5 frases de Chesterton que você não vai ver a direita citando:

G. K. Chesterton é, sem dúvida, uma das figuras mais cultuadas por uma determinada direita genérica que, não raro (e não ocasionalmente), integra à massa dos seguidores de um certo embusteiro ilusionista que vive na Virgínia. No entanto, parece que boa parte dessa direita desconhece o núcleo do pensamento chestertoniano, que se caracteriza por um anticapitalismo radical, com nuances espirituais e econômicas e cujas consequências (políticas, ideológicas e teóricas) conduzem Chesterton a propor uma alternativa: o Distributismo, inspirado na Doutrina Social da Igreja (veja nossa definição de Distributismo aqui e aqui).

Em um tempo onde as pessoas confundem oposição ao ethos moral das esquerdas pós-modernas com uma adesão obrigatória à agenda neoliberal e capitalista, revisitar o pensamento chestertoniano acerca do capitalismo é absolutamente relevante.

Abaixo, cinco citações que exemplificam o nosso ponto e que você dificilmente verá na boca da direita (neo)conservadora.

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Muito capitalismo não significa muitos capitalistas. Significa poucos capitalistas (quanto mais capitalismo, menos capitalistas).” (The Uses of Diversity, 1921).

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“Na perspectiva de qualquer pessoa sã, o problema atual da concentração capitalista não é apenas uma questão de lei, mas de direito penal para não dizer de loucura criminosa.” (The Outline of Sanity, 1926).

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“Os negócios, especialmente aqueles relativos às grandes empresas, agora estão organizados em exércitos. É – como alguns diriam – uma espécie de militarismo suave sem derramamento de sangue e – como eu digo – um militarismo sem as virtudes militares.” (The Thing, 1929).

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“Todos, exceto o homem de coração mais duro, devem sentir pena do patético dilema do homem rico, que se vê na posição de manter o homem pobre nutrido o suficiente para trabalhar e magro o bastante para se ver obrigado a fazê-lo.” (Utopia of Usurers, 1917).

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“[…] o que separou as famílias e incentivou os divórcios e enquadrou as antigas virtudes domésticas nos termos de um crescente e aberto desprezo, foi o período e o poder do capitalismo. Foi o capitalismo que forçou o pleito moral e a competição comercial entre os sexos; que destruiu a influência dos pais em favor da influência do patrão; que expulsou os homens de suas casas para em busca de empregos; que os forçou a viver perto de suas fábricas ou de suas empresas ao invés de perto de suas famílias; e, acima de tudo, que encorajou, por razões comerciais, um desfile de propagandas e de novidades entediantes, que, naturalmente, levou à morte tudo que recebia o nome de dignidade e modéstia por nossas mães e pais.” (Three Foes of the Family).

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