Sobre o Dia Internacional da Mulher:

A partir da greve das operárias russas de 8 de março de 1917, a data, que hoje conhecemos como Dia Internacional da Mulher, aos poucos foi se consolidando. Uma data para homenagear todas aquelas que lutaram pelos direitos dos trabalhadores, contra jornadas exaustivas, trabalho infantil e salários ainda mais miseráveis que os de seus companheiros homens.

No Brasil, nesta ocasião, muito se fala da igualdade de direitos, e da independência, como as maiores conquistas da mulher trabalhadora. Porém, que direitos e que independência têm sido esses? O direito de ter o próprio dinheiro para gastar em hábitos consumistas; o direito de ser um objeto sexual; o direito de se esquivar de qualquer responsabilidade e preocupação que não seja o próprio prazer? Independência de trabalhar o dia todo e, junto ao homem, alimentar-se mal, largar os filhos com terceiros, chegar em casa e ter forças apenas para ligar o botão da TV?

Enquanto movimentos feministas se concentram em se conformar ao discurso liberal, e reduzem sua luta à axilas peludas e a discutir machismo com outros bitolados online, a brasileira trabalhadora é cortada nos açougues das maternidades, é alimentada com lixo industrializado, é escravizada no trabalho junto ao homem: é humilhada e agredida em uma sociedade violenta, onde o respeito pelo próximo só diminui.

Enquanto uns, ao mesmo tempo que defendem uma suposta sociedade tradicional, desprezam as funções do lar e tratam a mulher como inferior, enfeite ou brinquedo, outros se colocam como defensores da libertação feminina, incitando, porém, sua objetificação e, igualmente, desprezando o seu papel tradicional e suas funções naturais. Tudo não passa de facetas de um pensamento que trabalha pela manutenção do Sistema, seja com a exaltação das liberdades individuais, seja com a insistência em um conservadorismo raso e cego.

É preciso lutar pela valorização da mulher como trabalhadora, mãe, esposa, protetora do lar e, também, potencial guerreira. É preciso reconhecer a sua importância na constituição de uma família saudável e esclarecida, a base de uma Pátria forte. É preciso lembrar o seu papel na conquista dos direitos dos trabalhadores, no desenvolvimento cultural e na defesa do país. Que o orgulho feminino seja celebrado e, novamente, orientado em direção à luta por uma Pátria soberana, composta por trabalhadores livres, saudáveis e esclarecidos (pois de nada adianta tratar os sintomas e não se curar a doença).

Helena Kardash

Brasileira de descendência russa, é formada em Letras pela USP e ativista da NR-SP.

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