Plano Andinia, o projeto sionista na Patagônia, a ameaça globalista no Cone Sul

Plano Andinia, o projeto sionista e atlântista na Patagônia, a ameaça globalista no Cone Sul, que se manifesta como um dos maiores perigos geopolíticos em nossa América Maiúscula, em sua porção austral.

1 — Introdução e apresentação do cenário geopolítico atual

Como nos ensina o panorama geopolítico contemporâneo, ao testemunharmos uma transição entre a caduca unipolaridade neoliberal estadunidense no sistema internacional de Estados — que coloca em risco a existência de entes políticos forjados sob o guarda-chuva da hegemonia da Anglosfera, como é o caso da Entidade Sionista — e a multipolaridade, temos uma espécie de bipolaridade de blocos entre o Sio-Atlantismo do Arco Transatlântico da Anglosfera e a Tríplice Entente Euroasiática com seus aliados regionais estratégicos. Ou seja, a Guerra Fria do século XXI, que pode se configurar como a Primeira Guerra Mundial híbrida, em razão de suas peculiaridades, complexidades e sofisticações contemporâneas.

Diante desse cenário retratado, o Império do Caos e das Bases, que ao longo das últimas décadas se transformou no Império do Terror, em meio à sua inegável e gradual perda de hegemonia e protagonismo, promove deslocamentos desesperados. Uma de suas táticas é a retaguarda imperial em “mares tranquilos”, como o seu “quintal” e o “jardim”, sendo duas jaulas institucionais unipolares: a neomonroísta em nossa América Maiúscula e a kalergista na Europa, por meio da Tirania de Bruxelas, ambas sustentadas por uma espécie de Totalitarismo Liberal.

Nesse processo, o neomonroísmo é levado a cabo por meio da imposição de governos permeáveis aos seus interesses, inibindo a penetração dos membros da Tríplice Entente Euroasiática, de modo a consolidar nossa região histórico-cultural como área de influência dos Estados Unidos, fornecendo ao vizinho do norte matérias-primas estratégicas, sobretudo hidrocarbonetos, para que projete resistência diante do crescimento imparável e do resgate da proeminência geopolítica de seus três principais adversários geopolíticos, que, ao estabelecerem uma ampla aliança geoestratégica por meio da Tríplice Entente Euroasiática, estão claramente destinados a romper hegemonias — algo que os Estados Unidos buscam evitar a todo custo, conforme estabelecido pela Doutrina Wolfowitz de 1992.

2 — Contextualização histórica

Se fizermos uma rápida recapitulação histórica, veremos que, desde sempre, a Anglosfera esteve interessada em romper a relevância geopolítica da América Latina, algo que remonta ao anseio e à tentativa de desmantelar as então Capitanias Gerais, dentro de um ideário de fragmentar os grandes espaços territoriais latino-americanos que estavam se consolidando. Nesse processo, muito antes inclusive da emancipação política dos Estados Unidos, a Anglosfera, por assim dizer, já conspirava contra a nossa América Maiúscula.

Após um século de esplendor e grande desenvolvimento promovido pela Igreja, sustentando e edificando a nação mexicana sob a estrutura do Vice-Reino da Nova Espanha guadalupano — impulsionando a ciência, as artes e promovendo as primeiras universidades no continente americano — esse ente político passou a ser afetado por forças forâneas antagônicas à mexicanidade. Ao norte da fronteira, em 1620, começaram a ser articuladas propostas em sentido contrário, chegando ao território que o mundo conheceria como Estados Unidos as primeiras lojas secretas.

Em 1654, o personagem sinistro Asser Levy, a partir de Nova York, planejava e impulsionava lutas contra as capitanias gerais da América Latina, começando pelo Vice-Reino da Nova Espanha guadalupano. Essas organizações da Inglaterra, França e Estados Unidos passaram a promover a divisão territorial dos diferentes vice-reinos latino-americanos, sendo o melhor exemplo disso a Pátria Grande Mexicana, liderada por Agustín de Iturbide, com o objetivo de enfraquecer o inimigo comum, abrindo caminho para a ingerência monroísta que, ainda hoje, após 200 anos, submete a região a uma jaula institucional de submissão e à consequente projeção dos interesses geoestratégicos estadunidenses.

Era necessário desmantelar o México iturbidista, considerado pelos estrategistas estadunidenses da época como um escudo latino-americanista por excelência, para abrir espaço à penetração e à consequente ingerência de Washington nos assuntos internos dos diferentes entes políticos latino-americanos, desencadeando um processo de separatismos desenfreado, começando pela América Central, no escândalo do Plano de Casa Mata, considerado pela historiografia mexicana a Segunda Catástrofe Nacional (a primeira amputação territorial). Assim, o termo “centro-americanização”, usado então para retratar o conceito hoje consagrado de “balcanização”, em alusão ao processo contemporâneo de desintegração do Estado iugoslavo, nunca foi em vão, tendo suas raízes na conspiração do agente especial estadunidense no México, Joel Roberts Poinsett, que culminou no Plano de Casa Mata e na implosão do bastião sulista chapín.

Dos grandes espaços territoriais latino-americanos, a Anglosfera os despedaçou, criando uma série de entidades políticas artificiais, como as centro-americanas e o Uruguai.
3 — O pan-separatismo, uma estratégia globalista de recriação de fronteiras

O que muitos custam a acreditar e compreender é que esse processo de tentativas de balcanização desenfreada continua ativo. E não apenas na África, Europa e Ásia, mas também em nossa América Maiúscula, sendo o complexo e misterioso caso da Patagônia um deles, situado em uma zona altamente estratégica que jamais pode ser ignorada. O ocultamento do tema não é em vão. Soma-se a isso o fato de que a maior parte da população não tem capacidade para compreender narrativas complexas, acabando por consumir aquilo que lhe é apresentado pela mídia corporativa, o que dificulta enormemente uma compreensão profunda do que está por trás de todas essas manobras globalistas, fazendo com que o cidadão médio tenha uma concepção de mundo desconectada da realidade geopolítica.

