O filme “Aves de Rapina” odeia homens, mas quer o dinheiro deles – obviamente está passando vexame nas bilheterias

Hollywood tem enchido os cinemas de filmes “feministas” e “empoderadores”. O recente “Aves de Rapina”, da Warner, é apenas o mais recente. E a tendência é que seja um filme tão fracassado quanto o “Caça-Fantasmas” expurgado de homens e o recente “As Panteras” cheio de lacração empoderada. Na prática, o discurso feminista já saturou e só encontra receptividade em nichos cada vez menores, e mais entre homens do que entre as próprias mulheres.

O novo filme do Universo DC “Aves de Rapina” é povoado por homens desprezíveis, e mulheres feministas que querem ser exatamente como eles. O resultado: perdas financeiras e falência moral.

“Aves de Rapina (e a Fantabulosa Emancipação da Arlequina)” estreou na sexta-feira e estrela a atriz Margot Robbie, duas vezes indicada ao Oscar, que se apresenta como a supervilã da DC Comics Arlequina.

O filme é comercializado como um manifesto de poder feminino que reimagina a Arlequina sem o sexismo condescendente que as feministas acharam ser tão proeminente no “Esquadrão Suicida” de 2016, o último filme a apresentar Margot Robbie como a personagem.

Embora o “Esquadrão Suicida” fosse considerado um filme de baixo desempenho, com uma história de produção notoriamente conturbada, ele ainda arrecadou 750 milhões de dólares nas bilheterias.

Os primeiros números sugerem que, apesar das críticas mais positivas dos principais meios de comunicação, o novo filme terá dificuldade em fazer metade desse número, e com um orçamento de filmagens de 100 milhões de dólares e custos de marketing substanciais, “Aves de Rapina” provavelmente vai perder dinheiro para a Warner Brothers no cinema.

Como é que eles erraram tanto?

“Masculinidade Tóxica” – checado, “olhar masculino” – checado

“Aves de Rapina” baniu o problemático “olhar masculino” do “Esquadrão Suicida” – que supostamente desumanizou Harley tornando-a puramente um objeto de desejo – ao empregar uma equipe criativa só de mulheres que incluía a produtora Margot Robbie, a escritora Christina Hodson e a diretora Cathy Yan. A produção vai tão longe na exorcização dos homens que chega a ter uma trilha sonora contendo apenas artistas femininas.

O problema, porém, é que “Aves de Rapina” tenta encontrar um equilíbrio e fazer uma combinação caótica de “Deadpool” com “Mulher Maravilha” – só que não tem a menor noção sobre o humor sardonicamente masculino de “Deadpool” e o poder feminino atraente de “Mulher Maravilha”, ou sobre masculinidade e feminilidade em geral.

A política sexual do filme é, no mínimo, agressiva. Em nosso clima cultural atual, masculinidade tóxica e masculinidade se tornaram sinônimos, então não é surpresa que “Aves de Rapina” se esforce ao máximo para denegrir e depreciar todos os seus personagens masculinos e ao mesmo tempo venerar todos os seus personagens femininos.

Todo homem do filme, com a única exceção sendo um personagem (interpretado pelo ator criminalmente subutilizado Eddie Alfano) com quinze segundos de tempo de tela e sem diálogo, é ou privilegiado, calculista, maniacamente violento, um estuprador ou tudo o que foi dito acima ao mesmo tempo.

Em contraste, toda personagem feminina usa a nobre coroa da vitimização resiliente depois de ter sofrido nas mãos cruéis dos homens.

O feminismo é sobre as mulheres serem tão violentas quanto os homens?

O retrato dos homens como bestas misóginas é bastante unilateral; a certa altura, Harley e suas amigas estão cercadas e o sádico Roman Sionis (Ewan McGregor) grita ao seu exército de bandidos só de homens: “Homens de Gotham, vão pegar essas vadias!”

O que é tão bizarro sobre a suposta mensagem de poder feminino do filme é que, enquanto ela nos diz incessantemente que os homens são criaturas desprezíveis, todas as personagens femininas são aduladas por tentarem se comportar como homens. Como com o recente lote de filmes feministas como o reboot de “As Panteras”, de 2019, e “O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio”, “Aves de Rapina” acredita que feminismo significa que as mulheres devem agir como homens.

Ainda mais desconcertante é a esquizofrenia cinematográfica de “Aves de Rapina”, pois o filme obviamente odeia os homens, mas está tão desesperado por sua atenção que fornece um suprimento constante de hiperviolência. Como diz a Arlequina, “nada chama a atenção de um homem como a violência… explodir algo, matar alguém.”

Isto é o que acontece quando se coloca uma agenda confusa à frente de uma boa história

Por coincidência, o New York Times publicou uma op-ed da atriz Brit Marling, chamado “Eu não quero ser a protagonist femina forte”, no dia da estreia de “Aves de Rapina”.

No texto Marling descreve as protagonistas femininas fortes dizendo “Ela é uma assassina, uma espiã, um soldado, uma super-heroína, uma CEO. Ela pode fazer uma compressa com um absorvente enquanto foge. Ela tem os recursos do MacGyver, mas fica melhor de camisetinha.”

De certa forma isto se aplica a “Aves de Rapina”, uma vez que as mulheres são mais inteligentes, duras e fortes que os homens, só que foram despojadas do seu sex appeal em uma tentativa contundente de ser pró-feminista.

Por exemplo, a Arlequina usava shorts curtos e trajes sedutores no “Esquadrão Suicida”, mas no poderoso “Aves de Rapina”, ela usa bermudas largas e um sutiã esportivo rosa. É como se a Arlequina desse uma de Lady Macbeth e gritasse “me dessexualize aqui!”, e os cineastas atenderam obedientemente para provocar o patriarcado.

Contraste isso com o intervalo do Super Bowl, onde Jennifer Lopez e Shakira foram declaradas ferozmente feministas quando vestiram trajes minúsculos e literalmente dançaram como strippers.

Como podem cineastas mulheres como Cathy Yan narrar adequadamente uma história feminista empoderadora se as feministas ainda nem descobriram o que é o feminismo?

Esta confusão se manifesta quando “Aves de Rapina” define as mulheres apenas em oposição aos homens, mas depois as faz imitar a masculinidade como uma demonstração de sua força feminina.

Brit Marling não estava comentando sobre a preocupante política sexual anti-homem maniqueísta de “Aves de Rapina”, mas poderia ter sido, quando eloquentemente escreveu: “Não acredito que o feminino seja sublime e o masculino seja horrível. Acredito que ambos são valiosos, essenciais, poderosos”. Mas nós temos vilipendiado um, venerado o outro, e caímos em performances exageradas de ambos que causam danos a todos. Como é que podemos restaurar o equilíbrio?”

Essa é uma boa pergunta, mas “Aves de Rapina” não tem o menor equilíbrio… e qualidade, aliás. É uma bagunça de filme que apresenta sequências de ação derivativas, repetitivas e enfadonhas, e que tenta ser engraçado, mas não é. Ora, há uma hiena no filme e nem ela estava rindo. Assistir a esse filme me fez sentir como andar por uma piscina de tamanho olímpico de vômito radioativo “empoderador”.

Se igualdade é mulheres fazendo filmes misândricos, hiperviolentos, incoerentemente insípidos e terríveis, então “Aves de Rapina” é um sucesso esmagador para o feminismo. É também um fracasso abissal para o cinema… e provavelmente para a humanidade. Ele merece fracassar.

Fonte: https://www.rt.com/op-ed/480385-birds-of-prey-feminism-hatred-money/

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