Bolsonaro está firme no poder?

A crença de que Jair Bolsonaro está seguro no governo e que as forças políticas se acomodaram não tem grande fundamento. No jogo de xadrez do poder, as peças distribuídas no tabuleiro estão muito desfavoráveis ao presidente.

Ele cometeu muitos erros nos movimentos iniciais do jogo, negando a epidemia, apostando na cloroquina e blefando sobre suas possibilidades de conduzir um golpe militar.

Como resultado, acontece um eclipse momentâneo da influência olavética, e um perigo real ronda peças chaves do Reino: inquéritos envolvendo os filhos, desmonte do financiamento do gabinete do ódio e da mídia particular do Presidente [fake news], ameaça aos propagadores de protestos contra as instituições [manifestações ”antidemocráticas”], cerco aos vínculos com milícias [prisão de Queiroz, rachadinhas, neutralização de Wassef].
Todas essas peças de Bolsonaro estão em perigo, e podem ser movimentadas depois do fim do recesso do STF.

Há também um movimento de distanciamento entre as FFAA e os generais que formam o núcleo duro do Planalto [”desmilitarização”, como chamou Merval Pereira em coluna recente], uma tentativa do Exército de se blindar contra os blefes do mentecapto-mor.

Bolsonaro continua na cadeira presidencial por causa da popularidade: ele tem 32% de bom/ótimo no Datafolha, e 44% de ruim péssimo. Não é um cenário que torne possível a derrubada de Jair, por enquanto.

Mas essa situação não está ‘congelada’, como muitos estão apostando. Se a popularidade do Reino cair durante esse inverno, ele será liquidado rapidamente.

Voltando à metáfora do xadrez, os erros iniciais no jogo lhe tiraram o comando do centro do tabuleiro. Ele foi massacrado por jogadores muito mais hábeis, dentre os quais se destacam Celso de Mello e, principalmente, Alexandre de Moraes — mas há outros agentes, como a aliança entre a Globo e Sérgio Moro.

O jogo está fora do controle da Dinastia. Nesse momento, eles têm de rezar, e muito, para que a epidemia não exploda em Minas, no Centro-Oeste e no Sul do país em julho e agosto. O inverno, o inverno….

Quanto a popularidade, isso é uma queda de braço. A hora em que um lado cansar de resistir à força superior do oponente, o aparente ”equilíbrio” se rompe de vez. Ou, depois que passar um boi, estoura a boiada.

André Luiz

Historiador, mestrando em História pela UFRJ, cristão ortodoxo e membro da NR-RJ.
 

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