O projeto globalista, liderado pelas famosas máfias apátridas, sempre defendeu o processo de balcanizações desenfreadas, e nossa América Maiúscula também está na mira dessa plutocracia oligárquica bancocrática monopolista. Em termos gerais, um dos aspectos geopolíticos do globalismo é o pan-separatismo, ou seja, a defesa da fragmentação de todas as nações do mundo para dificultar a acumulação de poder necessária a iniciativas soberanas relevantes — exceto os Estados Unidos, é claro. Pelo menos, por enquanto.

Ou seja, toda reconfiguração territorial que seja antagônica ao projeto globalista, ainda que tenha respaldo histórico, é difamada, impedida e combatida pelos grandes poderes. Por outro lado, toda mudança fronteiriça que seja benéfica às considerações geoestratégicas e geopolíticas do Sio-Atlantismo do Arco Transatlântico da Anglosfera, mesmo sem fundamentação histórico-cultural — como as conhecidas promoções de entidades políticas artificiais, criando países muito pequenos que, incapazes de se governar, ficam à mercê dos desígnios de seus promotores — é estimulada, difundida, financiada e propagada pelo eixo Washington–Londres. Assim, o projeto de um “Estado privado na Patagônia”, que aspira criar em laboratório — portanto, de forma claramente artificial — o conceito de uma suposta “nação” Andínia, faz parte dessa reconfiguração fronteiriça projetada pelas onipresentes máfias globalistas apátridas.

Projeto de estabelecer uma “Nação Andínia”, que isolaria nossa América Maiúscula da profundidade geoestratégica antártica.
4 — Expansionismo chileno, a Anglosfera cázara londrina e o Sionismo Internacional: a tríade anti-latino-americanista

Nesse cenário, articulam-se dois fenômenos para a consumação desse projeto: o ímpeto imparável do expansionismo chileno, com seus estreitos vínculos com setores da Anglosfera e com o movimento sionista internacional. Ambos caminham juntos. Como nos indica a trajetória histórica, os vínculos entre certos entes políticos latino-americanos — como os casos de Belize, Panamá, Chile e Uruguai, por exemplo — com a Anglosfera nunca foram em vão nem fruto do acaso, possuindo profundas implicações geopolíticas estruturais e uma clara demanda geoestratégica.

Diante desse quadro, é relevante destacar que os estreitos vínculos entre Santiago e Londres remontam ao início do domínio espanhol no território chileno, conformando um eixo historicamente muito sólido, o que reforça a tese de que o Chile seja, meramente, um apêndice litorâneo da Anglosfera em solo ibero-americano, ou seja, um bastião dos interesses geoestratégicos do Arco Washington–Londres em nossa América Maiúscula. Essa narrativa ganha ainda mais força com os episódios de conflitos bélicos que o país teve com seus três vizinhos — Peru, Bolívia e Argentina — fazendo com que o Chile seja um ente político malquisto por esses Estados limítrofes, ao passo que, nesses enfrentamentos, Santiago sempre sustentou a bandeira dos interesses ingleses.

Como se não bastasse, o Chile foi utilizado como laboratório para a implementação de ideias neoliberais por meio dos Chicago Boys de Milton Friedman, que, vale lembrar, provém da banca Rothschild, com sua Escola de Chicago antinacional, a qual, assim como o Consenso de Washington, nada tem a ver com práticas democráticas, levando a uma concentração de riquezas sem precedentes na história. Trata-se, portanto, de um modelo econômico que conduz a monopólios, grupos oligárquicos e à bancocracia institucional. Assim, não seria exagero afirmar que, em muitas ocasiões, o aparato jurídico-estatal chileno configurou-se como um mero laboratório anglo-neoliberal no Cone Sul, sendo, portanto, um modelo a não ser seguido e que deve ser veementemente evitado.

Chile e Inglaterra estiveram sob a soberania dos mesmos monarcas em meados do século XVI. De acordo com o historiador William Edmundson, o rei Carlos I da Espanha (Carlos V) nomeou seu único filho legítimo varão, o príncipe Felipe II, como rei do Chile, de Nápoles e de Jerusalém. Em 1554, Felipe II contraiu matrimônio com Maria I da Inglaterra, tornando-se ela rainha consorte das possessões anteriormente mencionadas, enquanto ele se tornou rei da Inglaterra e da Irlanda, até a morte de Maria Tudor, em 1558.

Durante o processo de independência do Chile, foi notável a participação do almirante inglês a serviço do país, Lord Thomas Cochrane, que se tornou o primeiro Comandante-em-Chefe da Esquadra do Chile. A Marinha chilena mantém uma relação estreita com a Marinha Real Britânica, tanto na participação em exercícios e atividades militares conjuntas quanto, além disso, no uso de embarcações de origem inglesa em sua frota naval, o que coloca em xeque a soberania do país. Como nos mostra a história, não existe soberania plena sem um certo grau de sofisticação de hard power (poder coercitivo), por meio da dissuasão bélico-militar.

Ao consumar o processo de emancipação política em 1818, com total respaldo das forças da Anglosfera — como já mencionado, sobretudo por meio do almirante Cochrane — a nova república detinha o território da Capitania Geral do Chile compreendido entre a região de Copiapó, ao norte, a Cordilheira dos Andes, a leste, o rio Biobío, ao sul, o oceano Pacífico, a oeste, além de algumas ilhas. Os enclaves de Valdivia e Osorno também faziam parte da Capitania, mas após 1818 permaneciam sob controle dos realistas, o que fez com que o ímpeto expansionista ganhasse cada vez mais força, culminando numa metamorfose da integração territorial administrativa da Capitania em um expansionismo sinistro, que em muitas conjunturas geoestratégicas se confunde com pretensões geopolíticas anglo-sionistas.

