terror da casta dominante perante a ascensão meteórica de uma força política que lhes prometeu uma oposição real. Nesse sentido, o aparecimento do Chega foi bastante importante. Contudo, não acredito que o ressurgimento pátrio passe pela via partidária. O nosso problema é, antes de tudo, sistémico e não partidário. Sem o fim deste regime monolítico imposto aos portugueses na sequência do 25 de Abril de 1974, jamais conseguiremos reverter a degradação moral e político-social da nossa sociedade.

O Chega, apesar de em muitos aspectos se mostrar diferente dos restantes partidos políticos, não deixa de ser um partido nascido da III República, moldado por uma mentalidade burguesa, conservadora nos valores e liberal na economia. A afiliação ao grupo Europa e Democracia, parece mais uma tentativa de legitimação do partido a nível nacional do que a procura de uma afirmação internacional. Contrariamente aos seus congéneres italianos e franceses, o programa político do Chega é ainda bastante flexível, sendo certo que continuará a sofrer alterações no futuro, ajustando-se assim a um eleitorado bastante heterógeno. Afinal, as intenções de voto no partido liderado por André Ventura continuam caracterizadas pela marca de protesto face a 46 anos de corrupção, tirania e incapacidade governativa.

Apesar do fechamento de fronteiras e das limitações aos movimentos de pessoas impostas pelo Covid-19, a Espanha segue recibendo um fluxo constante de imigração ilegal. Qual é a situação em Portugal? Segue sendo Lisboa a capital africana da Europa?

Não sei o que entendes por “capital africana da Europa”, mas, ainda assim, arrisco a dizer que a Lisboa de hoje não é mais africana do que qualquer outra capital europeia. Decorre na Europa uma invasão alógena desde que as democracias ocidentais decidiram fazer ‘tabula rasa’ da História esquecendo que, desde a antiguidade, a defesa da Europa é feita e assegurada fora das suas fronteiras.

Em Portugal, só muito recentemente começaram a chegar os primeiros imigrantes ilegais. Os movimentos nacionalistas e identitários mais activos como o Escudo Identitário, Associação Portugueses Primeiro, Movimento Social Nacionalista e o partido PNR, há muito que alertavam para esta inevitabilidade. Era bastante claro que seria uma questão de tempo até que os ilegais começassem a desembarcar nas nossas costas. Os primeiros ensaios para a criação de uma rota de tráfico humano que desembocasse em Portugal decorreram já na primeira metade de 2020. Desde então têm chegado com regularidade pequenos grupos de ilegais, sempre oriundos de Marrocos. As autoridades marroquinas declinam responsabilidades, enquanto o Estado Português, ansioso por protagonismo mediático “politicamente correcto” desautoriza autoridades fiscalizadoras como o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras que já alertou para a realidade destas redes, alegando falta de meios e de vontade política para combater este problema.

Entretanto, enquanto não chegam mais ilegais às nossas praias, o Governo Português vai-se mostrando sempre disponível para receber e acolher migrantes retidos noutros países. Felizmente para nós, não somos o destino que eles ambicionam. Relativamente ao Covid-19 e ao movimento de pessoas, não deixa de ser curioso que durante o período de confinamento Portugal continuasse a receber voos internacionais oriundos de diversas partes do mundo, nomeadamente do Brasil e de outros antigos territórios portugueses como Cabo Verde, ou Angola. Curiosamente, em países como Cabo Verde, os passageiros estavam sujeitos a testes e controlos sanitários, tanto à chegada como à saída do território. Por cá, era possível entrar e sair do país sem qualquer tipo de controlo, mas, no entanto, as autoridades não permitiam aos portugueses sair de casa para apanhar ar.

Também por aqui se percebe a inépcia e incapacidade do Governo em lidar com uma situação que só não foi catastrófica porque Deus assim não o quis.

Como a situação da Espanha é vista em Portugal?

Em Portugal sempre se acompanhou de perto a actualidade espanhola e com a questão do Covid-19 não tem sido diferente. Se por um lado o Governo procura assustar os portugueses com os números da pandemia em Espanha, por outro não se observam grandes críticas aos vossos governantes, com quem, aliás, têm mantido um estreito diálogo desde o início da pandemia. Afinal, pertencem à mesma grande família política e, por isso mesmo, deste lado prefere-se apontar o dedo a figuras como Donald Trump e Jair Bolsonaro, dois bodes expiatórios.

Conforme tive já oportunidade de referir, a situação em Portugal nunca chegou a ser preocupante. Não pelas medidas tomadas pelo Estado, mas pelo facto dos portugueses se terem mantido um passo à frente dos seus governantes, sobretudo durante o período em que toda esta situação representava ainda uma incógnita e o Governo demorava a tomar decisões.

Hoje, o crescente número de infectados em Espanha tem sido apresentado como uma inevitabilidade resultante da natureza do vírus e usado como desculpa para continuar a exercer controlo sobre a população, incutindo-lhe o medo. Nesse sentido, Espanha tem sido uma espécie de barómetro da desgraça, tal como foi a Itália no início do ano. Apesar do Governo Espanhol se mostrar bastante mais duro do que o português na aplicação de certas normas, é notório que os ambos os países obedecem à mesma agenda internacional, encabeçada por instituições como a Organização das Nações Unidas ou a Organização Mundial de Saúde.

Fonte: El Correo de España

José Almeida

José Almeida é licenciado em Ciências Históricas e pós-graduado em Turismo Cultural. Atualmente é redator adjunto da revista ‘Nova Águia’, membro do conselho do MIL - Movimento Internacional Lusófono, colaborador dos jornais ‘O Diabo’ e ‘Agora’, tradutor, editor e investigador do Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa. É coautor de várias obras coletivas relacionadas a história, filosofia e cultura portuguesas.

Deixe uma resposta