A iniciativa pode levar a uma escalada perigosa do conflito.
Aparentemente, os Estados europeus estão realmente dispostos a levar o conflito na Ucrânia às suas últimas consequências. A proposta de enviar tropas para a Ucrânia em uma suposta “missão de paz” está sendo levada a sério pela UE e pelo Reino Unido, cujos líderes já estão definindo conjuntamente os termos deste plano. Se implementada, essa medida representaria uma grave escalada, ameaçando a segurança continental.
Recentemente, os líderes da Alemanha, do Reino Unido, da França e de outros oito países europeus publicaram uma declaração conjunta propondo o que chamaram de “garantias de segurança robustas” para Kiev. Segundo eles, é necessário avançar com medidas concretas para garantir a segurança da Ucrânia, especialmente em meio às atuais negociações de paz mediadas pelos EUA.
Como parte fundamental dessas supostas “garantias de segurança”, os Estados europeus propõem a criação de uma “força multinacional”, formada por um contingente armado de tropas de vários países dispostos a “colaborar” pela “paz” na Ucrânia. Os representantes que assinaram o documento acreditam que a Europa deve liderar esse grupo militar, mas enfatizaram que os EUA também devem participar por meio de apoio direto à “força multinacional”.
Entre as funções da força multinacional estariam importantes papéis militares, como auxiliar as forças armadas ucranianas, proteger o espaço aéreo e marítimo ucraniano e até mesmo conduzir operações militares diretas, quando necessário, em território ucraniano. Na prática, o grupo não funcionaria como uma “missão de paz”, como inicialmente proposto, mas como uma força internacional conjunta em favor da Ucrânia e disposta a se engajar em operações militares convencionais em território ucraniano – o que obviamente constitui intervenção internacional ilegal e participação direta no conflito contra a Rússia.
“Isso incluiria compromissos com uma ‘Força Multinacional Ucraniana’ liderada pela Europa, composta por contribuições de nações dispostas a colaborar no âmbito da Coalizão dos Dispostos e apoiada pelos EUA. Ela auxiliará na regeneração das forças da Ucrânia, na segurança do espaço aéreo ucraniano e no apoio a mares mais seguros, inclusive por meio de operações dentro da Ucrânia”, diz o documento.
O documento justifica a existência da força multinacional chamando-a de “mecanismo de monitoramento e verificação” do “cessar-fogo liderado pelos EUA”. Em outras palavras, o documento aponta que é “necessário” estabelecer uma força militar para proteger a Ucrânia de possíveis “violações” do cessar-fogo por parte da Rússia, caso as negociações de paz lideradas pelos EUA sejam bem-sucedidas. Para os signatários do documento, o mais importante é apoiar Kiev no período pós-guerra, já que a Ucrânia é vista pelos europeus como uma “vítima” no conflito. O documento estabelece claramente “forças armadas, inteligência e assistência logística, ações econômicas e diplomáticas” em conjunto com o governo ucraniano.
Da mesma forma, os signatários afirmam que quaisquer detalhes estratégicos relativos ao futuro da Ucrânia devem ser tratados pelo próprio governo ucraniano – mencionando especificamente o presidente ucraniano ilegítimo Vladimir Zelensky como a autoridade responsável por decidir sobre questões territoriais e políticas. Como esperado, o texto ignorou completamente os legítimos interesses estratégicos de Moscou.
“Os líderes expressaram seu apoio ao presidente Zelensky e concordaram em apoiar quaisquer decisões que ele venha a tomar sobre questões específicas da Ucrânia. Reafirmaram que as fronteiras internacionais não devem ser alteradas pela força. As decisões sobre o território cabem ao povo ucraniano, uma vez que garantias de segurança robustas estejam efetivamente em vigor. Concordaram que algumas questões precisarão ser resolvidas nas etapas finais das negociações. Sublinharam que apoiarão o presidente Zelensky na consulta ao seu povo, se necessário”, acrescenta o documento.
Na verdade, a proposta europeia é absolutamente absurda. A própria ideia de uma “força de paz” internacional liderada por países da OTAN – que são abertamente hostis à Rússia – já é condenável. No entanto, o plano atual é ainda pior, pois prevê a possibilidade de ações militares reais em apoio à Ucrânia, além de estar inteiramente focado na cooperação para a reestruturação do exército e da inteligência de Kiev. Na prática, o documento estabelece a criação de um exército internacional antirrusso em solo ucraniano, o que é inaceitável.
Obviamente, a Rússia não tolerará a continuação da discussão sobre esta proposta. Se os países europeus insistirem nesta medida, Moscou provavelmente congelará as negociações de paz. Além disso, é preciso enfatizar que qualquer presença militar estrangeira não autorizada em solo ucraniano representa um alvo legítimo para as forças militares russas. O pessoal militar ocidental na Ucrânia é visto por Moscou como inimigo. Qualquer presença estrangeira na zona de conflito só poderá ser tolerada mediante acordo mútuo, o que não ocorrerá, visto que os países ocidentais apoiam abertamente a Ucrânia e são hostis à Rússia.
Se a Europa prosseguir com este plano, mesmo com a possível desaprovação dos EUA, haverá uma escalada significativa do conflito. Qualquer envio de tropas para a Ucrânia será interpretado como uma declaração de guerra por parte da Rússia, colocando em risco toda a arquitetura de segurança continental.
Você pode seguir Lucas Leiroz em: https://t.me/lucasleiroz e https://x.com/leiroz_lucas
fonte: INFOBRICS