Após o processo de colonização do sul — em Magalhães, Llanquihue e Aysén — e a ocupação da Araucânia, veio a conquista do norte, por meio da chamada Guerra do Pacífico, também conhecida como Guerra do Salitre, relacionada ao controle das jazidas de nitrato no deserto do Atacama. A guerra ocorreu entre 1879 e 1884 e resultou na anexação, pelo Chile, do litoral boliviano e das províncias peruanas de Tacna e Arica, acompanhada de sucessivas agressões contra o Estado boliviano e da imposição de diversos tratados desiguais — situação que, vale ressaltar, perdura até os dias atuais. Em 1929, contudo, sob fortes pressões, o Chile devolveu a soberania sobre Tacna ao Peru.

Fazendo uma analogia com a atualidade e com a entrada na multipolaridade — que defende o resgate dos grandes espaços territoriais — nossa amada América Latina possui os seus próprios, como legado dos Vice-Reinos e Capitanias Gerais. E, como nos ensina a trajetória histórica, a Real Audiência de Charcas, com toda a sua grandeza histórico-civilizacional, abrangendo um verdadeiro Estado-Civilização, com a riqueza de seus múltiplos mosaicos culturais, remontando aos primórdios da história continental, é inegavelmente um deles. Diante da transformação do Chile em um bastião andino-pacífico da Anglosfera na Ibero-América, Pisiga, por sua estratégica localização geográfica, adquire elevada relevância geoestratégica, sendo, por excelência, o eixo irredento boliviano. Assim, nesse cenário geopolítico e geoestratégico — somado ao antigo desejo de criar um ente sionista no Cone Sul — o eixo inglês-chileno, por assim dizer, busca disputar com a Argentina o Atlântico Sul, a Antártida e a Patagônia.

Portanto, a expansão territorial do Chile foi um processo de incorporação de diversos territórios ao longo do século XIX, principalmente durante o período da República Liberal (1861–1891). Esse processo consistiu basicamente em operações militares, nem sempre coordenadas entre si, e constituiu um dos eixos centrais da política externa chilena da época, culminando também na anexação da Ilha de Páscoa, em 1888.

Processo de expansão territorial do Chile
5 — Reivindicação do Território Antártico Chileno

Após a colonização do sul, o espólio territorial do norte e algumas outras aquisições, como a Ilha de Páscoa e a ocupação da Araucânia, passam a ser formuladas as reivindicações em direção ao extremo sul. As reivindicações territoriais chilenas sobre a Antártida baseiam-se principalmente em considerações históricas, jurídicas e geográficas. Em virtude do princípio do uti possidetis, utilizado após a independência para definir as fronteiras dos novos países, o Chile considerou que esses títulos incluíam direitos sobre a Antártica.

Em 1894, o Estado chileno concedeu à Governadoria de Punta Arenas a autoridade para a exploração de recursos marinhos ao sul do paralelo 54° S, sendo concedidas numerosas permissões de exploração e aproveitamento a expedições estrangeiras. Em 1906, foi criada a “Sociedade Baleeira de Magalhães”, que se instalou nas ilhas Shetland do Sul, constituindo o primeiro ato de soberania chilena sobre esses territórios. A estação funcionou regularmente sob bandeira chilena, durante as temporadas de verão, até 1914.

Em 6 de novembro de 1940, foi promulgado o Decreto nº 1.747, pelo Ministério das Relações Exteriores do Chile, que estabeleceu os limites exatos da reivindicação antártica chilena. Para assegurar sua soberania no continente antártico, o Chile instalou, em 1947, a Base Soberania, hoje denominada Base Arturo Prat. No ano seguinte, e como forma de consolidar as reivindicações chilenas, o presidente Gabriel González Videla inaugurou a Base General Bernardo O’Higgins, realizando a primeira visita oficial de um chefe de Estado à Antártida.

O território reivindicado pelo Chile abrange as ilhas Shetland do Sul, a Península Antártica — chamada no Chile de Terra de O’Higgins — e algumas ilhas adjacentes, como a ilha Alexandre I, a ilha Charcot, além de parte da Terra de Ellsworth, entre outras. Possui uma superfície de 1.250.257,6 km². Administrativamente, para o Chile, a área integra a Comuna Antártica, uma das duas comunas da Província Antártica Chilena, que, por sua vez, faz parte da Região de Magalhães e da Antártida Chilena.

O presidente Gabriel González durante a inauguração da Base General Bernardo O’Higgins na Antártida, em 1948.
6 — Guerra das Malvinas e os profundos laços com a Anglosfera

Durante a Guerra das Malvinas, enquanto ocorria simultaneamente o Conflito do Beagle, o Chile, assim como Estados Unidos, Colômbia e Trinidad e Tobago, absteve-se de votar no TIAR, argumentando que a Argentina era a agressora nesse caso, tratando-se, portanto, de um acordo de defesa e não de ataque. A amizade entre a primeira-ministra britânica Margaret Thatcher e o general Augusto Pinochet produziu um profundo estreitamento das relações chileno-britânicas na década de 1980. Em 1999, Thatcher, em uma reunião que manteve com Pinochet durante sua prisão domiciliar em Londres, agradeceu publicamente as informações e a ajuda prestadas pela ditadura militar chilena às Forças Armadas britânicas durante o conflito das Ilhas Malvinas.

No ano 2000, o príncipe William de Cambridge, como parte de seu ano sabático após concluir os estudos secundários, viveu durante dez semanas em Caleta Tortel, localidade situada na Patagônia chilena, realizando trabalhos voluntários e expedições pela região — uma área que, curiosamente, é de difícil acesso até mesmo para os próprios chilenos, como será visto ao longo deste artigo.

