O capitalismo é inimigo do identitarismo:

Apesar das décadas de produção e ativismo da Terceira e Quarta Vias, e do trabalho de divulgação e propaganda da geração dissidente 2008-2012 do Brasil, mais recentemente, seguem surgindo “dúvidas” ou posturas dissonantes em relação ao consenso dissidente em relação ao capitalismo e ao liberalismo.

Há aqueles, inclusive, que pensam ser o capitalismo e o liberalismo compatíveis com o identitarismo: uma opinião que é mais comum nos EUA ou entre anglo-saxões em geral.

Então é necessário mais esforço doutrinário para se demonstrar que o principal inimigo de todo e qualquer identitarismo é o capitalismo. O ponto de partido para qualquer coisa nesse sentido é simplesmente apontar fatos básicos e fundamentais:

(1) Nos países em que, durante a Guerra Fria, prevaleceu o domínio da esfera de influência e controle das potências capitalistas, houve uma corrosão maior das culturas e costumes tradicionais em comparação com a esfera de influência e controle das potências socialistas;

(2) A imigração é fomentada, financiada e promovida pelos grandes empresários e por políticos liberais, desde uma perspectiva de interesses puramente capitalistas, de redução de custo de mão-de-obra;

(3) É da própria natureza do capitalismo almejar e promover um mundo sem fronteiras, que seja o mais homogêneo possível, tendo em vistas aumentar a racionalidade e a previsibilidade geral do mercado;

(4) A substituição da arte erudita e da arte folclórica, enraizadas em uma tradição, por uma arte comercial, tanto no âmbito das galerias e museus, como no das rádios, TVs e do entretenimento popular, segue uma lógica de commoditização e fetichização que só tem como ocorrer com o desenvolvimento do capitalismo;

(5) A destruição generalizada do meio ambiente, levando à extinção anual de milhares de espécies, à poluição generalizada e a riscos para a sobrevivência da humanidade, tem como base a ideologia do crescimento econômico ilimitado (processos monotômicos), que tem como fundamento a crença de que a finalidade da atividade econômica deve ser gerar lucro: que é um dos corolários do capitalismo;

(6) O capitalismo é, em essência, anticristão, antipagão, em suma, anti-Tradicional, principalmente no que concerne aos temas da usura, do consumismo, do acúmulo de propriedade, do lucro como fim, etc.

(7) O envenenamento da humanidade por meio da indústria alimentícia, e da indústria farmacêutica, só tem como acontecer por causa do estágio avançado de desenvolvimento do capitalismo, no qual a única finalidade da empresa é render dividendos para acionistas;

(8) O capitalismo é o principal inimigo da propriedade familiar, base do identitarismo. Conforme ele avança, os ricos acumulam ainda mais terras e suas empresas crescem cada vez mais, de forma que os pequenos agricultores e pequenos empresários acabam tendo que vender tudo o que têm pela impossibilidade de competir. Desta forma, quanto mais capitalismo, menos propriedade;

(9) O ingresso da mulher no mercado de trabalho, uma das bases do feminismo, ocorre com o fim de aumentar a oferta de mão-de-obra, gerando, assim, uma redução salarial geral e, por essa razão, não só nunca contou com oposição dos capitalistas, mas, ao contrário, sempre foi por eles desejado.

Temos já muitos pontos. Precisamos de mais alguma coisa para enterrar de vez a noção de compatibilidade entre capitalismo e identitarismo?

Raphael Machado

Advogado, ativista, tradutor e membro fundador da divisão brasileira da Nova Resistência, é um dos principais divulgadores do pensamento e obra de Aleksandr Dugin e de temas relacionados a Quarta Teoria Política no Brasil.

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