A Atualidade de Alexander Dugin

Por Georges Feltin-Tracol

O filósofo russo Alexander Dugin foi proibido de visitar qualquer parte da chamada União Europeia por quase quatro anos devido a suas posições intervencionistas sobre a Ucrânia. Felizmente, essa proibição não impede que as valiosas edições da editora Ars Magna de Nantes continuem e possam expandir as publicações em francês das obras do pensador da “Quarta Teoria Política”. Há mais de setenta livros em russo.

Em outubro de 2019, apareceu na coleção “Heartland” o livro Las raíces de la identidad (Escritos euroasiáticos 2012-2015) (300 p., 30 €) seguido, um mês depois, na mesma coleção, por Le retour des grands temps (Escritos euroasiáticos 2016 – 2019) (449 p., 32 €). O título desse último livro é uma referência óbvia a um trabalho de Jean Parvulesco publicado em 1986 por Guy Trédaniel. Alexander Dugin nunca ocultou sua admiração por esse novelista que interpretou À bout de souffle de Jean Luc Godard. É compreensível que o editor retome esse título.

Nessas duas novas obras, Alexander Dugin condena a dominação tirânica do Ocidente materialista ultramoderno. Em resposta, oferece uma alternativa decididamente não liberal que não se baseia nos fracassos históricos do comunismo e do fascismo. Nessa “era de titãs” pós-modernista, o autor se esforça por definir novas direções. Portanto, confirma que o principal inimigo, o inimigo prioritário segue sendo “o liberalismo [que] é o nome da morte (Le retour…, p.26)”. De fato, “o liberalismo destrói todo sentido de identidade coletiva, escreve com razão, e, logicamente, o liberalismo destrói a identidade europeia (com sua chamada tolerância e suas teorias dos direitos humanos) (Idem, p. 72)”. Também denuncia a estreita cumplicidade dos diversos grupos políticos, desde o esquerdismo social até a extrema direita supremacista, incluídas as formações institucionais, que se submetem aos mandamentos liberais. Insiste no enfoque macabro do mundo ocidental e não se surpreende com a moda atual dos zumbis, tão populares no cinema, nas histórias em quadrinhos, nas séries de televisão e videogames.

Em contrapartida, toma a ação decisiva de Vladimir Putin. “Ele elege o poder, não a democracia”, diz Dugin. “Unidade, não pluralismo territorial. Ordem, não caos sangrento e guerra civil. Em suma, diante da morte, Putin elege a vida. A vida do país, Estado, Nação (Id., P.207).”

Nesse momento crucial quando “a pós-modernidade deve ser global (Id., P.223)”, Alexander Dugin considera que “o redescobrimento da pré-modernidade é a única ação lógica. Aqui nos encontramos com a filosofia tradicionalista e a crítica essencial do mundo moderno como conceito (Id., P.223)”. Tais comentários poderiam confundir mais de um leitor. No entanto, ainda que o autor comente sobre notícias políticas (confia em grande medida nos jalecos amarelos para frustrar as manobras globalistas), deposita sua confiança, todavia, na geopolítica que “na era do fim das ideologias é a única maneira de interpretar corretamente as relações internacionais e certos processos internos”. Então, continua: “a ignorância da geopolítica é uma ação contra si mesmo. Se você não é sujeito da geopolítica, é simplesmente seu objeto (Id., P. 305)”.

Alexander Dugin proporciona a todos os combatentes anti-cosmopolitas munições de primeira – espirituais, políticas, culturais e sociais, e que nos ajudam a entender melhor porque ele se transformou no inimigo público número um da República Invertida das Letras Globais.

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