Saída de Moro derruba pilar de sustentação do bolsonarismo

Será como um dominó. As defecções vão ser enormes daqui por diante. Os ratos abandonarão o navio em desespero de causa.

A destruição que a saída de Moro está causando é irreversível. Devasta não apenas o grupo dos moderados — que ainda toleravam o Reino bolsonarista mesmo sabendo de seus defeitos —, mas também parte considerável daqueles que defendiam a integridade e honestidade do “Presidente evangélico” e “messiânico”.

Não só a classe média udenista desembarca do (des)governo, mas também um naco considerável das classes populares que inchavam aqueles 30% de crentes numa grande conspiração da mídia contra a família Bolsonaro.

Moro arrebentou com a credibilidade de Bolsonaro. Ele não apenas saiu, mas atirou no coração da imagem idolátrica que muitos haviam construído em torno do mentecapto-mor — que, por sua parte, acreditava piamente que Moro sairia como Mandetta, sem atirar contra o ex-patrão, do mesmo modo passivo com que encarou todas desfeitas até aqui; ele não contava que Moro defendesse seu capital político.

Foi um erro grave de Bolsonaro, que jogou fora um dos principais sustentáculos de seu (des)governo para tentar barrar as investigações da PF no inquérito aberto por Alexandre de Moraes. Deu um tiro no próprio pé e, no fim, não vai conseguir deter investigação nenhuma. Moro também fez questão de implodir qualquer governabilidade nesse campo. Além disso, o ex-advogado do PCC é mafioso, com grande influência na corporação, tendo chegado à Corte pelas mãos de Temer com o objetivo de obstaculizar o desmonte que era realizado pela Operação Lavajato — mais do que a aposta que muitos oposicionistas faziam em Rodrigo Maia, mais do que a gritaria de Ciro Gomes no Twitter ou o carisma de Lula, quem está levando mesmo o Reino bolsonarista à contagem no ringue são alguns membros do STF. Aliado a Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes vem emparedando a família de criminosos que usurpou o governo federal. Flávio e agora Carlos estão na mira do ministro, em investigações com potencial pra demolir de vez o nefasto Reino de subordinados da CIA.

Será como um dominó. As defecções vão ser enormes daqui por diante. Os ratos abandonarão o navio em desespero de causa.

André Luiz

Historiador, mestrando em História pela UFRJ, cristão ortodoxo e membro da NR-RJ.
 

Deixe uma resposta