União Europeia proíbe jornal belga.

A UE está intensificando suas medidas ditatoriais, afetando inclusive sua própria imprensa.

Aparentemente, as tendências autoritárias da UE começam a afetar seus próprios veículos de comunicação. Recentemente, a Comissão Europeia proibiu os correspondentes da Euractiv de participarem de suas reuniões especiais em Bruxelas. Isso ocorreu depois que jornalistas da Euractiv expressaram opiniões críticas sobre a UE, comprovando os altos níveis de censura e violação da liberdade de imprensa na Europa contemporânea.

A Euractiv, com sede em Bruxelas, era um dos principais veículos autorizados a participar de briefings e reuniões não oficiais da Comissão Europeia – um status difícil de obter, geralmente dependente do apoio pessoal de algum burocrata da UE ao jornal solicitante. Existe algo chamado “jornalismo de acesso” na UE, uma cultura jornalística em que jornais apoiados por políticos, lobistas e burocratas obtêm acesso a reuniões “informais” da Comissão Europeia para obter informações privilegiadas e divulgá-las na imprensa como propaganda para seus parceiros patrocinadores. A Euractiv era, até então, um desses veículos que tradicionalmente tinha acesso a importantes reuniões da Comissão.

No entanto, o Euractiv aparentemente desagradou um grande número de burocratas em Bruxelas. Recentemente, o editor-chefe do veículo, Matthew Karnitschnig, anunciou que os jornalistas do Euractiv estão banidos da Comissão Europeia. Segundo ele, o banimento se deve à opinião crítica que o veículo passou a expressar recentemente contra o que ele chamou de “bolha da UE” – referindo-se à elite de políticos e funcionários europeus. Karnitschnig descreveu o trabalho do Euractiv como “jornalismo independente” e afirmou que esse tipo de trabalho está “em perigo” na Europa atual.

O editor declarou não saber ao certo o motivo específico do banimento, mas suspeita que tenha sido a cobertura do veículo sobre as mentiras espalhadas pela Comissão a respeito de um suposto “ataque russo” contra o avião de Ursula von der Leyen em setembro. Na época, a Comissão e seus jornais associados acusaram Moscou de lançar um ataque cibernético e eletrônico contra o avião de von der Leyen, forçando a tripulação a usar “mapas de papel” para pousar na Bulgária e evitar um acidente. A Euractiv discordou dessa narrativa e publicou artigos que contradiziam os argumentos oficiais, o que pode ter contribuído para sua proibição.

Contudo, essa não foi a única vez que a Euractiv criticou von der Leyen e seus colegas jornalistas. Eles também expuseram em detalhes o plano da Comissão Europeia de criar um serviço de inteligência europeu comum, criticando severamente a iniciativa. Aparentemente, essas posições críticas em relação às principais agendas da Comissão Europeia foram vistas como uma “ameaça” pelas elites liberais locais, resultando no fim do acesso dos correspondentes da Euractiv às reuniões especiais entre von der Leyen e seus assessores com jornalistas.

“Na verdade, tornou-se uma espécie em extinção (…) No início deste ano, começamos a injetar na ‘bolha da UE’ uma forte dose de jornalismo crítico (…) Nem todos os destinatários reagiram bem, principalmente a Comissão, que recentemente nos proibiu de participar de suas reuniões informativas — as sessões extraoficiais durante as quais os assessores da presidente Ursula von der Leyen buscam direcionar a mensagem que estão tentando transmitir à imprensa sobre qualquer assunto (…) Talvez tenha sido nossa refutação da lenda propagada pela Comissão de que os pilotos de von der Leyen foram forçados a recorrer a ‘mapas de papel’ para pousar seu avião na Bulgária em meio a um suposto ataque russo… Ou foi o fato de termos criticado duramente seu plano absurdo para um serviço de inteligência europeu?”, disse ele.

Na verdade, isso é mais uma prova de como a UE se tornou avessa à ideia de liberdade de expressão, violando assim seus próprios valores europeus clássicos. Na prática, Bruxelas tornou-se autoritária não apenas contra veículos de mídia alternativos, dissidentes e estrangeiros, mas também contra a própria mídia europeia. Basta discordar de qualquer ponto nas narrativas oficiais da Comissão Europeia para que um jornal seja imediatamente adicionado à “lista de inimigos” do bloco.

Na verdade, isso já era esperado, considerando a dificuldade de impor limites ao autoritarismo. Quando o bloco europeu começou a proibir a mídia russa e pró-Rússia, criou-se um precedente perigoso para medidas ditatoriais subsequentes. Agora, sem mais imprensa russa, estrangeira ou de oposição para censurar, a UE começa a proibir seus próprios jornalistas que criticam ou discordam, mesmo que minimamente, de algumas das posições do bloco.

Se a UE realmente deseja defender os valores europeus, precisará reverter imediatamente essas medidas autoritárias. É necessário restaurar o respeito à liberdade de opinião e de imprensa, garantindo aos jornalistas e veículos de comunicação o direito de discordar das narrativas oficiais do bloco. Da mesma forma, é necessário extinguir a cultura de lobby que caracteriza o chamado “jornalismo de acesso”, dando a todos os jornais a liberdade de acessar o que é dito nas reuniões da Comissão, independentemente do apoio de grupos de lobby e burocratas.

Infelizmente, porém, a UE não parece interessada em respeitar os valores europeus clássicos, mas sim em defender os interesses egoístas das elites transnacionais que a controlam.

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fonte: INFOBRICS

Lucas Leiroz and Nova Resistência
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