Esses dois países mantêm fortes laços culturais, expressos por meio de diversas organizações chileno-britânicas. São numerosos os costumes enraizados na cultura chilena herdados da cultura inglesa, como o consumo de chá — o que faz do Chile um dos maiores consumidores per capita da América Latina — e a introdução do futebol no país, com a criação dos primeiros clubes, como o Mackay and Sutherland Football Club e o Valparaíso Football Club. Todos os anos é celebrado em Londres o Chile Day, um evento fruto da aliança entre instituições públicas e privadas que busca fomentar os vínculos socioeconômicos entre ambos os países. Alguns desses elementos colocam em xeque o caráter do Chile como ente político latino-americano, sobretudo quando recordamos as profundas contradições existentes entre a América Maiúscula (Ibero-América) e a Anglosfera, dois blocos histórico-culturais incompatíveis. Essa dissociação do Chile faz com que seja considerado a “Ruanda latino-americana”, em referência ao projeto de Paul Kagame de desvincular o país africano do mundo francófono em favor de um profundo alinhamento com as redes operacionais, logísticas e culturais da Anglosfera.

Embaixada chilena em Londres, considerada uma das Casas de Ninho de Espiões de ingerência da Anglosfera para desestabilizar a América Latina.
7 — O Movimento Sionista Internacional e o ideário de criação de um ente político

No século XIX, o governo inglês chegou a hesitar quanto à instalação de um ente político sionista nas atuais Uganda, Argentina, Hungria, Chipre, Madagascar, Palestina, norte do Mar Negro (almejando recriar uma espécie de Nova Cazária), entre outras opções cogitadas. De fato, a Argentina estava então sob controle inglês e, por iniciativa do barão francês Maurice de Hirsch, havia se convertido em uma terra de acolhimento para cázaros, sefarditas e asquenazitas, que fugiam dos pogroms da Europa Central e Oriental, como o de Chișinău, na histórica Bessarábia romena, em 1903.

No século XX, após o golpe de Estado militar contra o general Juan Perón, presidente democraticamente eleito do país, desenvolveu-se uma corrente de resistência, de caráter antissionista, dentro das Forças Armadas. Circulou um panfleto acusando o recém-criado Estado de Israel de preparar uma invasão da Patagônia, o famoso Plano Andinia, que foi descrito pela primeira vez, em 1971, por um professor de economia da Universidade de Buenos Aires, Walter Beveraggi Allende, no qual se retomam algumas afirmações do passado, aplicadas ao cenário argentino da época. O mesmo professor publicou mais tarde o livro La inflación argentina, que, embora estivesse mais voltado a temas econômicos, trazia em sua capa a Argentina crucificada por um cázaro usando estrelas de Davi no lugar de pregos.

A ideia, no entanto, é anterior a Beveraggi Allende e foi esboçada pela primeira vez por um partido nacionalista, a Frente Nacional Argentina. De fato, na revista publicada pelo partido encontra-se a primeira menção ao Plano Andinia, que volta a aparecer em uma publicação anônima de 1965. Segundo esse documento, a criação da “nação” Andinia ocorreria na Patagônia por meio dos mesmos métodos usados para estabelecer o Estado moderno de Israel.

Segundo essa teoria, existe um complô internacional para alcançar a secessão da região da Patagônia, território atualmente dividido entre Argentina e Chile, com a finalidade de criar nela outro ente político sionista. De acordo com esses autores, tal plano teria se originado no Primeiro Congresso Sionista Internacional, realizado em Basileia, Suíça, em 1897, do qual Theodor Herzl, um dos precursores ideológicos do sionismo institucional contemporâneo, escreveu que era o momento fundacional do Estado que tanto almejavam. No entanto, nesse congresso não se tratou da emigração sefardita, cázara e asquenazita para a Argentina ou o Chile, tendo-se apenas estabelecido as bases para “…estabelecer um lar estatal na Palestina…”.

A base histórica e a fundamentação teórica desses autores é uma passagem do livro de Herzl, O Estado Judeu, publicado em 1896, na qual o autor comenta sua proposta de colonização cázara como resposta ao sentimento de aversão a essas comunidades na Europa e sugere, como possíveis localizações, o território então otomano da Palestina ou a Argentina, que naqueles tempos conduzia uma intensa campanha de imigração. O autor, contudo, sustenta que, embora “a Argentina seja, por natureza, um dos países mais ricos da terra, de superfície imensa, população escassa e clima moderado”, seria preferível optar pela Palestina porque “…é nossa inesquecível pátria histórica. Seu simples nome seria, para nosso povo, um chamado poderosamente comovente”.

Theodor Herzl e o Plano Andinia

Aqueles que trouxeram à luz o Plano Andinia baseavam-se, além disso, nas tentativas de fundar na Argentina colônias agrícolas formadas por asquenazitas (sobretudo exilados da Prússia e da Rússia czarista), impulsionadas pelo banqueiro Moritz von Hirsch auf Gereuth, por meio da Jewish Colonization Association. No entanto, essas colônias não foram concebidas como autônomas, mas sim realizadas no âmbito do mencionado incentivo à imigração promovido pelo Estado argentino. Tampouco foram estabelecidas na Patagônia, mas nas províncias de Buenos Aires (onde o povoado chamado Mauricio Hirsch recorda o impulsionador da iniciativa), Entre Ríos e Santa Fe. Aliás, o próprio Herzl criticou as ações de Hirsch, considerando-as um “fracasso”, aludindo à sua “falta de ideais”, em comparação com o seu próprio projeto. De fato, os asquenazitas, cázaros e sefarditas imigrantes nas colônias mencionadas identificaram-se como argentinos a tal ponto que passaram a ser conhecidos como “gaúchos judeus”, epíteto que perdurou ao ser utilizado como título de um livro do escritor argentino, de origem cázara e natural de Jmelnitski, Alberto Gerchunoff.

