A propósito da questão feminina – Para além do liberalismo de direita e de esquerda

O consenso ideológico hegemônico, produzido pela elite, estabelece o feminismo como um processo de “libertação” da mulher. Ela foi “libertada” do quê?

Supostamente, em relação à “tirania” patriarcal. Segundo essa narrativa, de conteúdo intrinsecamente liberal (vide Kant) haveria algum tipo de opressão inata às sociedades patriarcais, em relação à qual a mulher deveria ser “libertada”.

Na prática, essa “liberdade” em relação ao marido só serviu para desintegrar a família de modo a permitir que a mulher possa ser uma boa escrava do patrão. A mulher não avançou no sentido de qualquer “libertação”.

As condições às quais a mulher está submetida nos países de capitalismo mais avançado (vendidas como “progresso” pela militância feminista) fizeram disparar os índices de depressão e ansiedade, bem como as DSTs.

Para piorar, essa lógica entra em contradição com a janela biológica de fertilidade da mulher. Ao invés de poderem viver sob condições que lhes permitam ter filhos no momento correto, há mulheres que estão adiando (nem sempre por escolha) ter filhos, às vezes até os 40 anos de idade. Riscos de vida maiores, maior probabilidade de diversas deficiências no bebê.

Uma camarada nossa, operária de fábrica, comentou o seguinte sobre o quão “libertada” ela se sente:

“Meus pés doem. Meu corpo implora por descanso. De segunda a sexta, meu único desejo é o final de semana. No auge da minha fertilidade, a situação financeira me confronta quando penso em ter filhos. E mesmo que já os tivesse, estariam longe de mim, sendo criados por terceiros, pois estou perdendo minha juventude apenas para pagar as contas e ter o suficiente para comer.

Poucos dias atrás ganhei um bombom do patrão, com um pequeno cartão dizendo: “Antigamente as mulheres só podiam ser donas de casa, e hoje em dia elas podem ser donas da própria história. Feliz dia da Mulher”. Me forcei a sorrir e agradecer, enquanto a revolta dominava meus pensamentos. Grande ‘história’ essa, onde minhas opções são trabalhar por um salário de miséria ou morrer de fome na rua”.

A mulher foi realmente libertada? E foi ela a principal beneficiária de sua “libertação”?

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