As privatizações afundaram o Brasil:

A OI está à beira da falência e há anos vem oferecendo um serviço medíocre apesar dos lucros sempre crescentes. A Samarco, controlada pela Vale, causou um enorme desastre ambiental cujos danos provavelmente nunca serão pagos.

As privatizações brasileiras foram um fracasso. 15 anos após o início do processo de privatizações o Brasil não progrediu um passo que seja na direção de se tornar um país de Primeiro Mundo ou pelo menos uma potência industrial de médio porte.

Aconteceu o contrário, revertemos a nossa exígua industrialização. Caminhamos na direção de voltarmos a ser um país primariamente agroexportador, sem indústria nacional de capital e controle nacionais. Ou seja, reforçamos os fatores que nos identificam como um país de “Terceiro Mundo”.

E não é, apenas, que as privatizações foram desastrosas e não trouxeram nada de positivo. Todas elas, sem exceção, foram fraudulentas e deram prejuízo econômico ao país. Enquanto até os anos 80, as estatais brasileiras eram exemplares e, inclusive, exportadores de tecnologia e know-how, após o governo Sarney o cenário mudou.

O primeiro passo do governo Sarney (que foi também o responsável por sepultar o programa nuclear brasileiro) foi proibir a BNDES de financiar estatais. O BNDES, que até então, era a principal fonte e financiamentos para as maiores empresas estatais brasileiras foi impedida de cumprir o papel para o qual o banco foi criado. A partir daí, as estatais foram forçadas a buscar financiamentos de fontes privadas, por juros muito maiores.

Depois, a partir do governo Collor, dentro de um projeto de “modernização econômica”, simplesmente se reduziu a transferência de recursos do governo para as empresas estatais. O objetivo era claro: começar a sucatear as empresas públicas, piorando assim os seus serviços, para poder legitimar aos olhos da opinião pública o processo de privatizações comandado pelo Consenso de Washington. No Rio de Janeiro, o capitão da destruição da Telebrás, foi o famoso Eduardo Cunha.

A partir do governo FHC, então, empreendeu-se a fase final do plano. Com apoio da mídia, que berrava pela dilapidação de todo o patrimônio brasileiro, acumulado e construído com décadas de esforço dos trabalhadores e poupança do governo, a maioria das empresas públicas brasileiras foi oferecida para venda por muito menos do que elas valiam. Em alguns casos, empresas foram oferecidas por menos de 10% de seu valor real.

Mas não é só isso. Com que dinheiro essas empresas públicas foram compradas? Com dinheiro emprestado pelo BNDES. Ou seja, dinheiro do governo, dinheiro nosso, utilizado para dar patrimônio público a empresas privadas. Empréstimo esse parcelado em décadas, a juros mínimos. E em vários casos o governo ainda sofreu calote. E não cobrou.

Mas também não é só isso. No caso das concessionárias de serviços públicos, com as do setor elétrico, para garantir uma maior rentabilidade para os compradores, a última medida do governo antes das privatizações foi aumentar o valor cobrado pelo serviço.

Isso é o que acontece quando o Estado é tomado de assalto por forças privatistas, por empresários e amigos e parentes de empresários, em suma, por gente que quer ver um Estado cada vez mais fraco. Ora, como se espera que um Estado ofereça serviço de qualidade quando os seus guias são anti-Estado?

Seguiremos testemunhando as consequências ruinosas das privatizações dos anos 90, enquanto hienas e urubus clamam pela privatização da Petrobrás (aliás, de forma cômica, uma “privatização” para estatais estrangeiras).

Os loucos continuarão insistindo nisso, enquanto os sensatos seguirão apontando o dedo para os destruidores do Brasil.

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