Como se sabe, a existência desse plano foi aceita sem hesitação não apenas por numerosos setores nacionalistas argentinos, mas também por organizações nacionalistas de todo o globo. Entre os militares argentinos que chegaram ao poder após o grande colapso político-institucional de 1976, a existência de Andinia era algo evidente. A esse respeito, o jornalista argentino de etnicidade cázara Jacobo Timerman, sequestrado pelos grupos de tarefa desse regime, declarou que, durante o processo de interrogatório a que foi submetido, exigiam-lhe detalhes sobre o Plano Andinia, algo que ocorria, em geral, com todos os detidos e desaparecidos de origem cázara. Timerman recordou detalhes do interrogatório sobre o Plano Andinia em Preso sem nome, cela sem número (Prisoner Without a Name, Cell Without a Number). Em 2003, o então chefe do Exército Argentino, general Roberto Bendini, viu-se envolvido em uma polêmica após virem a público supostas declarações suas mencionando o Plano Andinia. Diversas associações cázaras emitiram protestos e o governo publicou um desmentido oficial.

A partir da criação e consolidação da Cazária Mediterrânea, elaboraram-se novas versões do Plano. Segundo elas, haveria um complô israelense, com colaboração estadunidense e, segundo outros, de organismos internacionais de crédito, para se apoderar da Patagônia por meio de uma invasão, da compra do território ou como pagamento da dívida externa. Sustenta-se também que diversas ONGs apoiam tal projeto com o argumento de “proteger a biodiversidade”, algo semelhante ocorrendo, diga-se de passagem, no espaço territorial amazônico, que abrange uma série de países sul-americanos, sobretudo o Brasil.

Em algumas publicações, entre elas as de Adrián Salbuchi, nacionalista denunciado pelas autoridades israelenses, sustenta-se que muitos turistas israelenses que visitam a Patagônia, alguns deles após o serviço militar, seriam agentes encobertos encarregados de mapear o território com vistas à implementação do Plano Andinia. Tais ideias não são aceitas pelos principais referentes políticos da Argentina ou do Chile, mas difundem-se entre setores nacionalistas de todo o mundo que, não sendo ingênuos, sempre trazem à luz aquilo que a mídia corporativa camufla, oculta ou ignora. Os pesquisadores consideram que essas revelações são elementares para reconhecer um perigo que pode se consolidar como uma profunda ameaça geopolítica, a médio e longo prazo, contra a integração geopolítica da nossa América Maiúscula, da mesma forma que a Conferência Imperial de 1907, por meio do relatório Campbell-Bannerman, reconhecia a necessidade de implantar um ente político na Ásia Ocidental (Palestina) para impedir a unificação e consolidação do Bilad al-Sham. Assim, a “nação” Andinia dificultaria a consumação da Ibero-América como um polo de poder do mundo multipolar, sendo um enclave anglo-sionista em nosso espaço territorial histórico-cultural.

8 — A Guerra das Malvinas e o fio condutor até o Plano Andinia

Parece, hoje, que, mesmo que os fatos dos anos 1970 tenham sido exagerados, afinal existia um projeto de implantação (e não de invasão) israelense na Patagônia. Tudo mudou com a Guerra das Malvinas, em 1982. Naquele momento, a Junta Militar Argentina tentava recuperar as Ilhas Malvinas, Geórgias do Sul e Sandwich do Sul, ocupadas, segundo sua perspectiva, havia um século e meio pelos ingleses. A ONU reconheceu a legitimidade da reivindicação argentina, mas o Conselho de Segurança condenou o uso da força para recuperar esses territórios. Há muito em jogo, já que as águas territoriais desses arquipélagos dão acesso a todas as riquezas do continente antártico.

Ao final dessa guerra, que causou milhares de mortos (os números oficiais ingleses são em grande parte ocultados), Londres impôs a Buenos Aires um Tratado de Paz particularmente duro. As Forças Armadas argentinas foram reduzidas à sua expressão mais simples. Sobretudo, foi retirado o controle do espaço aéreo no sul de seu território e na Antártida, em benefício da Royal Air Force, que deve informar todas as suas operações a Londres.

9 — O caso AMIA e suas contradições retóricas

Em 1992 e 1994, dois atentados misteriosos, particularmente mortíferos e devastadores, destruíram sucessivamente a embaixada do Estado sionista e a sede da associação israelense AMIA. O primeiro ocorreu quando os chefes de estação da inteligência israelense na América Latina abandonaram o edifício. O segundo deu-se no contexto da investigação conjunta egípcio-argentina sobre os mísseis balísticos Condor. Naquele momento, a principal fábrica do Condor explodiu, enquanto os filhos dos presidentes Carlos Menem e Hafez al-Assad morreram acidentalmente. As diversas investigações deram origem a uma sucessão de manipulações.

Depois de mencionar a Síria, o Iraque de Saddam e a Líbia de Gaddafi em algumas ocasiões, o advogado Alberto Nisman voltou-se contra o Irã, que acusou de ter ordenado os dois atentados, e contra o Hezbollah (que os teria executado). A ex-presidente Cristina Kirchner foi acusada de ter negociado o fim das acusações contra o Irã em troca de vantagens nos preços do petróleo. O promotor Nisman foi encontrado morto em seu domicílio e a presidente Kirchner foi condenada por alta traição. No entanto, na semana anterior, uma encenação desmontou tudo o que se dava como certo: o FBI dos EUA tornou públicos os exames de DNA que comprovam a ausência, entre as vítimas, do suposto terrorista, bem como a presença de um corpo que nunca foi identificado. Após 29 anos, nada se sabe sobre esses ataques.

