Discurso da Nova Resistência no Congresso Trabalhista

A Nova Resistência foi convidada pelos camaradas da Frente Nacional Trabalhista para participar nos últimos dias 17, 18 e 19 de maio do Congresso Trabalhista, um importante evento organizado pelo ex-deputado federal Vivaldo Barbosa e pelo vereador Leonel Brizola Neto.

Nele se fizeram presentes diversos baluartes históricos do trabalhismo, todos reunidos com o objetivo de refletir sobre a importância histórica do trabalhismo e de manter acesa a sua chama, para que esta que tem sido a principal expressão histórica do nacionalismo brasileiro nos guie para o futuro.

Durante a abertura do Congresso, a Nova Resistência, através de seu líder Raphael Machado, teve a oportunidade de apresentar a seguinte mensagem aos participantes e palestrantes:

Camaradas,

Somos membros da Organização Popular Nova Resistência, um coletivo formado por patriotas comprometidos com a libertação do nosso povo, com a construção de um Estado que realize a efetiva soberania do Brasil e com a realização das maiores potencialidades de nossa gente.

O trabalhismo se constituiu como a mais legítima experiência de luta do povo brasileiro contra os exploradores da nação e contra o projeto de manutenção do país nas mãos de um sistema neocolonial e parasitário. O Trabalhismo não é uma importação doutrinária de teóricos e acadêmicos distanciados da realidade e das necessidades de nossa população, e sim uma tradição que se forma em meio aos embates históricos contra o imperialismo e aos grupos que a ele se associaram, aos enfrentamentos pela ampliação da cidadania e pela soberania popular. Nesse sentido, nós trabalhistas não somos apenas nacionalistas como genuinamente nacionais.

Temos convicção de que nossa independência e mais elevadas possibilidades não podem ser alcançadas sem que coloquemos em xeque o modelo econômico atual e sem que realizemos a democracia social preconizada pelo Presidente Getúlio Vargas.

O escopo de libertação da nação dos laços que a escravizam deve ter em vista nosso destino civilizacional. Nós da Nova Resistência percebemos o Brasil como partícipe do horizonte histórico da unidade latino-americana. A conquista de nossa soberania está intrinsecamente vinculada também à realização da Pátria Grande. Somos discípulos de Darcy Ribeiro na busca pela formação da Nova Roma tropical, junto aos povos novos e demais países do continente latino e por oposição à América anglo-saxã.

Camaradas, nos encontramos em uma verdadeira encruzilhada de nossa História. Durante a Nova República, liberais de esquerda e de direita se uniram com o intuito de enterrar a Era Vargas. Para isso, sabotaram o nacionalismo-popular e o trabalhismo, tentando deslocá-lo de sua centralidade político-partidária. Os resultados dessa agenda podem ser vistos nessa última década, frutos da insanidade de abandonar a verdadeira via que construiu um projeto estratégico de país soberano e que nos capacitou a tomar o destino da pátria em nossas próprias mãos.

Os liberais de esquerda e de direita, ambos inimigos do trabalhismo, se tornaram as forças hegemônicas no sistema partidário e nos levaram a um período de servilismo ao globalismo financeiro e cosmopolita. As diretivas do Estado ficaram agrilhoado pelo rentismo, voltadas à precarização do trabalho, subordinadas à indústria cultural de massas bombardeada pelos centros do capitalismo internacional, e alinhada à geopolítica do Império ianque.

Nessa hora crucial pensamos ser necessário remontar às raízes do nacionalismo-popular e revolucionário, desfraldando as bandeiras de um de seus mais poderosos representantes, Leonel Brizola. Falamos não apenas do reavivamento na memória popular da imagem do líder pedetista, cuja bravura e coerência são ímpares na vida política de nossa pátria. Mas também de seu pensamento, de sua capacidade de análise das linhas estruturais que modelam os conflitos brasileiros.

Brizola é não só uma figura inspiradora do passado, um líder simbólico para a continuidade de nossas lutas. Seu pensamento sobre a realidade nacional é atual. Assim como nos anos 1960, vivemos um acirramento de um conflito geopolítico que levou o Império ianque a uma intervenção mais direta com o escopo de manter o controle sobre as sociedades latino-americanas. Assim como nos anos 1960, forças agindo no interior do país estão dispostas a colaborar com a radicalização da submissão da pátria aos ditames da potência dominante.

Diante desses desafios, que também são os nossos, Brizola fazia da carta-testamento de Getúlio sua bússola. De sua leitura, concluía que a chave dos problemas brasileiros era o ”processo espoliativo” a que estávamos submetidos por interesses de potências internacionais. Eis aí uma perspectiva anti-imperialista, que leva em conta o nosso papel e o dos vizinhos sul-americanos no âmbito das disputas globais.

O velho Leonel considerava que parte da elite brasileira se vinculava a esse processo espoliativo, servindo de elo na exploração do povo. Essa elite não era parte verdadeira da nação, eram os ”traidores”. Os conflitos pátrios se amoldavam a essa dicotomia: de um lado os traidores que serviam de intermediários e aliados do processo espoliativo; do outro lado o povo, se batendo por liberdade frente a esses inimigos imperialistas.

Essa peleja conduziria a uma batalha de sabor apocalíptico, que Brizola chamava de ”desfecho”. O desfecho era nosso Armageddon, que colocaria povo e “anti-povo” em trincheiras opostas. Não haveria outra alternativa possível senão a de combater em prol do país ou ser arregimentado pelas hostes dos traidores.

Para ser bem sucedido no ”desfecho” e colocar fim ao ciclo imperialista na nossa história, o povo tinha de se organizar. As demandas em torno de posições no sistema político-partidário, nos sindicatos e em outras instituições eram importantes e jamais deveriam ser deixadas de lado. Mas outras esferas de atuação também eram fundamentais. Daí a necessidade dos ”Comandos Nacionalistas” ou ”Grupo dos Onze”, que seriam células preparadas para o momento do ”desfecho”.

A busca pela libertação do povo brasileiro deveria incluir os meios da política burguesa-liberal, capaz de levar adiante uma política reformista. Mas diante dos limites estabelecidos pela captura e pelo desvirtuamento dos meios democráticos pelos traidores, ou agentes internos do imperialismo, o povo organizado estaria pronto para resistir e militar até mesmo contra golpistas escondidos sob os uniformes e emblemas das Forças Armadas e policiais, do Parlamento ou do Ministério Público.

Como nacionalistas revolucionários brizolistas, entendemos que o Brasil deve trilhar um caminho próprio, nem capitalista nem comunista; sem adesão inconsciente a nenhum dos pólos geopolíticos na contenda por hegemonia global, mas se constituindo em um dos centros de um mundo verdadeiramente multipolar; sem nos prendermos a doutrinas materialistas ou abstrações idealistas, mas nos alimentando da cultura popular e comprometidos com a integração das massas em todas as dimensões da vida social.

Companheiros, estamos dispostos e preparados para a luta.

Brizola Vive!

Liberdade! Justiça! Revolução!

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