A democracia liberal é uma ilusão:

As coisas mudam, mudam, mudam, mas permanecem as mesmas. O jogo da democracia burguesa, extremamente maleável, é do tipo que tende a engolir, abarcar e sistematizar praticamente toda oposição a quem está no governo.

A democracia burguesa, fundamentalmente liberal, está baseada na ilusão da representação. O “cidadão” vota. Cada um tem um voto. A soma dos votos determina quem serão seus “representantes”. Ou pelo menos é isso que diz a teoria.

Ausente qualquer mecanismo de controle sobre os tais “representantes”, a realidade é que eles não são representantes dos cidadãos. Na democracia, os políticos representam, não os cidadãos, mas forças econômicas e culturais “invisíveis”.

Essas forças econômicas e culturas são as verdadeiras responsáveis por colocar políticos no poder e são sempre elas as maiores beneficiárias das eleições.

O sistema partidocrático serve para fragmentar o povo em mil facções, a maioria delas possuindo diferenças mínimas das outras. Quase todas puramente oportunistas. Os sindicatos, outrora uma força revolucionária, foram fragmentados e enquadrados dentro do “sistema democrático”. Não defendem mais o trabalhador.

A própria Constituição só serve como instrumento para a preservação de um status quo injusto e decadente. Ela é exaltada como baluarte imutável quando a elite não quer que algo mude, e relativizada imediatamente depois, quando a elite quer aprofundar sua dominação e fortalecer os instrumentos da escravidão do povo.

O próprio cidadão é um mito. Visto como mero indivíduo, tábula rasa, desvinculado de sua história, raízes, classe, etnia, cultura e religiosidade, afirma-se uma “igualdade de todos” que não passa de uma ilusão. Uma ilusão que prejudica a todos.

O povo foi enganado. O sistema político-econômico das democracias plutocráticas do Ocidente é uma farsa. Os verdadeiros senhores do mundo seguem reinando tranquilos, enquanto partidos substituem partidos, políticos substituem políticos.

Não precisamos de uma alternativa por dentro do Sistema. Podemos fazer mobilizações dentro dele, mas apenas para enfraquecê-lo ou adiar o avanço do inimigo. Precisamos quebrar o próprio Sistema, em sua essência e em todas as suas ramificações.

A democracia liberal está com os dias contados.

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