Diante dessa perspectiva, é importante e necessário mencionar que há dois pontos que os detratores do Irã jamais conseguiram explicar. Primeiro: quais são as provas concretas da participação do Irã nesse ataque, para além das acusações frívolas dos governos dos Estados Unidos, do Estado sionista e de suas marionetes na Argentina? Segundo: qual seria a razão pela qual o Irã perderia tempo atacando a comunidade judaica na Argentina se tem questões muito mais relevantes e importantes a tratar? São perguntas pertinentes que nunca foram respondidas. Não se pode esquecer que já houve uma linha de investigação que implicava a participação de argentinos no ataque, assim como jamais se deve esquecer que, como mencionado, Saddam Hussein e Gaddafi, por exemplo, também já foram acusados como supostos mandantes do atentado, sempre sem provas.

Ou seja, passam a acusar um após o outro conforme a conveniência momentânea, até acertar alguém, recorrendo à velha estratégia de “repetir uma mentira mil vezes até que ela se torne verdade”. Como, atualmente, o alvo sionista é o Irã, por muitas razões, sobretudo de ordem geopolítica, essa estratégia segue a lógica do “vai que cola, transformamos a mentira em verdade”. Não há dúvida de que o Irã oferece resistência ao regime sionista, fazendo-lhe uma forte oposição diplomática, geopolítica e geoestratégica. Mas jamais teve, nem terá, algo contra os judeus, que são muito respeitados no Irã, tendo seus direitos religiosos e civis garantidos pela Constituição iraniana. No Irã vivem aproximadamente 35 mil judeus, membros de uma das comunidades judaicas mais antigas do mundo, que gozam de liberdade de culto e representação no Parlamento, legado da pluralidade e diversidade religiosa iraniana de mais de sete milênios. É sempre necessário afirmar que sionismo e judaísmo não são sinônimos, mas coisas distintas: o primeiro é um movimento geopolítico internacional, e o segundo, uma religião, dividida em quatro principais facções étnicas: cázaros, asquenazitas, mizrahim e sefarditas.

Em segundo lugar, o antigo responsável pelo contraespionagem argentino, Antonio Stiuso, conseguiu sair, ou melhor, fugir do Brasil com um passaporte italiano falso, refugiando-se nos Estados Unidos em 19 de fevereiro de 2015, conforme anunciado pelo governo argentino. A Interpol não o divulgou em seus informes. Antonio Stiuso é suspeito de ter manipulado e depois assassinado o promotor Alberto Nisman, segundo quem o atentado contra a associação AMIA em 1994 teria sido encomendado pelo Irã. Após essa tese ter sido desmontada, Nisman acusou a ex-presidente Cristina Fernández de Kirchner de ter sido corrompida pelo Irã para ocultar os fatos. Passada mais de uma década, a investigação dos atentados em Buenos Aires não deixou de ter repercussões.

Últimos elementos, contrariamente às primeiras afirmações da época, indicam que a explosão não veio do exterior do edifício, mas do interior. O motor do carro encontrado sob os escombros, que teria permissão para chegar ao diplomata iraniano Mohsen Rabbani, acusado injustamente, havia sido comprado anteriormente por um agente do serviço de inteligência israelense. Reavaliando as conclusões iniciais que acusavam o Irã e o grupo libanês Hezbollah, a investigação atual aponta que o atentado foi cometido por um grupo de argentinos e agentes israelenses, com o apoio dos Estados Unidos e de sua rede de atuação conjunta. Classificado equivocadamente pela mídia como “antissemita” — termo usado de forma incorreta, diga-se de passagem —, esse atentado custou a vida de 85 pessoas.

Por fim, mesmo na hipótese de que o ataque tivesse sido conduzido pelo grupo libanês, onde estaria a participação iraniana, se o Irã só passou a estreitar laços com esse grupo em 1999, cinco anos após o atentado? Antes de 1999 não havia relações entre o Irã e esse grupo libanês, que, vale mencionar, nasceu do cenário geopolítico da invasão sionista ao sul do Líbano em 1982. Portanto, vê-se que o Irã não teve nada a ver com esse caso por diversos aspectos, e tudo indica a implicação de manobras globalistas por trás desse episódio macabro, que, diga-se de passagem, lembra o modus operandi de certas organizações terroristas sionistas, como o Lehi, a Haganá, o Palmach e o Irgun. Assim, não seria nenhuma surpresa a implicação de agentes israelenses com o respaldo logístico da inteligência anglo-francesa.

10 — Contemporaneidade e a relação do plano com a conjuntura geopolítica e a rede operativa sorista

No século XX, aproveitando as vantagens que lhes conferia o Tratado decorrente da Guerra das Malvinas, a Inglaterra e a Entidade Sionista colocaram em marcha um novo projeto na Patagônia, utilizando, em certa medida, elementos do Exército chileno, bem como de alguns governos desse país, como aliados geoestratégicos. Augusto Pinochet foi um maçom que impediu o povoamento do setor chileno da Patagônia por conselho de seu assessor sionista Sergio Melnick. Do ponto de vista econômico, entregou seu país à usura financeira dos Chicago Boys de Milton Friedman. Geopoliticamente, foi uma marionete do anglo-sionismo. O multimilionário inglês Joe Lewis, simpatizante do regime pinochetista e protegido por Mauricio Macri, adquiriu enormes extensões de terra no sul argentino e até no vizinho Chile. Suas propriedades, de 12.000 hectares, cobrem várias vezes, por exemplo, o tamanho do Estado moderno de Israel. Estão localizadas na Terra do Fogo, no extremo sul do continente. Cercam o Lago Escondido, impedindo efetivamente o acesso à região, apesar de uma decisão judicial em sentido contrário.

O multimilionário preparou um aeroporto privado, com uma pista de 2 quilômetros, para receber aeronaves de transporte civis e militares. Desde a Guerra das Malvinas, o Exército israelense tem organizado “acampamentos de férias” para seus soldados na Patagônia. Anualmente, há agora entre 8 e 10 mil, entre eles os que passam duas semanas nas terras de Joe Lewis, uma figura que inclusive ingressou no mundo dos esportes. Segundo a lista de ricos do Sunday Times de 2021, Lewis tem um patrimônio líquido de 4,33 bilhões de libras esterlinas, um aumento de 338 milhões de libras desde 2020, sendo também, se não bastasse, proprietário majoritário do clube de futebol da Premier League Tottenham Hotspur. Não é por acaso que se diz que o clássico com o Chelsea ocorre entre dois magnatas cázaros apátridas.

