Se você é idoso, o governo te odeia:

O que você está fazendo vivo se você já está aposentado? Por que ainda não morreu? Não tem noção do seu peso para a sociedade? Você não sabia que é um vagabundo (segundo o ex-presidente FHC e um parasita, segundo neoliberais thatcheritas)?

Essa é a perspectiva do governo brasileiro e de todo típico governo neoliberal de um Estado capitalista. Ser cidadão é ser um membro produtivo da sociedade, no sentido de fazer parte da força de trabalho. E se você não é parte dessa força de trabalho, você é um “peso”, um “parasita”. E “parasitas” precisam ser expurgados para garantir a “higiene econômica” de um Estado que é visto como inimigo pelas mesmas pessoas que o controlam.

A única função da Reforma da Previdência do governo Temer é essa. Não existe déficit na Previdência. Já publicamos várias vezes sobre isso. Os cálculos estão propositalmente errados, simplesmente porque ignoram várias fontes de receita que compõem todo o sistema de Seguridade Social. O relatório da CPI da Previdência confirma: a Previdência é superavitária.

Os poucos possíveis entraves e complicações econômicas que circundam o sistema de Seguridade Social derivam, não do próprio sistema (que é razoável, apesar de imperfeito), mas, sim, do compromisso inconstitucional e ilegítimo que impede o governo de mexer nos pagamentos dos juros da dívida em prol de outros gastos mais importantes. E nada disso é novidade.

Os políticos brasileiros não são ignorantes. Eles sabem muito bem o que estão fazendo e quais serão as consequências. Sabem, porque já aconteceu em outros países, que já passaram por reformas similares. As consequências serão idosas se prostituindo, idosos virando mendigos, idosos passando fome. Somando-se à tendência individualista dos filhos abandonarem os pais na velhice, bem como à redução de casamentos e o aumento nos divórcios, a longo prazo, a próxima geração de idosos brasileiros será semelhante aos idosos japoneses: morrendo sozinhos, após anos de velhice na miséria, depois de décadas de serviço ao país e ao povo.

O capitalismo é, de fato, o sistema mais diabólico e anti-humano que se poderia imaginar. Ele é insuperável em sua perfídia. E a mente humana ainda não conseguiu pensar ou construir sistemas políticos e econômicos piores. Ele te explora e te expropria das riquezas que você produziu ao longo de toda a sua vida, acaba com a sua saúde, corrói a sua mente e, no fim de sua vida, te cospe como se você não fosse nada.

Rejeitar o capitalismo é um imperativo moral e uma questão de sobrevivência.

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