Pe. Félix Sardá y Salvany – Liberalismo é Pecado:

O que é Liberalismo? Na ordem das idéias, é um conjunto de idéias falsas; na ordem dos factos, é um conjunto de factos criminosos, conseqüência prática daquelas idéias.

Na ordem das idéias, o Liberalismo é o conjunto do que se chamam princípios liberais, com as conseqüências lógicas que deles se derivam. Princípios liberais são: a absoluta soberania do indivíduo com inteira independência do divino e da autoridade; soberania da sociedade com absoluta independência do que não provenha dela mesma; soberania nacional, isto é, o direito do povo para legislar e governar-se com absoluta independência de todo o critério que não seja o de sua própria vontade expressa primeiro pelo sufrágio e depois pela maioria parlamentar; liberdade de pensamento, sem limitação alguma em política, em moral, ou em religião; liberdade de imprensa, igualmente absoluta ou insuficientemente limitada; liberdade de associação de igual latitude. Estes são os chamados princípios liberais no seu mais cru radicalismo.

Na ordem dos factos, o Liberalismo é um conjunto de obras inspiradas por aqueles princípios e reguladas por eles. […] É impossível enumerar e classificar os factos que constituem o proceder prático liberal, pois compreendem desde o ministro e o diplomata, que legislam ou intrigam, até ao demagogo, que perora no clube ou assassina na rua […] desde o livro profundo e sabichão que se dá como texto na universidade ou instituto, até a vi caricatura que regozija os frequentadores de taberna. O Liberalismo prático é um mundo completo de máximas, modas, artes, literatura, diplomacia, leis, maquinações e atropelamentos completamente seus. Eis aqui, pois, retratado, como doutrina e como prática, o Liberalismo.

(Salvany, Felix Sardá. O liberalismo é pecado. São Paulo: Companha Editora Panorama, 1949).

1 Comment

  1. Agradeço pelo texto e respeito a posição do padre. Porém quanto a Deus e seus tentáculos mui mundanos eu particularmente dispenso. Nem este padre nem muitos outros contemporâneos compreendem a moral fora da circunscrição religiosa, e isso é assim menos por ignorância do que porque, realmente, historicamente, a análise da moral laica e as contribuições da Filosofia e da Psicologia – e ciências – são mesmo muito novas. No mais é interessante o que o autor nos expressou.

Deixe uma resposta