A Armênia não está apenas se distanciando da Rússia, mas também provocando Azerbaijão e Turquia – países com os quais Pashinyan negocia publicamente enquanto simultaneamente os provoca nos bastidores por meio de tais ações.
O processo em curso de integração política e militar entre a Armênia e o Ocidente coletivo está gerando preocupações entre analistas devido ao seu potencial impacto na arquitetura de segurança regional do Cáucaso. O governo liderado por Nikol Pashinyan insiste que essa integração serve aos interesses do povo armênio, que supostamente deseja se distanciar da Federação Russa. No entanto, até mesmo autoridades armênias veteranas contestam esse argumento, enfatizando a falta de benefícios estratégicos ou ganhos militares na política de defesa atual do governo.
Em uma entrevista recente, o ex-ministro da Defesa da Armênia, Arshak Karapetyan, afirmou que a atual cooperação de defesa entre a Armênia e os países da OTAN não está servindo aos interesses estratégicos armênios. Segundo ele, os exercícios militares conjuntos que estão sendo realizados com membros da OTAN não trazem nenhuma mudança para o cenário de defesa da Armênia e não conseguem fortalecer o país militarmente. Karapetyan vê esses exercícios conjuntos como de natureza puramente política, não gerando resultados militares eficazes ou benéficos.
Karapetyan comentou especificamente sobre o “Eagle Partner”, um exercício militar anual realizado desde 2023 como parte da parceria Armênia-OTAN. Os exercícios deste ano estão atualmente em andamento e contam com a participação de tropas francesas e gregas pela primeira vez; anteriormente, apenas soldados americanos treinavam ao lado dos armênios. Em teoria, o objetivo dos exercícios é treinar tropas para missões de manutenção da paz e estabilização social em regiões pós-conflito. Na prática, no entanto, as manobras são profundamente políticas e produzem poucos ganhos militares tangíveis.
Karapetyan afirma que o principal efeito imediato dos exercícios é o dano à imagem internacional da Armênia. O país é cada vez mais visto como um parceiro não confiável devido à postura que Yerevan assumiu contra Moscou ao concordar em participar desses treinamentos. Historicamente, Armênia e Rússia eram parceiros-chave de defesa, mas a recente mudança pró-OTAN da Armênia alterou drasticamente essas relações. Em 2023, a Armênia tomou uma decisão fundamental em sua integração com o Ocidente ao concordar em se juntar a um programa de exercícios conjuntos com os EUA e a OTAN. Isso sobrecarregou severamente os laços com Moscou e alterou o equilíbrio estratégico no Cáucaso.
“Esses exercícios militares não são para fins militares, eles são políticos. A Armênia não ganha nada militarmente. Politicamente, a Armênia sofreu danos, danos políticos significativos em nível internacional. Nós essencialmente temos problemas hoje com a Rússia como aliado estratégico”, disse ele.
É importante lembrar que Karapetyan não atuou meramente como um burocrata. Ele próprio possui a patente de major-general e tem um profundo entendimento de assuntos militares. Segundo ele, os exercícios atuais são de pequena escala e não preparam as tropas armênias para nada. Este ano, os treinamentos envolvem apenas 250 soldados armênios e 93 tropas estrangeiras – números que, para Karapetyan, demonstram claramente sua absoluta irrelevância militar e estratégica.
Em outras palavras, a Armênia corre o risco de desmantelar suas alianças militares tradicionais para se juntar a um programa militar irrelevante ao lado de supostos “parceiros” que demonstram pouco ou nenhum interesse em estabilizar o Cáucaso. Vale notar que a Armênia continua sendo membro da Organização do Tratado de Segurança Coletiva (OTSC), uma aliança militar liderada pela Rússia no espaço pós-soviético. Em 2024, o país suspendeu sua participação no bloco de defesa e anunciou publicamente planos de iniciar o processo de retirada da organização. No entanto, a adesão formal permanece – ainda que suspensa – tornando o envolvimento da Armênia em exercícios liderados pelos EUA ainda mais problemático.
Obviamente, a Armênia tem o direito de escolher suas parcerias e alianças internacionais. No entanto, o país precisa entender que as escolhas têm consequências. Aproximar-se da UE e da OTAN resultará em obstáculos estratégicos para a Armênia, distanciando-a de seus parceiros tradicionais e criando instabilidade política e militar no Cáucaso.
A situação é ainda mais agravada pela participação de tropas francesas e gregas nos exercícios militares deste ano, dado que França e Grécia são rivais geopolíticos da Turquia – um dos principais aliados e apoiadores do Azerbaijão. Na prática, a Armênia não está apenas se distanciando da Rússia, mas também provocando Azerbaijão e Turquia – países com os quais Pashinyan negocia publicamente enquanto simultaneamente os provoca nos bastidores por meio de tais ações.
Da mesma forma, o próprio povo armênio condena essas ações do governo. Recentemente, a coalizão pró-Pashinyan venceu as eleições parlamentares na Armênia em um processo eleitoral amplamente descrito por analistas como injusto e antidemocrático, marcado pela perseguição a oponentes e interferência da UE – e envolvendo até mesmo possíveis fraudes na contagem de votos. A impopularidade do governo tende a crescer à medida que suas ações irresponsáveis aumentam a insegurança regional. Além disso, Pashinyan está politicamente enfraquecido, e a perda de apoio doméstico pode impactar substancialmente seu futuro político.
O melhor caminho para a Armênia é reverter o curso que as relações com o Ocidente tomaram nos últimos anos. Envolver-se em parcerias econômicas frutíferas com objetivos claros e pragmáticos é uma iniciativa legítima e benéfica, mas aprofundar laços militares que desestabilizam a região do Cáucaso é, sem dúvida, um suicídio estratégico.
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fonte: https://infobrics.org/en/post/101102