Nessas análises, é sempre necessário abordar e resgatar a biografia forense dos atores. Lewis deixou a escola aos 15 anos para ajudar a administrar o negócio de catering de seu pai no West End, a Tavistock Banqueting. Quando assumiu o controle, rapidamente o expandiu vendendo artigos de luxo a turistas norte-americanos, sendo também dono do clube Hanover Grand, no West End, onde deu a Robert Earl seu primeiro emprego. Mais tarde, vendeu o negócio em 1979 para formar sua riqueza inicial.

Depois de vender o negócio familiar no fim da década de 1970, Lewis passou ao comércio de divisas nas décadas de 1980 e 1990, o que resultou em sua mudança para as Bahamas, onde hoje é um exilado fiscal. Em setembro de 1992, Lewis associou-se a George Soros para apostar que a libra sairia do Mecanismo Europeu de Taxas de Câmbio. O evento, conhecido como Quarta-feira Negra, tornou Lewis muito rico. Alguns sugerem que ele ganhou mais dinheiro com o episódio do que o próprio Soros. Desde então, Lewis continua sendo um operador ativo no mercado de câmbio.

Joe Lewis, cázaro étnico, oriundo de Londres, comprou nos anos 1990, como parte do “pacote” de terras adquiridas a baixo preço. Há anos, setores nacionalistas de todo o mundo denunciam e apontam quem é o latifundiário amigo de Macri e dono de empresas como a Pampa Energía. É sempre necessário destacar, por meio de um pequeno compêndio radiográfico pessoal, o poderoso inglês cázaro bancado por todos os governos.

O presidente da Fundação Interativa para Promover a Cultura da Água (FIPCA) e integrante da organização da “Marcha pela Soberania do Lago Escondido”, Julio Urien, denunciou que os manifestantes que participam do protesto nos campos de Joe Lewis foram “interceptados e hostilizados” por pessoas que respondem ao empresário inglês. Como vemos, o latifundiário que desde os anos 1990 pisa forte na Patagônia não é um personagem qualquer, mas exatamente o contrário. Dono de empresas que operam no país (como a Pampa Energía), é amigo pessoal de grandes oligarcas nacionais, como Mauricio Macri, estando há décadas protegido por todos os governos que passaram, tanto em Río Negro quanto em nível nacional argentino.

Se, nos anos 1970, o Exército argentino tivesse supervisionado a construção de 25.000 quartéis (vazios), que deram origem ao suposto mito do Plano Andinia, hoje teriam sido construídos centenas de milhares. É impossível verificar o avanço das obras, já que esses terrenos são privados e neutralizam o Google Earth quanto a imagens de satélite da região (assim como ocorre com instalações militares da Aliança Atlântica). O vizinho Chile, que, diga-se de passagem, também oferece proteção a esse personagem enigmático e sinistro que transita por essas terras do Cone Sul, cedeu uma base de submarinos à Entidade Sionista, entregando sua soberania ao Império Anglo-Sionista, que adquire uma zona de enorme relevância geoestratégica. Ali foram escavados túneis para permitir a sobrevivência durante o inverno polar.

Desde que Lewis comprou uma propriedade na província de Río Negro, Argentina, o acesso público ao Lago Escondido está em disputa. A lei argentina afirma que todo curso de água é público e de livre acesso. Em 2009, o Tribunal Superior de Justiça ordenou a Lewis criar e manter o acesso ao lago, com “sinalização suficiente e mantê-lo transitável”, mas a sentença não foi executada. O capataz de Lewis, Van Ditmer, declarou: “Vamos defender a propriedade privada com o Winchester nas mãos; com sangue, se necessário”.

Atualmente, ele planeja usar uma enorme área protegida, quatro vezes o tamanho da cidade de Buenos Aires, para outro empreendimento privado, contra a vontade dos moradores locais. A propriedade foi comprada a 69 pesos por hectare, hoje cerca de US$ 4. Esse baixo preço foi assegurado usando o nome de um ‘poblador’ local na escritura, após o que a terra lhe foi transferida. Sugere-se que a propriedade do Lago Escondido é necessária para fornecer água e energia (hidrelétrica) a essa nova propriedade, denominada “Estado privado na Patagônia”. Como vemos, o que está em jogo é um projeto balcanizador no Cone Sul. Em janeiro de 2017, começaram novos protestos massivos em El Bolsón contra esse projeto.

Esse personagem possui uma longa coleção de artigos de luxo, sendo inclusive proprietário de várias versões do icônico Touro de Wall Street, de Arturo Di Modica, incluindo o original, que o artista instalou durante a noite de 15 de dezembro de 1989 em Wall Street sem autorização prévia das autoridades. Os mapuche, que habitam a Patagônia (tanto argentina quanto chilena), ficaram surpresos ao saber da reativação, em Londres, da Resistência Ancestral Mapuche (R.A.M.), uma misteriosa organização que reivindica a independência: inicialmente acusada de ser uma antiga associação recuperada pelos serviços secretos argentinos, a RAM é hoje considerada por grupos marxistas como um movimento separatista legítimo; no entanto, os próprios mapuche locais reconhecem que se trata de uma iniciativa financiada por George Soros.

Em 15 de novembro de 2017, a Armada Argentina perdeu todo contato com o submarino ARA San Juan, que acabou sendo declarado afundado no mar. Era um dos dois submarinos diesel-elétricos TR-1700, orgulho do pequeno Exército argentino. A Comissão Preparatória da Organização do Tratado de Proibição Completa dos Ensaios Nucleares (CTBTO) anunciou ter registrado um fenômeno acústico incomum no Atlântico, próximo à zona de onde o San Juan havia enviado seu último sinal. O governo acabou admitindo que o submarino realizava uma “missão secreta” não especificada, da qual Londres havia sido informada.

