A Miopia Geopolítica de Olavo de Carvalho

Um seguidor fanático de Bolsonaro compartilhou um texto de Olavo de Carvalho que foi publicado em uma de suas obras polemistas. Nele, o pseudo-guru reclamava que os intelectuais brasileiros e a opinião pública foram tomadas por um ”sociologismo’‘, marcado por relativismo, redução das análises aos problemas socioeconômicos, e restrito a uma dimensão histórica. Os problemas não seriam nunca vislumbrados a partir de uma profundidade gnoseológica e metafísica.

Como consequência, a ação política no Brasil sofre uma cisão grave, um conflito originário, que confunde um método sociológico e antropológico com a própria natureza da realidade. A causa dessa balbúrdia, dentre outras coisas, é a falta que nos fez um maior estudo e enraizamento das grandes correntes filosóficas — com exceção do positivismo e do marxismo.

O interessante é que Olavo realiza essa crítica ao Brasil mas não aos Estados Unidos da América, um país que é o epicentro dos estudos antropológicos, e que tem vigorosa tradição da sociologia funcionalista. O vigor filosófico ianque é marcado antes pelo liberalismo de um Locke e pela tradição do pragmatismo do que por qualquer grande corrente metafísica que remonte ao idealismo alemão — citado por ele na crítica ao Brasil.

Mitovi o Hiperboreji | The Fourth Political Theory

Mas como os problemas da superficial sociedade ianque não resolvem os problemas do Brasil, e concedendo que talvez exista de fato essa dificuldade ”sociologizante” nos intelectuais — eu não penso que as ações políticas sejam definidas por acadêmicos, e que acadêmicos ajam politicamente movidos apenas por suas teorias expressas na Academia, isso é um reducionismo do Olavo, que o torna cego para outros sujeitos políticos na história brasileira, como a Maçonaria à qual pertence o Mourão, ou o sionismo dos financiadores de Bozó, só pra dar dois exemplos de que desagradariam o ”guru” –, qual seria a realidade cuja natureza Olavo conhece que motiva sua própria ação, de sua seita e de seus alunos no terreno política?

[Não me venha dizer que essa ação inexiste, seria de uma covardia infantil espantosa.]

Ora, a ciência que media as doutrinas sociais e o campo da metafísica não está apenas nos esquemas filosóficos, mas na geopolítica, expressão secularizada de uma geografia sagrada e de uma angelologia diretamente vinculada ao terreno da Tradição.

É por desprezar esse próprio campo de análise que o Olavo não conseguiu sequer entender os termos do debate que teve com Alexander Dugin, intelectual que age justamente a partir de uma perspectiva mergulhada na Tradição, encarando os embates entre sujeitos da política internacional a partir de conflitos de raízes metafísicas, orientados, por sua vez, pela contraposição/complementaridade dos polos Terra e Mar.

Quem entende essa abordagem percebe, claramente, que Olavo contribui para a destruição do Brasil.

É nosso inimigo, inclusive no campo espiritual, além de um lambe-botas do anticristo.

André Luiz

Historiador, mestrando em História pela UFRJ, cristão ortodoxo e membro da NR-RJ.
 

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