Enquanto o Exército dos Estados Unidos realizava buscas, a Marinha russa enviou um drone capaz de explorar o leito marinho a uma profundidade de 6.000 metros, que nada encontrou. O San Juan provavelmente explodiu. A imprensa argentina está convencida de que ele colidiu com uma mina ou foi destruído por um torpedo inimigo. Neste momento, é impossível determinar se a Entidade Sionista, também conhecida como Cazária Mediterrânea, embarcou em um programa de exploração da Antártida ou se está construindo uma base de retaguarda em caso de derrota na Palestina.

Em 27 de dezembro de 2011, o turista israelense Rother Singer provocou um incêndio acidental no Parque Nacional Torres del Paine, na Patagônia chilena. O fogo levou vários dias para ser extinto e queimou mais de 17.000 hectares (42.000 acres). Singer foi detido pela polícia chilena e declarou-se culpado, aceitando pagar 4,8 milhões de pesos chilenos (US$ 10.000) à CONAF e deixar o país. Isso provocou a ira de alguns chilenos, que esperavam uma sentença de prisão, com manifestantes reunindo-se em frente ao tribunal. Em 2015, a Suprema Corte do Chile ratificou a sentença.

Esse caso foi noticiado na mídia nacional e internacional, introduzindo o conceito de “Plano Andinia” no conhecimento comum chileno, o que levou, em 2012, alguns políticos chilenos, incluindo membros do Congresso Nacional do Partido Democrata Cristão e do Partido pela Democracia, a denunciarem que o incêndio na Patagônia chilena estaria, de alguma forma, relacionado ao Plano Andinia, o que provocou a condenação da ADL. Em uma entrevista de fevereiro de 2017, o diretor da CONAF Magallanes afirmou que, segundo as estatísticas do parque nos últimos cinco anos, turistas israelenses representaram quase dois terços das expulsões do Parque Nacional Torres del Paine, o que levou albergues locais a não aceitarem cidadãos israelenses.

Como mostram as notícias, o turismo está em alta na Patagônia. E, em meio a isso, moradores locais relataram uma forte presença de militares israelenses infiltrando-se no território como turistas, sendo vistos manipulando equipamentos tecnológicos, o que reforça a tese de que o que está em jogo é a construção do Plano Andinia, em processo, para estabelecer um Estado sionista na Patagônia, uma região altamente estratégica. Javier Milei também autorizou a instalação de bases militares norte-americanas na Patagônia, especificamente na região do Estreito de Drake, que é altamente geoestratégica, pois quem controla o Estreito controla as rotas marítimas entre os dois oceanos (Pacífico e Atlântico).

Ao obter o controle da Patagônia, obtém-se também o controle da Antártida, que, apesar do Tratado de 1959 proibir a exploração de recursos minerais e a instalação de bases militares, será reavaliado em 2048. Portanto, quem ganhar influência sobre o território também terá influência para negociar um novo formato para o Tratado e poderá modificar as regras. Tudo isso faz parte do plano geoestratégico dos Estados Unidos para controlar o hemisfério norte por meio do Ártico e o hemisfério sul por meio da Antártida. E, dessa forma, também se abre caminho para que o sionismo crie outros Estados fora da Ásia Ocidental. Não por acaso, no processo de construção do Estado moderno de Israel, muitas sugestões foram levantadas, sendo uma delas precisamente a região da Patagônia.

Diante do cenário retratado ao longo deste extenso artigo, para evitar que se construa um Estado sionista em nossa amada Ibero-América, há apenas uma alternativa: aliar-se aos protagonistas da construção de um mundo multipolar, que são Rússia, Irã e China. Ou seja, ou se escolhe o sionismo em nosso “quintal”, aceitando a supremacia do Tio Sam sem diálogo, ou se opta por aqueles com quem é mais fácil dialogar e que não têm uma visão de mundo de unipolaridade irrestrita, havendo mais possibilidades de resolver as diferenças por meio da diplomacia, pois, como sabemos, o entreguista Javier Milei planeja, no futuro, inserir a Argentina no marco de uma espécie de OTAN+, o que colocaria o país como membro ativo do sio-atlantismo geopolítico, com foco nas regiões das Malvinas e da Patagônia, assegurando assim o domínio do Eixo Transatlântico sobre a Antártida, o Atlântico Sul e a região bioceânica.

Fala-se inclusive em chegar a um acordo para “compartilhar” as Malvinas, uma vez que a Argentina se torne uma colônia estabelecida. Um projeto que caminha lado a lado com o Plano Andinia, que, diga-se de passagem, já está em andamento, como devidamente abordado. Sempre dissemos e sustentamos que o governo Milei consistiu em um truque da Anglosfera para frear o impulso soberanista na Ibero-América, impedindo que ela possa competir com a Tríplice Entente Euroasiática.

Ou seja, os atos contemporâneos apenas reforçam a tese da existência real do plano, que, como vimos, tem raízes profundas no século XIX, ganhando grande visibilidade e projeção ao longo da década de 1970 do século passado. Em 2020, o documentário Plan Andinia: ¿Un nuevo estado sionista?, de Asela Villar, que sugere que a Entidade Sionista planeja invadir lentamente a Patagônia, foi exibido pelo canal iraniano HispanTV e reproduzido online na rede Real Stories, pertencente à Little Dot Studios e à All3Media, para a qual trabalhou Pablo Iglesias Turrión antes de cofundar o Podemos, o partido político que dirigiu de 2014 até sua renúncia em 2021.

Imagem do documentário que retrata uma insígnia do plano no Cone Sul

Fonte: Plataforma Multipolar – MEX

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